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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

10
Out17

A saúde mental é só para quem tem dinheiro?

Miúda Opinativa

Devido à loucura da minha vida no último mês, por estar cansada desta montanha-russa de sentimentos e por ter medo do que pode estar para vir, achei que era boa ideia procura ajuda profissional. E por ajuda profissional entenda-se um psicólogo. 

 

Sou formada em Psicologia - embora não seja psicóloga - e apesar da descrença frequentemente sentida por esta ciência enquanto tirava o curso, acho, sinceramente, que todos nós devíamos passar por um psicólogo pelo menos uma vez na vida. E acho que a minha vez chegou. 

 

Mas bem... Chegou mas se calhar ainda não é desta.

 

Em primeiro lugar, um disclaimer: para mim, procurar um psicólogo é quase como procurar um telemóvel ou um computador. Antes de me decidir por um profissional, vou ver as suas especificidades técnicas, i.e., onde tirou o curso e que tipo de especialização fez. Se não me identifico com a corrente dinânimica, não vou querer, obviamente, um psicólogo que a tenha seguido.

 

Ora, isto tem como desvantagem o facto de já me restringir o leque de escolhas. Mas é fazível, claro.

 

Feita então a pesquisa por psicólogos nas clínicas médicas que frequento quando percebo, encontrei uma ou duas profissionais que se adequam aos meus requisitos.

 

Liguei para uma das clínicas, de forma a perceber qual o horário de atendimento e o preço, e disseram-me logo "As consultas de Psicologia não são abrangidas por seguros de saúde". Ok... Logo a seguir percebi que uma das psicólogas, apesar da especialização ser do meu agrado e de a Faculdade ser boa, atende a horas impróprias para quem trabalha. O que é sempre uma chatice. Pronto, uma pessoa entende, provavelmente dá consultas noutros locais ou então quer só ter vida pessoal. Mas enfim, é chato.

 

Como eu trabalho - e trabalho longe da clínica -, perguntei por outra psicóloga que atendesse depois das 19 e/ou aos Sábados. E ok, havia uma. Fixe, depois ia ver se preenchia os meus requisitos. Então fiz a outra pergunta - e preço?

 

Preparados?

 

93€ a primeira consulta. 83€ as seguintes. COMO É QUE É? 83€ por uma consulta de Psicologia é um crime. Façamos as contas: se as consultas forem 1 vez por semana, o que acontece com alguma frequência, então gastam-se 332€ por mês em consultas. Parecendo que não, isto é mais de 1/3 do meu ordenado. Que, parecendo que não, está dentro da média nacional.

 

Tudo bem. É um Clínica Privada. E as pessoas podem sempre dizer "podes recorrer ao SNS". As pessoas podem dizer isso, mas depois ouvem um "Go fuck yourself". Porque apesar de tudo aquilo que dizem, não existem (ou quase não existem) psicólogos no SNS.

 

E depois é isto. A Saúde Mental em Portugal está uma merda. Temos médicos de família a receitarem anti-depressivos - acredito que não o fazem por mal, mas quem se sente mal psicologicamente, não deveria ter que ir ao médico de família. Que se sente mal psicologicamente, deveria ter direito a ir a um psicólogo sem ter que precisar de comprometer a alimentação.

 

Existem opções mais baratas? Existem. Mas ainda assim, pagar 40€, 30€ por uma consulta psicológica pode ser muito. Sobretudo tendo em consideração a periodicidade com que muitas vezes essas consultas deveriam ser realizadas.

 

Pensem, governantes, pensem. Há muitos psicólogos no desemprego. Há muita gente a precisar realmente de um psicólogo. É só fazer o match!

09
Out17

Metro de Lisboa

Miúda Opinativa

Este está a tornar-se um tema recorrente neste pasquim. Faz algum sentido, uma vez que todos os dias faço metade da Linha Verde e praticamente toda a Linha Vermelha. Duas vezes. E bem, estou cansada. Demorar cerca de 1h30 para ir e vir do trabalho, todos os dias, cansa uma pessoa. E talvez cansasse menos se o Metro funcionasse bem. Que não funciona. 

