Dias cinzentos
Nesta semana, parece que o Inverno, que deveria estar a acabar, se lembrou de aparecer. Temos chuva que não pára, temos dias cinzentos que nos fazem pensar que se calhar vamos começar a ouvir músicas de Natal no Centro Comercial, temos vento que torna desnecessário o tempo que se perde a pentear.
E parece que o tempo que vejo lá fora reflecte o meu estado de espírito. Ou o meu estado de espírito reflecte o tempo que vejo lá fora. Estou cinzenta, escura. Zangada.
Quando uma pessoa morre, quando um irmão morre, quando perdemos uma referência, nunca nada é como antes. O antes, aliás, deixa de existir. E mesmo o depois, tudo o que acontece depois, se torna longínquo. O que está sempre presente, nunca desaparece e parece que foi ontem, é a perda da pessoa. É o dia em que um bocadinho de nós desaparece. Em que nós, como nos conhecemos, desaparecemos.
O meu irmão morreu há quase 6 meses e parece que foi ontem. O meu irmão morreu, suicidou-se, e a morte dele, o suicídio dele, fez despertar em mim coisas que eu julgava enterradas.
E às vezes, torna-se fácil perder o Norte. E o desespero assola-nos. E ficamos cinzentos como o tempo.
