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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

27
Nov19

A grande notícia / novidade da semana

Miúda Opinativa

Ontem caiu a bomba. Pois então parece que as crianças portuguesas são as que passam mais horas por semana nas creches, cerca de 40 horas por semana. E os jornais começaram a publicar esta notícia com grande alarmismo, porque estamos muito acima da média europeia, porque isto signfica que as crianças passam cerca de 8 horas por dia nas creches quando, na verdade, deveriam passar no máximo 6 horas. 

Ora... Eu cá vejo isto com um certo optimismo. Então... Se, por norma, uma pessoa que trabalhe por conta de outrem trabalha, efetivamente, 8 horas por dia, 40 horas por semana, a mim parece-me óptimo que as crianças só estejam nas creches as mesmas 8 horas por dia. Quer dizer, signfica que o tempo que os pais demoram entre a creche e o local de trabalho e entre o local de trabalho e a creche é inexistente... Por isso, qual é a surpresa negativa nesta notícia? 

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Obviamente que estou a ser irónica nas minhas palavras. Obviamente que nada disto é uma boa notícia. Mas também não fico surpreendida e estranho quem fica. Quer dizer... Se os pais das crianças trabalham 8 horas por dia, 5 dias por semana (40 horas por semana, portanto), como é que poderia ser esperado que as crianças não estejam tanto tempo nas creches? 

Eu não tenho filhos. Mas a verdade é que esta é uma das razões que me leva a adiar a maternidade. Não me sinto preparada para ter filhos e deixá-los tanto tempo numa creche (ou com a minha mãe). Porque o facto de deixar as crianças com os avós, quando os avós têm essa disponibilidade, apenas contorna o problema, não o resolve. É como tentar pôr um penso rápido numa mordidela de guaxinim... Até resulta durante uns minutos, mas tem que ser rapidamente trocado. E aqui é a mesma coisa. Eu até posso deixar os meus filhos com os avós, e não tenho dúvidas que são ainda mais capazes que eu para educar crianças. Mas continuo a não ser eu a ir buscá-los à escola e a ter contacto com os professores. Continuo a não ser eu que vou com eles às atividades extracurriculares. Continuo a não ser eu a fazer uma série de coisas que gostava de ser eu a fazer. 

E de cada vez que oiço falar em medidas natalistas, penso nisto. Que tão importante como proprocionar-se abonos família ou outro tipo de apoios financeiros, deveria existir uma grande reestruturação laboral para que, de facto, os pais consigam estar com os filhos.  

18
Nov19

Se calhar estou velha

Miúda Opinativa

Não sei se é por ter atingido esse marco dos 30 anos, ou se é por estar zangada com o Mundo (um bocadinho drama queen, eu sei, mas é o que é) ou se é simplesmente por ter mau feitio. Mas há coisas que não me encaixam na cabeça. Talvez por ser loira. Não sei.

Ora bem, ultimamente vêem-se cada vez mais empresas a acabarem com os monitores dos computadores de secretária. Querem acabar também com os lugares fixos, com as secretárias cheias de coisas pessoais, com as gavetas... Querem tornar os locais de trabalho, supostamente, mais "móveis", em que hoje posso trabalhar num sítio do escritório e amanhã, se me der mais jeito, noutro local. E tudo isto parece muito lindo, muito século XXI, muito clean. Não fosse o facto de algumas destas questões poderem prejudicar quem trabalha.

Eu sou míope e nos últimos meses dediquei muito tempo (e dinheiro) em fisioterapia. Nesta fisioterapia cheguei uma vez mais à conclusão que tenho péssima postura. Vai daí que tenho tentado melhorar isso. Ora, é difícil melhorar a postura quando se trabalha num portátil, que está assente diretamente na secretária e não dá para o colocar na linha dos olhos. Olhos esses que já são míopes e são agora muito mais forçados do que seriam num monitor de secretária.

Eu sei que isto é o futuro, sei que não devemos ser resistentes à mudança, sei disso tudo. Mas também sei que não faz sentido as empresas proclamarem valores como "o mais importante são as pessoas" ou promoverem ações de saúde e bem-estar quando, na base, têm este tipo de práticas...

 

Nota: isto não é nada contra a empresa onde eu agora trabalho. É contra estas moderninces, de uma forma geral.

