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Opiniões e Postas de Pescada

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17
Jan18

Mentiras no Divã

Miúda Opinativa

Depois de ter terminado o "The Bat", decidi passar para algo completamente diferente, para o "Mentiras no Divã", de Irvin D. Yalom. 

Lido numa semana, entre viagens de metro, comboio e "20 minutos à noite antes de ir dormir", cativou-me desde o início. 

 

Sim, o facto de ter formação em Psicologia ajuda a que este seja um tema que me suscita grande interesse (apesar de Psicologia ser diferente de Psicanálise e de eu não ser de Psicologia Clínica nem nunca ter tido interesse em seguir esse caminho, muito menos Psicologia Dinâmica); no entanto, julgo que mesmo para quem não é desta área, o livro pode ter grande interesse. 

 

Porque nos permite perceber que, afinal, os psicanalistas também são humanos. Às vezes existe uma perceção, meio idiota, que quem tem formação em Psicologia ou Psiquiatria tem uma espécie de aura que evita que tenham problemas mundanos, que evita que se enganem em relação às pessoas. Mas isso, infelizmente, não acontece. E sim, os psicanalistas tambémse enganam. 

 

Por outro lado, foi extremamente interessante verificar as várias relações estabelecidas entre os psicanalistas e os pacientes. A relação terapeuta-paciente é fundamental para  processo de terapia e respetiva cura e, por isso, foi interessante explorar de que forma as diferentes abordagens trazem diferentes resultados. Sim, o livro é um romance e, por isso, é possível que as situações não sejam exactamente como são descritas; no entanto, tendo em conta que o autor é, na verdade, psiquiatra, é possível que se aproxime, pelo menos um pouco, da verdade. 

 

Em terceiro lugar, foi também engraçado ver como as personagens analistas da história analisam tudo à sua volta, incluindo os comportamentos das pessoas com quem falam e lidam. Eu não sou psicóloga e muito menos psicanalista; no entanto, faço isso frequentemente - e o meu namorado "irrita-se" muito com isso, ah ah! E é engraçado como se calhar faz mesmo parte dos traços de quem lida e estuda estas "coisas" da mente, independendemente da corrente seguida. 

 

Finalmente, foi também muito interessante ver os limites da terapia e da psicanálise. A verdade é esta: eu nunca quis seguir Psicologia Clínica precisamente devido aos seus limites. Por outro lado - e agora os psicanalistas que me perdoem -, penso que a Psicanálise terá muitas limitações, sobretudo porque se baseia nas interpretações de todas estas análises que se fazem. E sim, analisar é giro, mas interpretar - e às vezes interpretar de forma, digamos, exagerada, relacionando certos comportamentos com questões sexuais e relacionadas com os pais, por exemplo - traz questões sérias. Não, o facto de eu não ter tido muitos namorados não significa que seja apaixonada pelo meu pai. 

 

Gostei do livro. Acho que está bem escrito - embora por vezes os diálogos parecessem um tanto quanto forçados, como se de uma aula se tratasse -, e tem a capacidade de cativar. Já tinha lido um livro deste autor ("Quando Nietzsche chorou"), já tinha gostado e agora este não me desiludiu. 

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