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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

07
Mai20

Epá, tenho que admitir

Miúda Opinativa

Não quero voltar ao escritório.

Matem-me, mas adoro trabalhar a partir de casa.

Se calhar ajuda o facto de ter começado um trabalho novo no dia 1 de Abril, remotamente, e, portanto, não ter grandes relações sociais com as pessoas da empresa sem ser com as minhas colegas, com quem falo todos os dias. Se calhar, também ajuda o facto de não ser um animal social e, portanto, gostar de estar sozinha. Ou o facto de viver sozinha, não ter filhos em tele-escola nem ninguém a partilhar o mesmo espaço que eu 24/7. Tudo isto são factores que, eu sei, influenciam esta percepção... Mas são os meus factores e a minha vida. 

Adoro acordar calmamente, tomar o pequeno almoço calmamente, vestir as "yoga pants" e fazer uma sessão de Yoga with Adriane (já vou no segundo plano de 30 dias). Adoro passar o dia de pantufas (apesar de me vestir mais ou menos normalmente) e de almoçar no sofá a ver alguma série ou na varanda (mesmo que almoce em 30 minutos). 

Até já me habituei a treinar em casa e só não considero deixar definitivamente o ginásio porque sei que o meu corpo em geral e o meu joelho em particular precisa de reforço muscular que consigo melhor em ginásio (ainda assim, e tendo em consideração que com a mudança de trabalho cancelei a minha inscrição e não me inscrevi em mais nenhum, não me estou a ver a regressar enquanto a situação não estiver mais calma). 

A desvantagem disto é que a conta da electricidade aumentou... Mas, em compensação, não ponho gasóleo no carro desde... Nem sei. Mas de resto... Tenho mesmo que voltar? NOOOOO! 

06
Mai20

Westworld

Miúda Opinativa

Há algumas vidas, falei aqui sobre o Westworld. Tinha acabado de ver a primeira temporada e tinha adorado. Entretanto, vi a segunda temporada e continuei a adorar. Aquele final foi incrível. 

Em Março começou a terceira temporada. E foi uma... desilusão. Não me prendeu minimamente, ao ponto de passar muito tempo a fazer scroll down nas redes sociais no telemóvel ou a falar por Whatsapp. Ao ponto de não conseguir resumir a série como deve ser. É triste mas é verdade. 

 

05
Mai20

Revi o How I Met Your Mother e tenho umas coisas a dizer (com alguns spoilers)

Miúda Opinativa

Antes de mais, um pequeno disclaimer: entre 2008 (que foi quando eu descobri a série) e 2014, eu era viciada no How I Met Your Mother. Descobri no verão de 2008, enquanto estudava para os exames do 2º Semestre do 1º ano da Faculdade. E era o que me dava algum alento. O primeiro ano foi uma chatice, detestei o curso, e os exames do segundo semestre foram maus. Chumbei a duas cadeiras na primeira fase, adiei as férias para os repetir e... voltei a chumbar. Passei para o segundo ano por uma unha negra, uma vez que só podíamos deixar mesmo 2 cadeiras por semestre em atraso. Mas bem, estou a divagar. Até pareço o Ted. Ah. Ah. Ah. 

Voltando ao tema: eu adorava o HIMYM. Identificava-me bastante com o Ted e achava que nós faríamos um casal fofinho, ah ah (a divagação é só um dos pontos que temos em comum), achava a Lily e o Marshal bem fofinhos, fartava-me de rir com o Barney (apesar de ter muito receio de encontrar um Barney na minha vida amorosa) e via na Robin características que eu gostava de ter. Foram 6 anos a ver a série religiosamente, tinha o genérico como toque do telemóvel e não admitia que alguém falasse mal da série à minha frente. Achava que tinha muita piada mas não era só uma série de comédia... Teve momentos bastante tristes (como a morte do pai do Marshal, ou o momento em que o Ted está na festa de inauguração do edíficio que desenhou ou o momento em que o Ted está sozinho no bar e se imagina a ir ter com a Mãe...) que imprimiam algum sentido de realidade à história. 

Ao longo dos últimos anos, nunca revi a série do início ao fim... Vi alguns episódios, claro, e mais do que uma vez, mas assim, do início ao fim, nunca. Ora, ainda antes do início do isolamento, decidi que precisava de a rever... Precisava de uma comédia, com episódios de 20 minutos, para conseguir descansar a cabeça ao final do dia. Então, a escolha recaiu sobre o HIMYM (já tinha visto o Friends). 

