Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

20
Mai19

Os 30

Miúda Opinativa

Fazer 30 anos não foi fácil. Dizem que é só um número, mas queiramos ou não, é um número redondo. Parece que é a entrada definitiva na vida adulta... Que se os 20 não serviram para entrarmos nesta fase, então terá que ser nos 30. E caso não seja, então seremos uns falhados - obrigada Sociedade. 

Os meus 20 não foram uma década espectacular. Aos 18/19, via os 20 como a década em que me iria definir, em que iria fazer imensas coisas giras, como viajar, estudar e/ou trabalhar fora, sair de casa, estabelecer-me profissionalmente. E bem... Na verdade, apesar de ter viajado e ter saído de casa aos 29, ao fazer 30 não vi como realmente bem sucedida. Não estava bem estabelecida profissionalmente, só saí de casa devido a um conjunto de circunstâncias muito particulares, nunca estudei fora e agora também já não me vejo a trabalhar fora. A sensação de ter deixado tantas coisas por fazer - e que já não vou poder fazer - atormenta-me. E o medo que os 30 passem deixando ainda mais coisas por fazer assusta-me. 

Mas em Março, fiz 30 anos. E pelo menos no que toca aos primeiros dois meses desta década, posso dizer que a coisa está a correr melhor do que esperava. 

Em Abril, fui a Dublin, tal como planeado, e fiz a minha primeira solo trip. Adorei. Foi espectacular. A cidade é giríssima e viajar sozinha foi uma experiência mesmo gira.

No início de Maio, fumei, pela primeira vez, uma ganza, ah ah! Não digo que tenha sido espectacular - não senti grandes efeitos, para ser sincera -, mas era algo que tinha curiosidade. 

No fim-de-semana seguinte, saltei de pára-quedas. Que experiência incrível. Quem nunca o fez, deveria fazê-lo... 

Mas a grande mudança ainda está para vir. Vou mudar de trabalho. Depois de ter decidido interromper a minha procura de emprego, ligaram-me desta empresa a dizer que sim, que era para avançar. Foi há duas semanas e fiquei sem reacção. Ou melhor... tive uma reacção pouco esperada. Pensei em dizer não. Como assim, ligam passados dois meses a dizer que sim? Como assim, não são capazes de, durante este tempo, terem ligado só para dizer "olhe, ainda não é para avançar, mas não está esquecida"? Enfim, considerei não aceitar. 

Mas depois, vi que se calhar seria estúpido. Afinal, a proposta era aquilo a que se chama irrecusável: salário francamente - mas francamente - superior, função muito mais interessante e a cereja no topo do bolo... Muito mais perto de casa. Não dava para dizer que não. 

Então, disse que sim. Tenho medo, sim. Afinal, estou há dois anos no meu actual trabalho e já estou numa situação confortável. Ao mudar, corro sempre um risco de não gostarem de mim, de não conseguir corresponder às expectativas. Mas disse que sim. 

E agora... Agora é arrumar a casa, ter 15 dias de férias entre um e outro e no dia 1 de Julho, começar :)

 

04
Abr19

Mudanças

Miúda Opinativa

Os últimos tempos têm sido complicados. Muito trabalho, muitas dúvidas, muitos eventos, muito cansaço. 

Neste período que passou, fiz 30 anos. Os temíveis 30. Dizem que é só um número mas, para mim, tem uma carga associada. Ou várias cargas associadas. 

Ainda assim, indo no cliché, decidi implementar algumas mudanças na minha vida. 

Em primeiro lugar, decidi mudar de ginásio. Após 23 anos a frequentar o mesmo clube (fui para lá com 7 anos, para melhorar a natação), decidi que era tempo de mudar. Para decidir, contribuíram alguns factores: em primeiro lugar, fui para um clube mais perto da estação de comboio e, portanto, demoro menos tempo nessa deslocação; em segundo lugar, este clube não tem restrições à utilização da piscina para a natação livre; finalmente, este novo clube pertence a uma cadeia de ginásios, o que me permite frequentar um mais perto de casa e outro mais perto do trabalho, à hora de almoço. Isto é, sem dúvida, uma vantagem, porque trabalhando a 1h30 de casa, muitas vezes tinha que decidir entre ir ao ginásio e ter vida social depois do trabalho. Assim, se tiver algum compromisso depois do trabalho, vou à hora de almoço fazer aulas de 30 minutos, de alta intensidade (e que é espectacular) e está feito. 

