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Opiniões e Postas de Pescada

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05
Out18

Quando nos começamos a preocupar com o que nos pode acontecer

Miúda Opinativa

No post de ontem, escrevi sobre o facto de estar preocupada com a viagem para a Indonésia e com o meu medo de morrer. E escrevi, também, que parte desse receio se relaciona com o facto de os meus pais já terem perdido um filho e de não querer que perdessem outro. 

 

Essa é a grande verdade. Se calhar, se o meu irmão não tivesse morrido no ano passado, a minha preocupação em ir para lá seria menor - sim, desastres acontecem e não acontecem só aos outros, mas não podemos deixar de viver com medo desses desastres. Além disso, a História diz-nos que não existem dois grandes sismos seguidos nem dois tsunamis. 

 

No entanto, o meu irmão morreu no ano passado e sinto, desde essa altura, que tenho muito mais cuidado comigo. Que tenho um cuidado redobrado quando conduzo ou quando atravesso a estrada. Ou que me tornei ainda mais hipocondríaca, com medo de ter um cancro que me possa matar. 

 

À semelhança da música do Robbie Williams, eu não tenho medo de morrer, apenas não quero. E não quero morrer não só porque tenho muito que viver ainda mas, também, porque não quero que os meus pais voltem a passar pela devastidão de perderem um filho. 

 

E isto deve ser quase como quando as pessoas se tornam pais. Há uns tempos, uma amiga minha, que já foi mãe, dizia que agora pensaria duas vezes (três, quatro) antes de fazer um salto de pára-quedas. Porque, lá está, foi mãe, e o seu lado mais aventureiro (que ela até tinha) esmoreceu. "Apenas" porque teve um filho. 

 

Há cerca de 1 ano, a propósito da morte do meu irmão, escrevi por aqui que nos tornamos adultos quando passamos a cuidar. E acho que isto é um dos aspetos disto de ser adulto e de cuidarmos - termos medo não só por nós mas, mais ainda, pelos outros, por quem cuidamos. 

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