E passados 6 anos do final... Infelizmente, a minha opinião mudou um bocadinho. Continuo a achar a série muito boa (apesar de algumas incongruências ainda mais fáceis de identificar quando se vê a série assim), mas... enfim, existem algumas coisas que me começaram a irritar profundamente. 

Nomeadamente, a Robin. A Robin foi, durante 8 anos, uma idiota para o Ted. Queria mantê-lo ali, à sua espera, para o caso de decidir que afinal queria uma família, ele estar à sua disposição. E ele, idiota, estava. Ele era sempre o Plano B (até depois de ela ter ligado ao Barney para pedir ajuda para encontrar o Medalhão, antes do casamento) e ele aceitava-o sempre, ia sempre ao fim do Mundo para a fazer feliz. Não conseguia envolver-se realmente com mais ninguém porque estava SEMPRE a pensar na hipótese remota de ficar com ela. Uma parte de mim ficou a achar que ele só ficou com a Mãe porque nessa fase a Robin e o Barney estavam casados... Caso contrário, não sei não. Podemos realmente culpar a Victoria por ter dito ao Ted "ou ela ou eu"? 

Continuo a achar que a Robin tem características muito muito interessantes. Mas é altamente inconstante e incongruente e, lá está, é uma idiota para o Ted. 

Claro que esta nova percepção (e que idiota fui eu há 6 anos) fez-me aderir ao grupo das pessoas que acharam o final ridículo. Há 6 anos, eu fiquei triste por não se ter explorado mais a relação do Ted com a Tracy (a Mãe)... Aparentemente, a personagem dela era mega interessante e quase não teve direito de antena. Mas não fiquei zangada por o Ted ter acabado com a Robin. Acho que fui uma romântica... Dizia "ok, é mau que a Mãe tenha morrido, mas pelo menos assim ficaram os dois felizes"... ESTÚPIDA! Lá está! Mais uma vez, será que a Tracy só teve espaço porque a Robin, naquela altura, estava casada? Mais um vez, o Ted foi a correr atrás da Robin! ARGHHH! Pronto, fiquei frustrada. Era uma romântica sem namorado na altura e agora, com namorado, tornei-me numa céptica XD. 

Nota final:

Admito que ver a série no início dos meus 20 (e, portanto, longe dos 27, idade com que o Ted começa a história) é completamente diferente de ver com 30 (logo, 3 anos mais velha do que a idade com que o Ted começa a história). Dá outra perspetiva sobre a série... E claro que me põe também a questionar a minha vidinha. Mas isso são outros quinhentos. 

 

27
Abr20

Apetece-me fugir

Miúda Opinativa

Apetece-me fugir. Desaparecer. Ir para um sítio sem internet, sem pessoas, sem nada. Só eu. Apetece-me desligar-me do Mundo, esquecer-me do Mundo. Apetece-me que o Mundo se esqueça de mim. 

Hoje tornei-me na pessoa que nunca quis ser - que pensou "estou exausta, mas ainda bem que vou trabalhar, para não pensar na merda toda à minha volta". Na pessoa que utiliza o trabalho para fugir. 

Apetece-me fugir. 

22
Abr20

Quarentena - porque não se fala de outra coisa

Miúda Opinativa

Estes dias - e já estou em casa há 37 dias, embora com algumas saídas - têm sido... Estranhos. E curiosos. 

Um disclaimer que já toda a gente sabe: eu não sou um animal social. Eu gosto de estar sozinha. Gosto de estar sossegada a ler e a ver séries. Passei muitas noites em casa, a ver séries ou a ler, enquanto as minhas amigas estavam com os respetivos namorados. A minha solteirice crónica ensinou-me a estar na minha própria companhia - e a gostar da minha companhia. 

De tal forma que tinha pena de não aproveitar mais a minha casa ao fim-de-semana. Porque na correria da vida e dos momentos sociais, não havia tempo para simplesmente ficar no sofá a molengar e a ler. Por isso, estes 37 dias em casa têm sido muito sobre isso - estar em casa e aproveitar a minha companhia. Já não me lembrava disso. Já não me lembrava de estar comigo mesma. E tem sido... bom. Não me interpretem mal. Claro que tenho saudades. Tenho saudades de estar com os meus amigos e a minha família. E de estar mais vezes com o meu namorado... Mas estranhamente, tem-me sabido bem estar sozinha. Acho que se calhar também estava a precisar disso e não me tinha apercebido. 

Mas isto... É o copo meio cheio. Porque depois há sempre um copo meio vazio. 