Foi uma pequena mudança mas, na verdade, foi uma mudança importante, uma vez que me dá a sensação de ter mais controlo sobre a minha vida e de conseguir optimizar melhor o meu tempo. E para quem perde 3 horas em commuting todos os dias (15 horas por semana, 60 horas por mês), é importante esta sensação de optimização de tempo. 

 

Paralelamente, decidi fazer, finalmente, a minha solo trip. Há anos que tinha vontade de o fazer mas por força de várias circunstâncias, acabei por ir adiando. Mas no mês que passou, decidi que era agora e no final de Abril, lá vou eu, sozinha, para Dublin, 4 dias. Não é uma grande solo trip, mas é qualquer coisa :)

 

Finalmente, decidi, também, interromper a minha procura de emprego. Estive envolvida num processo extremamente frustrante, na medida em que o projeto era tudo aquilo que eu procurava - pertíssimo de casa, função mega interessante, salário bastante superior. Enviei uma mensagem pelo LinkedIn, passado um tempo ligaram-me e em Fevereiro fui a uma entrevista. Correu, achei eu, super bem. Foi uma conversa de 2 horas com a Directora de RH em que parecia que ela me estava a convencer a aceitar o projeto. Falámos, até, de uma data de início - 1 de Abril. Nesta altura, já tinha reservado o Hostel em Dublin, mas tudo bem, não haveria problema em cancelar. 

Passado um tempo, contactaram-me novamente para lá ir e tendo em consideração o teor da primeira conversa, estava convencidíssima que seria para me apresentarem formalmente uma proposta. #sqn. Reparem... Eu NUNCA sou otimista. Nunca. Mas fui. E foi a pior altura para ser optimista. Porque, afinal, era mais uma entrevista, desta vez mais técnica, em que aconteceu o que acontece sempre. Tenho experiência sobretudo em Recrutamento e isso, aparentemente, não é suficiente. Vai daí que estou, até hoje, à espera de uma resposta. Todo este processo foi realmente frustrante. Deitou-me abaixo. Muito abaixo. E preciso de recuperar energias para voltar a procurar trabalho e lidar com essa frustração. Assim, e enquanto recupero energias, vou pensando em férias e viagens... Dublin agora em Abril sozinha, Algarve (com a família) e Terceira (com namorado) em Agosto, Islândia (com namorado) em Outubro e, eventualmente, Nova Iorque, com a mãe e irmã, em Dezembro. 

É isto. Às vezes, pensamos que o tempo passa sem nada acontecer; no entanto, por vezes, mesmo quando coisas grandes não acontecem, vão acontecendo pequenas coisas, surgindo pequenas mudanças, que nos vão modificando. 

 

15
Fev19

Foi para isto que lutaram?

Miúda Opinativa

Nos últimos dias, muito se tem falado da condição das mulheres portuguesas. Que, apesar de terem empregos, continuam a ser pior remuneradas que os homens ou que, em casa, continuam a ter à sua responsabilidade mais tarefas que os homens (ainda que, lá está, também trabalhem fora de casa). Como resultado, aparentemente, têm apenas 54 minutos para cuidarem de si

E isto aborrece-me. Vivo sozinha e não tenho filhos, por isso, esta não será a minha luta enquando "ser individual". Sim, também ando sempre a correr - sobretudo porque trabalho longe de casa -, sim, também tenho a sensação que não tenho tempo para nada; no entanto, de resto, "trabalho para mim". Em casa, sim, sou só eu a lavar, limpar e a cozinhar mas porque, lá está, vivo sozinha. 

