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Opiniões e Postas de Pescada

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06
Set17

Questões de género - I

Miúda Opinativa

Se há assunto que está na ordem do dia são as questões de género. Desde a questão do assédio (o que é que consitui assédio? Quando é que um piropo é demais? Quando é que um comentário pode ser considerado abusivo?), passando por questões de desenvolvimento infantil e culminando, claro, na questão da igualdade.

 

Em primeiro lugar, uma ressalva: vou falar aqui de questões de género Masculino e Feminino. E, claro, estarei a incorrer em algo que poderá ser errado, na medida em que estou a excluir outros tantos géneros.

 

Mas vamos lá... Vou discorrer sobre o desenvolvimento infantil, que é algo que me diz um bocadinho.

 

Eu era aquilo a que se chama maria-rapaz. Eu gostava mais de jogar à bola do que de brincar com bonecas, eu não gostava de brincar com Barbies e não gostava de usar vestidos. Quando o meu irmão deixava de usar alguma roupa, eu gostava quando a peça ficava para mim. Eu gostava de brincar com carrinhos, com Power-Rangers e sempre gostei mais de azul do que cor-de-rosa. Os meus pais? Os meus pais sempre conviveram bem com isso. Se eu ia a uma loja e queria uns calções e t-shirt do Super Sonic em detrimento de uns calções e t-shirt de uma  qualquer princesa da Disney, então eu tinha uns calções e t-shirt do Super Sonic. Se eu me queria mascarar de Aladino e não de Jasmin, eu mascarava-me de Aladino (sim, eu mascarei-me de Aladino. E de Gato das Botas). Pacífico.

Ainda assim, havia sempre uma certa tendência para me oferecerem os chamados "brinquedos de menina", especialmente nos primeiros anos da infância, em que os meus gostos não estavam ainda tão vincados, ou de pessoas que não me conheciam tão bem. Assim, num Natal, devia ter uns 4 ou 5 anos (a minha irmã mais nova ainda não existia, por isso não podia ser mais velha que isso), ofereceram-me uma cozinha de brincar. Eu adorei. Mas não fui a única - eu, o meu irmão e o meu primo acabámos a noite a brincar na cozinha. E não, eles não estavam sentados à mesa enquanto eu os servia.

Por outro lado, apesar da minha maior preferência pelos chamados brinquedos de menino, também gostava de brinquedos de menina - Pequenos Poney, Polly Pocket, por exemplo. E tive, também, livros de actividades para menina. Já para não falar de toda a "literatura de menina" que li durante o meu desenvolvimento - desde "A Anita", passando pelas "Gémeas" e o "Colégio das Quatro Torres" até a essa obra de referência, e que eu aconselho a toda a gente, as "Mulherzinhas".

 

Quero dizer com isto que eu era uma criança que brincava com tudo. E que os brinquedos de menina - mais dados ao cuidar, é um facto -, não me tornaram propriamente uma fada do lar. Muito pelo contrário. E para além de brincar com Polly Pocket, brincava com os Micromachine. Para além de brincar com os Pequenos Poney, jogava à bola. E melhor que os rapazes.

 

Curiosamente, apesar disto, acabei por escolher um curso superior "tipicamente feminino" - Psicologia. Um curso visto como um curso associado ao "cuidar". Acontece que eu não fui para Psicologia com a perspetiva de cuidar. Fui para Psicologia com a perspetiva de estudar. Aliás... Se há pessoa incapaz de cuidar, sou eu - li os livros da "Anita", mas nunca quis ser como ela.

 

O que é que eu quero dizer com tudo isto... Sim, os nossos modelos da infância influenciam-nos fortemente. Sim, também me enerva ver pela altura do Natal, corredores de brinquedos cor-de-rosa com a palavra "menina" à entrada e corredores de brinquedos azuis com a palavra "menino". Ou que as roupas de menina digam "I need a hero". Porque sei que isso poderá ter influência no desenvolvimento das pessoas. Mas julgo que a verdadeira questão não reside nas estratégias de Marketing utilizadas; a mim parece-me que a verdadeira questão passa pela educação. Pela tolerância dos pais. Que se uma menina quer brincar com Power-Rangers, então que a deixem brincar com Power-Rangers. Que se o menino quer brincar na cozinha oferecida à irmã, então o menino que brinque na cozinha oferecida à irmã.

Julgo que ao contrário do que parece que agora é tendência, que é tornar tornar todos iguais - agora até se fala de criar roupas unisexo -, o importante é perceber-se que somos todos diferentes. Que é perfeitamente aceitável gostar-se de tudo e mais um pouco. Que todos nós, meninos ou meninas, podemos ser heróis. Mas que o podemos ser de todas as formas. Seja ficando em casa a cuidar, seja a ser CEO de uma empresa gigante. E que tod@s podem ficar em casa a cuidar ou ser CEO de uma empresa gigante.

3 comentários

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    Miúda Opinativa 06.09.2017

    Concordo em relação às zonas diferenciadas. Acho que não deveria existir tão marcadamente "zonas de meninas" e "zonas de meninos". Mas não acho que se deva acabar com roupas cor-de-rosa ou com roupas azuis ou com fadas e piratas como já li que algumas marcas estão a tentar fazer (embora duvide). Porque, lá está, não somos todos iguais e não temos que gostar todos do mesmo.

    Em relação ao piropo / assédio... Quando eu escrevi "quando é que um piropo é demais" prende-se com aquelas questões do se me disserem que estou bonita isto é piropo? Depende da concepção que tenho de piropo. Para mim, um "piropo" não tem que ser um comentário agressivo que invade a minha integridade física. Se o meu namorado me disser "estás mesmo gira com essa saia" isto conta como um piropo elogioso. Se me acontecesse uma cena de comédia romântica de ir a um café e der um empurrão no homem da minha vida e ele disser "é demasiado bonita para me magoar", isto é um piropo mas não, não o considero um crime.

    Não concordo, obviamente, com piropos e qualquer forma de assédio. São questões importantes. Têm que ser discutidas. E as crianças têm que ser educadas.
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    Sara 06.09.2017

    Uma coisa não tem que ver com a outra...Em casal ou em grupos de amigos podes adoptar o registo que quiseres. O piropo refere-se ao assédio constante que as mulheres sofrem na rua e mesmo no trabalho. Se for na rua e me disserem coisas do nada, mesmo que não envolvam palavras porcas, sim: agora é considerado crime e ainda bem - eu não conheço o tipo, ele não me conhece a mim e ninguém lhe pediu opinião. Olha discretamente e cala. O problema não são as cores ou as figuras, mas sim associar isso com o género por isso era um passo tão importante acabar com zonas diferenciadas...Para ninguém ter de ir às zona dos rapazes comprar um puzzle para a filha. Quem quiser saber o que o mundo pensa das mulheres e do lugar que elas devem ocupar só tem que ir a uma zona de brinquedos em qualquer loja. Diz tudo.
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