12
Nov19

Sobre a mãe que deixou o bebé no lixo

Miúda Opinativa

Na primeira vez que li alguma coisa sobre este caso senti uma coisa estranha dentro de mim. Eu, que até me considero uma pessoa relativamente insensível, pensei "se tivesse sido eu a encontrar a criança, fazia tudo para ficar com ela". Tenho andado um coração de manteiga, mas fiquei verdadeiramente triste com a situação. 

Discuti sobre o assunto com algumas pessoas. Que não obstante o facto de o ato daquela mãe ser hediondo, seria necessário dar um passo atrás e pensarmos um bocadinho sobre o que lemos. Que para a criança ter sido deitada naquele caixote de lixo, naquela zona, e sem sequer ter sido retirado o cordão umbilical, provavelmente a mãe tinha dado à luz ali mesmo, naquele mesmo sítio. E que para isso ter acontecido, muitas coisas teriam corrido mal. Muitas coisas mesmo. E tudo isto torna a situação ainda mais triste, mais revoltante. Porque em Lisboa, em 2019, ainda há pessoas que dão à luz no meio da rua. 

Apesar de tudo isto, continuo a achar que sim, que a mulher que o fez deverá ser ir a tribunal pelo que fez. Afinal, se hoje em dia é crime abandonarmos os nossos animais, será igualmente crime abandornarmos bebés em caixotes de lixo. Mas também acho que faz sentido a situação ser analisada de uma forma holística. 

E tentarmos perceber que às vezes, as coisas são mais complexas do que parecem. 

12
Nov19

A pessoa tenta. Mas nem sempre consegue.

Miúda Opinativa

Pois que isto das mudanças - e de passar por demasiadas mudanças para um curto espaço de tempo - nem sempre é isento de ansiedade, incerteza e até alguma tristeza. Pois que isto das mudanças gera um loop difícil de acompanhar - um loop entre o optimismo ("Foi uma boa decisão!") e o pessimismo ("Foi um tiro no pé para a minha carreira..."). 

Um loop entre "fiz o que tinha que fazer para bem da minha sanidade mental" e o "mas porque raio não poderia ter corrido bem? A vida é injusta". 

Um loop entre "se calhar nem deveria ter saído do meu antigo emprego - aquele que ficava muito longe - porque agora as coisas estão a mudar e a minha colega vai até Barcelona" e "bem, mas pelo menos estou a ganhar um bocadinho mais e vou trabalhar mais perto de casa". Embora, ah ah, no final não seja assim tanto mais, sobretudo tendo em consideração os gastos que vou ter. 

A pessoa tenta ser optimista - e por vezes até consigo. Mas nem sempre consegue. Quando começa a pensar em tudo isto... Nem sempre consegue.  

07
Nov19

E entretanto, que é feito da vidinha?

Miúda Opinativa

Hoje é o meu último dia na empresa. Não obstante o facto de já ter tudo terminado, a minha chefe fez-me vir cá para fazer aquilo a que se chama... encher chouriços. Bitch. 

Mas apetece-me ser rebelde. E se é para encher chouriços, encho os meus chouriços - não literalmente, que já engordei 2 kilos nestes últimos meses (a fome emocional é mesmo uma coisa real) e queria ver se não chegava à obesidade. 

Então... Para além de ter mudado para um trabalho fixe mas com uma chefe cocó, o que é que se passou na minha vida nos últimos meses?

Em Junho, tive duas semanas de férias. Nestas duas semanas, aproveitei para ir ao Gerês (muito muito giro...) e fui uma semana para o Algarve. Digam o que disserem, falem mal, mas o Algarve é o meu Happy Place.

Dia 1 de Julho, comecei no meu novo trabalho. Gostei de cá trabalhar durante os primeiros 10 dias, praí, até ter percebido que a minha chefe é uma besta. Comecei a bater mal. 

Em Agosto, uma amiga do meu namorado casou na Terceira, no fim-de-semana depois do feriado. Um casamento "fora de portas" traz alguns constrangimentos, mas neste caso, valeu muito a pena. Já tinha ido a S. Miguel há uns anos e gostei muito... A Terceira, mesmo sendo francamente mais pequena, é também linda linda linda. Estou com muita vontade de fazer umas férias maiores pelos Açores. 

Em Setembro, a situação no trabalho piorou. A minha chefe é louca e houve o "azar" de ela ter sido particularmente louca no dia em que fez 2 anos que o meu irmão morreu. No entanto, uma semana depois, fui de férias. Fomos à Islândia... Que país incrível! Fizemos a volta toda à ilha e a cada curva o nosso espanto era maior. Vimos auroras boreais, vimos glaciares, vimos cascatas, vimos crateras de vulcões... Incrível, incrível. Só foi pena não ter conseguido aproveitar a 100%, por estar a pensar no que ia encontrar quando regressasse de férias. 