 

Esperar por um metro 6 minutos em plena hora de ponta, sem haver perturbações (o que já começa a ser raro) é muito e faz com que haja uma enorme acumulação de pessoas. E estas pessoas (onde eu me incluo) depois têm tendência para sair nas mesmas estações - normalmente, aquelas de correspondência com outras Linhas. É o meu caso, que mudo na Alameda. E todos os dias - TODOS OS DIAS - penso "vou morrer aqui". 

 

Isto porque enquanto uns saem do metro, outros querem entrar. Portanto, há uma grande movimentação nas escadas de acesso à plataforma - uns (muitos) a subir, outros (outros tantos) a descer. Acontece que as pessoas, com a pressa, se esquecem de ter cuidado. E às vezes dá ali a sensação que alguém - normalmente alguém a subir -, vai cair. E que, com tanta gente, se gerará ali um efeito de dominó. E bem... Isso não é fixe. 

 

E dizem vocês "ah, estás a dramatizar". E digo eu "bem, até podia ser verdade, mas ainda no outro dia uma pessoa que estava à minha frente foi empurrada por alguém que estava a cair à sua frente porque foi empurrada que alguém que estava a descer. E eu só não cai porque estava ainda no início das escadas". Portanto não estou a exagerar. Sim, isto é um perigo real. 

 

Como eu não gosto de apresentar problemas sem apresentar possíveis soluções, segue uma - e vai de graça!

 

Que tal colocarem nas escadas dois sentidos? Um para descer, outro para subir. Sim, as pessoas podiam não respeitar, mas a longo prazo, a coisa talvez resultasse. 

 

Ou, na loucura... Que tal aumentarem a frequência dos metros?

 

Não? Nem fazendo olhos de bambi?

 

 

06
Out17

Ainda as Autárquicas

Miúda Opinativa

Ora bem... Já sabemos quem ganhou, já sabemos quem perdeu, o Isaltino já pode roubar outra vez, o Passos não se vai candidatar à presidência do PSD, Cascais continua laranja e Lisboa pode continuar a receber todos os turistas.

 

Agora vamos ao que interessa: quando é que começam a retirar os cartazes das ruas?

04
Out17

Então e livros?

Miúda Opinativa

Bem... Com toda a loucura do mês de Setembro, a leitura tem ficado para trás. Tinha começado um livro no dia em que a loucura começou - Nevoeiro em Agosto - e entre tudo o que aconteceu depois, a cabeça para ler a história de Ernst Lossa era muito pouca. Não me interpretem mal... A história é extremamente interessante. Mas a cabeça é que não estava para aí virada.

 

Mas bem... acabei, já há uns dias e gostei muito. Não sei se já disse aqui, mas eu adoro História. E (e isto pode ser preocupante) tenho um especial fascínio pelo período da II Guerra Mundial. Acho que se trata, sobretudo, pela questão psicológica da coisa (é engraçado como as coisas estão ligadas). Trata-se, penso, de pensar como é que todo aquele horror aconteceu. Como é que seres humanos conseguiram fazer tudo aquilo. E não falo apenas das SS... Falo sobretudo do "cidadão comum" que denunciava os vizinhos, os amigos, os familiares por medo ou simplesmente para cair nas boas graças. Mas bem, estou a desviar-me do assunto.

 

Gostei muito do livro. Baseado numa história verídica e  narrado pelo olhar de uma criança, é (mais) um documento que nos mostra as atrocidades que aconteciam na Alemanha nazi. E em como estas atrocidades aconteciam quase de forma aleatória. Porque calhava. Porque alguém não gostava da criança. Porque alguém considerava a criança, o jovem, um empecilho, um alvo a abater. Porque não cabia nos padrões. Porque tinha um qualquer problema.

 

E eu acho estes livros sempre interessantes. E importantes. São um alerta. Se o ser humano já foi capaz de o fazer, pode voltar a fazê-lo. E bem... Não estaremos assim tão longe, se calhar.