No entanto, enquanto ser que vive em sociedade, não consigo deixar de ficar triste com esta situação. Porque continuamos a viver numa sociedade machista em que se as tarefas domésticas são partilhadas, a mulher é uma sortuda porque o marido ajuda. Porque continuamos a viver nesta sociedade em que, muitas vezes, são as próprias mulheres que acham que têm que fazer porque os homens, coitadinhos, não sabem fazer. Não sabem cuidar dos filhos, não sabem cozinhar como deve ser ou limpar com o mesmo brio. E os homens continuam a achar-se no direito de não fazer nada. Porque é assim que tem que ser. 

Quando leio estes artigos, quando oiço estas opiniões, penso sempre nas sufragistas dos anos 20 do século passado. O que é que elas pensariam se assistissem ao que se passa atualmente. Porque, efetivamente, conseguiram aquilo que pretendiam - as mulheres não só ganharam o direito ao voto como começaram a trabalhar fora de casa. No entanto, o facto de terem começado a trabalhar fora de casa não faz com que exista igualdade. E, na verdade, a sensação que me dá é que hoje a mulher que trabalha fora de casa e faz tudo em casa, embora emancipada, tem uma qualidade de vida pior que as mulheres de outras gerações. 

Não que eu ache, atenção, que as mulheres devem voltar para casa (embora pense que se quiserem, também não há mal nenhum nisso). Mas não consigo deixar de ficar triste por pensar o que é que essa emancipação significou. É uma emancipação fajuta, agridoce. E é triste. 

11
Fev19

Deslealdade

Miúda Opinativa

Aqui me assumo: o meu namorado, com quem comecei a namorar aos 26 anos, foi o meu primeiro namorado a sério.

Até então, tinha tido alguns "namoricos" e affairs, amigos coloridos que não duraram muito tempo, e pouco mais. E assumo que isso aconteceu também por minha causa.

Porque, entre outras questões, tenho trust issues difíceis de ultrapassar. O que é que o meu namorado fez para que eu os ultrapassasse? Nada. Porque, na verdade,  eles ainda cá estão. Mas escolhi não lhes dar importância. Viver de facto e não deixar de viver pela possibilidade de me magoar. De ele me magoar. Talvez tenha ajudado o facto de o ter conhecido noutra vida, quando éramos miúdos e a vida era mais simples e de me ter lembrado, com 26, que, de facto, a vida pode ser mais simples do que aquilo que a pintamos posteriormente.

Mas, como disse, os meus trust issues continuam por aqui. Se me perguntarem se eu confio no meu namorado, eu digo que sim... Mas que não ponho a mão no fogo por ele. Porque, na verdade, não ponho a mão no fogo por ninguém. Nem por ele.

A verdade é que todos os dias ouvimos histórias de traições e de enganos. De pessoas que confiavam noutras pessoas e essas pessoas, sem qualquer problema, as traíram, fosse de que maneira fosse.

O último caso que ouvi foi o cunhado de uma amiga minha. Casados há quase 8 anos, com 2 filhos e um cão (arranjado porque ele insistiu muito), ele andava a "conversar por mensagens" com a mãe de um colega de escolha do filho, mas "não aconteceu nada para além de alguns beijos".

Como é que isto acontece? Que tipo de pessoa é que faz isto? Que tipo de pessoa acha que dar uns beijos a alguém que não a sua mulher não é nada de mal? Aparentemente, eles já não estariam bem há algum tempo, but still. Se tens vontade de dar beijos a outra mulher que não a tua, então se calhar, antes de chegar lá... conversas com a tua mulher.

Sim, isto mexe muito comigo. O irónico é que, que eu saiba, nunca fui traída. Mas mexe muito comigo.

 

05
Fev19

Da Honestidade

Miúda Opinativa

As redes sociais estão cheias de reclamações. Eu própria reclamo muito - não só por aqui mas, na verdade, na minha vida "real". Quantas vezes já escrevi aqui a queixar-me do Metro? É verdade que o Metro tira-me anos de vida, mas é também verdade que me queixo muito. 

Mas penso que temos que ser também mais positivos. Se algo de bom acontece, temos que o escrever. 