E que apesar de estar meio vazio, está cheio de preocupações. Preocupações sobre como e quando isto se vai resolver. E ter uma parte bastante céptica que não acredita que isto se vá resolver simplesmente e que apenas vamos ter um "novo normal"... E ficar preocupada com esse "novo normal". Preocupo-me comigo, com os meus. Ir às compras causa-me ansiedade. Os cuidados a ter causam-me ansiedade. Para quem sofre de pensamentos obsessivos e ruminantes, ir às compras e pensar em todos os cenários e todas as possibilidades é stressante. Eu optei por tomar precauções, sim, mas não a um nível extremo. Porque para pessoas como eu, o extremo pode tornar-se mesmo extremo. É quase como se fosse alcoólica, em que uma cerveja se torna num problema grande... A incerteza face ao futuro causa-me ansiedade. Nada disto é fixe. 

Tento levar as coisas de uma forma mais ou menos descontraída e consigo... Se não pensar nisto. Mas quando penso, é problemático. 

 

 

31
Mar20

Ainda sobre o isolamento e o COVID

Miúda Opinativa

Ok. Eu também prevarico e não tenho conseguido cumprir a 100% o isolamento social. Ok, prevaricar não é bem o termo certo, porque não saio só porque sim... Saio quando tenho que sair e tentando cumprir as "regras" de segurança. Nem sempre é possível, mas tenho tentado.

Quando fui às compras na semana passado, comprei coisas para 3 ou 4 semanas e estou a pensar seriamente em aderir ao online (para daqui a 3 semanas, claro).

Mas não me queixo muito e acho que de tudo o que pode acontecer, estar em isolamento social é o menos mau. Custa-me não estar com os meus pais como deve ser, custa-me pensar no meu pai que tem o restaurante fechado, custa-me não estar com o meu namorado, custa-me não estar com os meus amigos. Custa-me não ir correr para o paredão, custa-me não ir ao ginásio ou nadar.

Mas sinceramente? Custar-me-ia muito mais que os meus pais ou a minha irmã morressem, que os meus amigos morressem ou que o meu namorado morresse. Porque a questão é essa. Estar em isolamento não foi o pior que me aconteceu. O pior que me aconteceu foi a morte do meu irmão. E ficava 1 ano inteiro em casa (ou mais, muito mais), sem sair de casa, sem correr, sem ver ninguém, se isso o trouxesse de volta.

Portanto, às pessoas que antes tinham uma vida pouco activa e agora lhes faz muita confusão estar por casa, tenham juízo. Não sejam piegas.  

Claro que custa. Claro que custa para quem está em casa a trabalhar e tem os filhos em "teleescola" (e a esses, tiro-lhes, mesmo, o chapéu). Claro que custa não estarmos com quem gostamos.

Mas é pior, trust me, sabermos que nunca mais vamos estar com quem gostamos.

#pôremperspectiva

30
Mar20

Não consigo atribuir um título a este texto - Lado B

Miúda Opinativa

Toda a situação Covid-19 me assusta, naturalmente.

Assusta-me pela saúde pública - física e psicológica. Assusta-me pela economia. Assusta-me.

Mas tento não pensar muito no quanto me assusta. Por uma razão muito simples. Eu sofro de ansiedade. E os pensamentos ruminates são, de facto, o meu pior inimigo. E escalam para situações, enfim, pouco agradáveis. Ontem à noite tive uma insónia gigante e de repente, dei comigo a ter falta de ar. Enfim, não é fixe.

Vai daí que tento não pensar muito no quanto me assusta e estou a tentar retirar algum benefício disto tudo. Implementei algumas mudanças na minha vida - que foram para lá das forçadas - que, espero, me vão ajudar a ultrapassar isto.

  • Comecei a fazer Yoga de manhã, quando ainda estava a trabalhar. Sabia que ia ficar meio "dura" em casa, com os movimentos rijos. Então, e de forma a continuar a minha tentativa de melhorar a postura, fiz uma pequena pesquisa sobre "Yoga at home". Ok, pequena pesquisa é exagero. Pus "Yoga at home" no YouTube e surgiu este canal - Yoga With Adriane. Fiz um vídeo, pareceu-me interessante, e reparei que ela tinha um plano de 30 dias. Então decidi fazer esse plano. Hoje fiz o 14º dia. É... Interessante. Não me parece que seja um nível muito avançado (em 14 dias, acho que só não consegui fazer 2 posições), ajuda o corpo e, surpresa, tem-me ajudado a mente. Foca-se bastante na respiração e sabem para que é que a respiração é importante? Para lidar com a ansiedade. Estou entusiasmada com isto. De tal forma que gostava que, quando tudo isto acabar (ah. ah. ah.), conseguir manter o Yoga diário de alguma forma.
  • Dediquei-me mais à culinária durante esa última semana do que em toda a minha vida. Fiz salmão grelhado com batata doce, fiz risotto, fiz sopa, fiz bolos!! Eu fiz bolos. Isto é uma coisa inédita. E surpresa... até me safo bem.
  • Tenho lido mais do que tem sido habitual nestes últimos tempos - e as saudades que eu tinha de ler de enfiada?
  • Tenho visto mais séries do que tem sido habitual... E não tenho adormecido.
  • Fiz cursos online relacionados com Recursos Humanos - de férias sim, mas tentar manter a cabeça ativa.