Regressei em Outubro e a primeira semana de trabalho foi um pesadelo. No entanto, foi o pesadelo que me fez decidir que sim, tinha que sair. Não podia continuar assim. Não ia admitir ser saco de pancada de ninguém, muito menos de uma pessoa que não me era nada e nunca teve nada para me ensinar. 

Assim, em Outubro, entrei num processo de recrutamento, num processo rápido, e agora, na próxima semana, vou mudar novamente de trabalho. 

Nestes meses todos, comecei também a fazer fisioterapia. Estou cansada, não resolveu completamente o meu problema, mas estou melhor, pelo menos. 

Os últimos meses não foram propriamente felizes... Mas tiveram coisas boas. Agora é esperar que coisas melhores cheguem :) 

 

 

 

05
Nov19

O carrossel gira, a vida é uma montanha russa, bla bla bla

Miúda Opinativa

Na última vez que escrevi, há 5 meses, estava verdadeiramente entusiasmada com a mudança que vinha aí. Ia mudar para aquele que seria o meu "dream job" - função, teoricamente, mais interessante, vencimento superior, mais perto de casa. Tudo óptimo, tudo espectacular. Mas... tem cuidado com o que desejas.

Comecei no novo trabalho no dia 1 de Julho, depois de 15 dias de férias, e há duas semanas, menos de 4 meses depois, apresentei a minha demissão. O emprego de sonho tornou-se, muito rapidamente, num pesadelo, onde me sentia constantemente "agredida" psicologicamente pela minha chefe. Vai daí que decidi sair. A vida é demasiado curta para nos sentirmos mal durante 8 horas do nosso dia (fora as horas fora do trabalho, em que estamos constantemente a pensar no trabalho e no que poderá acontecer se respirarmos de forma errada). 

Nestes 15 dias, a minha vida, as minhas emoções, têm sido uma montanha-russa, em que oscilo entre o optimismo e alegria e a tristeza e raiva. 

A verdade é esta: despedi-me porque encontrei um novo projeto profissional; no entanto, esse novo projeto, não obstante as coisas boas que me poderá trazer, não era exatamente o que eu queria nesta fase da minha vida / pseudo-carreira. Por outro lado, nestes últimos dias, em que as pessoas da empresa souberam que eu me ia embora, têm servido para perceber que apesar de curto espaço de tempo que aqui estive, as pessoas gostavam de mim e da minha forma de trabalhar. E toda a gente tem pena que eu me vá embora... 

Vai daí que estou ambivalente: por um lado, sinto-me orgulhosa por ter conseguido largar algo que me fazia mal e não me ter acomodado às vantagens; por outro lado, estou com raiva por perceber que me vou embora apenas por um "pequeno grande pormenor" - a minha chefe, que é uma besta de pessoa - e que devido a esse "pequeno grande pormenor", vou perder as vantagens que este trabalho me trazia. 

E para ajudar à frustração, parece que as coisas no meu local de trabalho antigo estão a mudar... E estou em crer que se tivesse continuado por lá, a minha situação poderia estar bastante diferente. 

Às vezes, a vida prega-nos algumas rasteiras e isso deixa-me pissed-off. Encaixar tudo isto está a ser um desafio, mas estou a trabalhar para conseguir resolver a questão. Tenho que pensar que, infelizmente, isto não foi o pior que me aconteceu na minha vida. Por outro lado, tenho que pensar que o pior que me aconteceu me ensinou que um trabalho é só um trabalho e que temos que deixar para trás o que nos faz mal. 

Finalmente, tenho que aprender uma coisa: ACREDITAR. ACREDITAR em mim e nas minhas capacidades. ACREDITAR que consigo lidar com bullies. ACREDITAR que apesar de esta oportunidade não ser exactamente aquilo que eu esperava para esta fase da minha vida e pseudo-carreira (carreira. Tenho que acreditar nas minhas capacidades e acreditar que esta é a minha carreira e não uma pseudo-carreira), pode ser (vai ser) uma coisa boa. E que com um bocadinho de sorte e muito trabalho, pode tornar-se a coisa muito boa que vem de uma coisa má. 

Vamos lá. 

(E até lá, vamos continuar no escritório porque não obstante o facto de já termos tudo encaminhado, a besta da chefe faz questão de me ter cá, sem me ligar nenhuma, até ao fim). 

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