No fim-de-semana passado, fui à Clínica do Pêlo para a sessão habitual de depilação. Tinha lá ido em Junho e, em teoria, seria altura da sessão de manutenção. Cheguei, despi-me e quando a técnica chegou e olhou para o meu pêlo perguntou-me "mas está aqui a fazer o quê?". Aparentemente, o meu pêlo já não precisa de manutenção semestral. Aparentemente, agora será só necessário fazer antes do Verão e durante este tempo, ir tirando o que houver - que é pouco - com a lâmina. 

Mas eu não sabia isso. A a técnica podia, perfeitamente, ficar caladinha e eu pagava a sessão. Mas foi honesta. Não viu o lucro como único objectivo. E isso é de louvar :) 

31
Jan19

É altura

Miúda Opinativa

É altura de acreditar em mim e nas minhas capacidades. É altura de acreditar que consigo fazer o que quero fazer. 

Neste mês de Janeiro que passou, fartei-me de trabalhar. E nesta altura, parece-me, já não sou só alguém que faz o que lhe dizem mas, também, que contribui de forma bastante útil para a empresa. Que fala com managers de igual para igual porque, sem mim, têm dificuldade em fazer (parte) do seu trabalho. Nesta altura, tenho noção que a minha saída possa trazer alguns constrangimentos. Não que seja insubsituível - que não sou -, mas sei que sou uma importante peça deste enorme puzzle. 

Por isso, tenho que acreditar que mereço uma promoção no meu trabalho. Se já não sou só aquilo que fazia inicialmente, faz sentido que "mude" de posição. Suba. 

Tenho que acreditar mais em mim. Tenho que acreditar que lá fora seria capaz de ter destaque também - no contexto certo, poderia até ter mais destaque. Tenho que acreditar que se me surgir um desafio como o que me foi apresentado numa entrevista a que fui - basicamente, montar um Departamento de RH -, serei capaz de o cumprir. Com muito trabalho e dedicação, mas serei capaz. Tenho que acreditar que sou capaz, porque e, na verdade, há poucas coisas no meu historial que me dirão o contrário. 

É altura de acreditar. 

 

29
Jan19

Gosto de falar sobre o meu irmão

Miúda Opinativa

O meu irmão morreu - o meu irmão suicidou-se - em 2017.

E, naturalmente, a sua morte foi o pior momento, e o mais marcante, da minha vida. De repente, vemos a vida a ficar do avesso, sem sabermos para onde ir. De repente, tudo aquilo que pensamos que pode ser o futuro, planos e projecções, desaparecem. E nós desaparecemos um bocadinho também. 

No entanto, tenho-me vindo a aperceber que apesar de tudo, apesar da dor, do sofrimento, da revolta e da incompreensão, apesar de às vezes ainda pensar "isto aconteceu mesmo? Eu nunca mais o vou ver? Nunca mais vamos falar? A sério??", eu gosto muito de falar do meu irmão. Gosto de falar dele com pessoas que o conheceram e que não o conheceram, gosto de falar dele com pessoas que sabem o que aconteceu e que não sabem. Gosto de falar dele, das coisas dele, de experiências que partilhámos, dos feitos dele. Como se, na verdade, ele estivesse entre nós. 

Tenho muitas saudades do meu irmão. Tenho saudades da minha vida com o meu irmão. Desde que o meu irmão morreu, viajei, saí de casa, fiz meias-maratonas, estabeleci-me, pela primeira vez, num emprego. E trocava isto tudo, tudo, sem pestanejar, pelo meu irmão. 

No entanto, infelizmente, a vida não funciona assim. Não é uma troca. Contudo, penso que, talvez, falar dele ajude a manter a sua memória. Gosto de falar sobre os feitos dele porque o Mundo merece saber que ele era uma pessoa incrível. Gosto de falar sobre as nossas experiências porque é impossível não falar, uma vez que fazem parte de mim e do que sou. 

 

23
Jan19

Friends from College

Miúda Opinativa

Quando fui morar sozinha, aderi, finalmente, à Netflix. 