Nem tudo tem que ser mau... Quer dizer, esta situaçã é pior que má, é péssima, mas quero tentar tirar algum proveito daqui.

30
Mar20

Não consigo atribuir um título a este texto - Lado A

Miúda Opinativa

Admito. Até há 3 / 4 semanas, vi sempre toda a questão do Coronavírus com uma certa leveza. Não achava que não iria chegar aqui, mas acreditava que seria uma espécie de Gripe das Aves ou Gripe A. Na Gripe das Aves, lembro-me de gozarmos com a situação, dizendo "distância higiénica" uns aos outros (era miúda). Na Gripe A, lembro-me de uma certa apreensão em irmos até ao Hospital de Santa Maria às aulas de Psicopatologia porque, enfim, apesar de irmaos para a ala de Psiquiatria, íamos para um Hospital. Mas apesar de toda a preocupação e quase histeria, a coisa passou-se sem grande drama (claro que aqueles que perderam entes queridos ou viram as suas vidas realmente alteradas terão opiniões diferentes... E com razão.).

Até que começaram a vir as notícias de Itália e depois de Espanha. E saímos da nossa arrogância ocidental e percebemos que se calhar, também nos vai tocar a nós. E de repente, eu faço anos e não é aconselhável estar com os meus amigos. E o meu pai fecha o restaurante antes de ser decretado o Estado de Emergência. E o ginásio fecha. E eu vou comprar alguns equipamentos para poder fazer exercício em casa apesar de uma parte de mim - ainda a avestruz a enfiar a cabeça na areia - pensa "isto é uma estupidez. Então tu estás a gastar 70€ em equipamentos que vais usar durante 15 dias?".

Mas entretanto... Passaram 15 dias. E nesses 15 dias a vida mudou ainda mais.  Fui ao Continente comprar comida para mim e para os meus pais e nunca gastei tanto dinheiro. Deixei de ir correr para o Paredão. Num dos dias que tive que sair, cheguei à garagem ao mesmo tempo que um vizinho meu, que é ortopedista, e ele mandou-me subir primeiro. Não faria sentido - eu estou de férias e ele está muito mais cansado que eu... E é mais velho que eu -, mas neste momento, faz sentido.

Não estou com o meu namorado nem o vejo há 14 dias porque na altura em que o isolamento começou (o timing perfeito) e ele continua a ir trabalhar fora de casa. A minha irmã estava agora a iniciar a sua procura ativa de emprego e está interrompida. Eu vou começar na quarta-feira a trabalhar num sítio novo... Remotamente. E o meu pai não sabe quando é que vai voltar a abrir o restaurante. Na quinta-feira, seria o 34º aniversário do meu irmão mais velho. Sei que vai ser um dia difícil em casa dos meus pais e eu não vou lá estar.

De cada vez que saio à rua, penso se faz sentido ou não fazê-lo e como é que posso condensar todas as saídas que tenho numa única saída. Tenho o lixo cheio mas só o vou deitar fora na próxima saída. Tenho a minha roupa de ir à rua que, ao chegar a casa, fica na varanda. Ontem fui correr pela primeira vez pelo meu bairro (i.e., pelas pracetas de estacionamento) e preocupei-me menos com os carros do que com as pessoas. E só ando de elevador quando vou à garagem.  

A questão é - como é que chegámos até aqui? Há 4 semanas, eu estava indecisa sobre se queria ou não fazer festa de anos, não me passando pela cabeça que não iria poder fazer nada. Há 4 semanas, eu ainda gozava com os meus colegas mega preocupados com isto - afinal, muito mais clarividentes que eu. Há 1 mês e meio, eu estava com uma tosse que quase me fazia expulsar os pulmões. Foi antes do Covid chegar cá, mas tenho para mim que se fosse hoje, iria ficar de quarentena obrigatória (apesar de, felizmente, nunca ter tido febre - BTW, comprei, passado 1 ano e 4 meses, um termómetro para minha casa. Por causa do Covid).

