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Opiniões e Postas de Pescada

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19
Mar18

Crescimento

Miúda Opinativa

No final de 2015, e quando já estava no segundo ano do meu segundo Mestrado (em Psicologia da Educação e da Orientação), comecei, novamente, a pensar no futuro. Embora a decisão de seguir aquele mestrado tenha sido bastante reflectida, e apesar de ter gostado bastante do primeiro ano, naquela fase, e já a realizar o Estágio Curricular, comecei a pensar se quereria mesmo fazer aquele trabalho.

De facto, durante o Estágio deparei-me com diversas situações com as quais não concordava e que iam contra a minha ética; assim, e se eu até consigo engolir sapos em situações que me influenciam a mim ou o meu trabalho, não tenho a mesma capacidade quando se trata de crianças e jovens cujo futuro depende de situações que podem ser questionáveis.

Por outro lado, o medo de chegar ao fim do Mestrado e não encontrar trabalhado tornou-se mais real - afinal, toda a gente sabe que a Psicologia em Portugal anda pelas ruas da amargura. Assim, acabei por perceber que muito provavelmente, quando acabasse o Mestrado, iria mesmo acabar por trabalhar em RH.

 

Então, em Novembro de 2015 comecei a fazer uma coisa que não fazia desde Março do ano anterior - ver anúncios de emprego de RH. E ao contrário do que aconteceu até Março de 2014, fui chamada a uma entrevista numa famosa consultora de RH e após um longo processo de recrutamento, e para minha grande surpresa, fui seleccionada para a função de Consultora de Recursos Humanos. Fiquei feliz, surpreendida e com muitas dúvidas: deveria avançar com aquela oportunidade ou terminar o Mestrado? Acabei por decidir a primeira opção.

 

E... correu mal. Comecei a trabalhar naquela Consultora no dia 4 de Janeiro de 2016 e no dia 1 de Fevereiro, mandaram-me embora, no final do período experimental. O que correu mal? Muito provavelmente, a minha relação com aquela que foi a minha Team Leader. Era perceptível desde o início, e não só por mim, que ela tinha algum problema comigo. Qual? Não faço a mínima ideia e já desisti de tentar perceber. Mas a verdade é que a pessoa teve a capacidade de em menos de 1 mês destruir toda a minha auto-confiança e isto é também consequência dessa situação.

E a situação mexeu comigo. Nas entrevistas onde fui depois disso, a voz tremia-me sempre que falava sobre o assunto. Como não?

 

Tudo isto para dizer que há 2 anos, eu pensava em como é que iria reagir se por ventura encontrasse a dita Team Leader. E envergonhava-me pensar que se calhar desviaria o olhar ou de caminho para evitar encontros de terceiro grau. Felizmente, nunca aconteceu.

 

Mas a vida às vezes é uma coisa engraçada e há uns dias, encontrei-a numa situação em que nem dava para desviar caminho. E ainda bem. Ela deve ter-me reconhecido mas não deve ter percebido quem é que eu realmente era, porque riu-se de forma simpática para mim (coisa que nunca fez enquanto eu trabalhei com ela). E eu olhei-a de frente e não me ri nem sorri nem cumprimentei. E admito - soube-me bem.

 

Soube-me bem por não me ter escondido, por não me ter desviado.

 

Crescer, se calhar, também é isto. Ultrapassar traumas.

 

Bom, espero que sim.

 

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