03
Out17

Do desemprego e da falta de vontade em trabalhar

Miúda Opinativa

Em primeiro lugar, um aviso à navegação: não quero ferir susceptibilidades. Sei que a taxa de desemprego continua elevada e não me tornei insensível. Há 6 meses estava desempregada e ninguém está livre, muito menos eu, de ver o desemprego bater à porta. E sei que destes 9% da população desempregada (fora todos os outros que ficam fora das estatísticas por "formações" e outros quejandos) há, de facto, muita gente que quer trabalhar.

 

Mas... Bem, trabalhar em Recrutamento & Selecção tornou-me cínica. Porque há muita gente desempregada, encostada ao subsídio de desemprego, que não, não quer trabalhar. E que nem sequer finge que quer trabalhar.

 

Desde as pessoas que marcam entrevistas e simplesmente não aparecem até às pessoas que foram seleccionadas e no próprio dia não aparecem, inventando (ou não, impossível saber) uma história maluca, há de tudo. E a verdade é que trabalhar em Recrutamento tem aumentado os meus trust issues. E os meus cabelos brancos.

 

Há desemprego? Há. Há muita gente desempregada que quer desesperadamente trabalhar? Há. Mas também há muita gente desempregada que se está a marimbar para tudo. Se calhar esses é que fazem bem, mas pelo menos, podiam dizer logo e não me faziam perder tempo. Porque eu estou a trabalhar, não me estou a marimbar, e tenho muita coisa para fazer.

02
Out17

Eleições

Miúda Opinativa

Ontem fui votar. E, mea culpa, foi a primeira vez em 10 anos que fui votar de forma inconsciente. E sem vontade. Sem sentir "estou a fazer algo importante. Estou a cumprir um dever, é certo, mas estou a usufruir de um direito por quem muita gente lutou".

 

Ok. As últimas semanas da minha vida fazem com que não me sinta particularmente entusiasmada com (quase) nada - salvam-se os planos das minhas viagens nos próximos meses (Viena & Bratislava, Costa Rica, Amsterdão) e o entusiasmo com a segunda gravidez de uma amiga minha -, mas as eleições conseguiram nutrir ainda mais apatia.

 

Vamos lá ver. Eu resido no Concehlo de Cascais, é certo, mas faço praticamente a minha vida toda no Concelho de Oeiras e no de Lisboa, onde trabalho. E tive muito, muito mais contacto com as campanhas do Concelho de Oeiras.

 

A título de exemplo... Nas últimas semanas, sempre que saía da Estação de Oeiras, tinha alguma campanha que tinha que driblar. Na sexta-feira passada tive mesmo que dizer "esqueçam, não vale a pena, eu voto em Cascais, deixem-me!". Eram muitos! Se eu tivesse que correr para apanhar o autocarro eles dificultariam muito.

 

Depois... Irrita-me a necessidade de mostrar num mês o trabalho que deveria ter sido feito durante 4 anos. Irritam-me as obras, as limpezas, as supostas melhorias, a maioria desnecessárias, esquecendo-se daquilo que realmente é preciso. Voltando a Cascais... Fizeram rotundas novas (o país tem falta de rotundas), colocaram bicicletas gratuitas (e enganaram-se... Puseram uma "estação" destas bicicletas numa rua de Oeiras... Ah ah ah!), mas não fazem aquilo que de facto é necessário. Como, sei lá, ligarem os candeeiros de uma estrada que há séculos não tem iluminação, o que a torna (ainda mais) perigosa. Coisas da vida. 

 

Depois... Eu sei que hoje em dia se publica TUDO nas redes sociais, mas qual é a necessidade de pôr uma foto com o boletim de voto no Facebook/Instagram? Não percebo.

 

E a cereja no topo do bolo... O Isaltino venceu Oeiras com maioria absoluta. Não voto em Oeiras, mas senti vergonha alheia. Como? Somos roubados e gostamos de ser roubados. Jesus.

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