Parece que em 3 semanas o Mundo deu uma volta gigante, de 160º e só agora é que nos está a cair a ficha da gravidade da situação. Só agora é que estamos a perceber que o isolamento não vai durar só 15 dias... Mas que raio, como é que nós pudémos realmente pensar, cabecinhas geniais, que isto ia durar só 15 dias?? Nenhum surto de coisa nenhuma dura 15 dias!! E nós fomos ingénuos, ou idiotas, ou burros, por achar que sim.

E agora a nossa vida mudou. E infelizmente... Sem previsão de regressar ao "normal" (seja lá isso o que for).

 

23
Mar20

Então no meio disto tudo foste imprimir uma Carta de Rescisão?

Miúda Opinativa

Sim.

Foi um processo inesperado, numa altura inesperada. Foi uma confusão. Mas ainda bem que tomei esta decisão. Como estava em período experimental, e embora a minha chefe me tenha dito que não iria acontecer, tendo em consideração o estado do recrutamento, acho que foi um bom timming.

Pois que agora vou trabalhar numa multinacional tecnológica alemã, numa função generalista, a fazer coisas que gosto mais (e, espero, com uma chefe que não é psicopata). O tipo de contrato não é o ideal, mas, na verdade, hoje em dia já não há contratos "ideais".

Portanto, e como estava em período experimental e como o recrutamento ficou todo em stand-by, a empresa decidiu que eu ficava só mais uma semana. Assim, a semana passada, aquela que fiquei em teletrabalho, foi a minha última semana e agora estou uma semana e meia de férias (porque entretanto antecipei a minha entrada na nova empresa) em isolamento social (e se calhar vamos parar de chamar de quarentena ao isolamento social...).

Desde sábado já:

- Limpei a varanda para começar a fazer refeições lá fora;

- Arrumei os sapatos;

- Arrumei e organizei as malas;

- Acabei um livro que apesar de ter gostado, estava a demorar imenso tempo;

- Arrumei e organizei umas gavetas ao melhor estilo da Marie Kondo;

- Comprei uns cursos da Udemy que estavam com um desconto gigante para me entreter nestes dias;

- Comecei a ver a segunda temporada da "Amiga Genial", na HBO;

- Marquei para ver a "Conspiração contra a América", na HBO;

- Marquei para ver o "Freud", na Netflix;

- Tirei da estante o livro seguinte.

 

Eu bem digo que é para ficar em casa...

23
Mar20

Como corre o Isolamento Social?

Miúda Opinativa

Mal.

Não por dar em maluca com a ideia de ficar em casa mas porque... bem, não tenho conseguido ficar em casa.

Foi há uma semana que vim para casa em Teletrabalho. No entanto, na terça-feira tive que sair para ir imprimir a minha Carta de Rescisão (assunto a desenvolver). Na quarta, saí porque a minha irmã fez anos. Na quinta saí para imprimir uns documentos que tinha que enviar para a minha nova empresa. Na sexta saí porque entretanto foi preciso mais uns documentos para este novo trabalho. Sábado fiquei em casa. Domingo saí para levar roupa aos meus pais (no meio deste caos, a máquina deles avariou) e à noite, já com o paredão quase vazio, decidi ir correr (eu sei, não terá sido a atitude mais consciente, mas afastava-me sempre que via alguém e nem me meti com a criancinha que decidiu ir correr atrás de mim!).

E hoje tive que voltar a sair, para ajudar o meu pai numa coisa de computador. Portanto, por mais que eu queira praticar o isolamento social, a coisa não está fácil.

Para dizer a verdade, preferia, MESMO, ficar em casa. Sair à rua deprime-me. Ver as ruas vazias, as pessoas de máscara e luvas, tudo fechado preocupa-me. Preocupa-me o futuro. Assim, ficando em casa, ficava protegida desta realidade.

Por outro lado, sofrendo de um ligeiro OCD, admito que o facto de estar a começar a pensar em germes e doenças e virús está a ter um resultado estranho em mim. Porque das duas uma: ou não penso de todo, ou se começo a pensar, mais daqui a nada ponho-me a limpar a casa toda e a desinfectar-me toda. Já tenho um conjunto que uso só para sair à rua e que, ao chegar a casa, vai para a marquise arejar. Daqui para a frente, não sei o que o meu cérebro vai fazer.

Por isso digo que para a minha saúde mental, e à excepção da corrida, deveria ser mesmo melhor ficar só em casa. Era tipo avestruz: punha a cabeça na areia.

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