Se eu acho que é algo absolutamente espectacular? Epá, não, também não exageremos. Na verdade, supostamente, é possível encontrar a maioria das séries que lá estão. No entanto, possibilita um conforto agradável (e legalidade, claro está). Não tenho que andar a ter trabalho a sacar episódios e a pôr legendas (nalgumas séries, dá jeito, apesar de me safar bastante bem com o Inglês). É isso... Não é uma cena espectacular, mas é uma cena confortável. 

Vai daí que a maioria das séries que tenho visto nos últimos tempo sejam da Netflix. 

A última que vi foi o "Friends from College", porque era mesmo uma série do género que me estava a apetecer: comédia, com episódios pequenos, para descontrair. 

E foi exactamente isso que a série me deu - momentos de descontracção. Se é uma série excelente? Não. Não chega, sequer, aos calcanhares do How I Met Your Mother. 

Tem alguns problemas de construção, parece-me (não quero dar exemplos, para não spoilar muito), mas, lá está, pelo tipo de série que é também não podemos ser muito exigentes - porque, lá está, é uma série descontraída e não é suposto pensar-se muito no assunto. 

Por outro lado, e estando a entrar nos 30, e pensando, muitas vezes, que não estou exactamente onde queria estar (e, na verade, também não sei onde quero estar), não deixa de ser reconfortante e frustrante (sim, é possível ter os dois sentimentos ao mesmo tempo) perceber que aos 40 ainda é possível estar-se assim (embora, naturalmente, seja uma série que tem o propósito muito claro de entreter, pelo que exagerá todas aquelas situações). 

De uma forma geral, aconselho a série, mas não a vejam com a expectativa de ser uma excelente série. 

22
Jan19

Quando os traumas nos tornam mais fortes

Miúda Opinativa

Como escrevi por aqui algumas vezes, em Setembro de 2017 aconteceu-me a pior tragédia da minha vida - o meu irmão mais velho suicidou-se. E foi, sem sombra de dúvida, o momento mais difícil da minha vida; no entanto, com mais alguns "arranhões", e embora ainda não tenha conseguido superar totalmente o que aconteceu - e tenho dúvidas que alguma vez consiga superar - a verdade é que consegui seguir com a minha vida. Não acho, no entanto, que seja alguma heroína ou qualquer coisa semelhante; penso que apenas fiz o que tinha que fazer.

Há umas semanas, passado pouco mais de 1 ano, vivi uma situação que nunca pensei vir a viver e que envolveu, também, um suicídio. À minha volta, sobretudo as pessoas que sabiam o que havia acontecido com o meu irmão, houve uma enorme preocupação comigo - pensaram que a situação me fizesse reviver sentimentos antigos, dores antigas, fantasmas antigos. E embora, admito, num primeiro momento tenha sentido uma sensação de deja vu, com a polícia e o INEM, rapidamente isso passou e eu comecei a agir - e agir, nestas alturas, também é importante, sobretudo para cuidar dos que cá ficam.

Mas a preocupação de terceiros existiu. "Estás bem? Pára. Estás bem?".

Por mais fria que possa ter parecido, a verdade é que aquela situação não foi o pior que me aconteceu. E o pior que me aconteceu deu-me algumas ferramentas para lidar com situações deste género - ferramentas emocionais e "racionais". Mais: o pior que me aconteceu faz-me relativizar tudo à minha volta: sim, é muito triste que aquela pessoa se tenha suicidado; no entanto, PARA MIM, foi muito mais triste o suicídio do meu irmão.

Aprendi que, na verdade, a vida pode ser isto: os traumas são fodidos. E passava bem sem o facto de o meu irmão se ter enforcado. Mas os traumas, não tendo nós qualquer controlo sobre eles, e deixando marcas e calos, tornam-nos também mais fortes.

21
Jan19

Procurar emprego

Miúda Opinativa

Neste momento, encontro-me, como se costuma dizer, "ativamente à procura de um novo desafio profissional". Embora esteja a trabalhar, goste da empresa onde eu trabalho, goste do meu chefe e dos meus colegas e gosto, regra geral, do meu trabalho, estou à procura de um novo emprego. E tendo tudo aquilo que eu disse em consideração, pode parecer idiota eu estar à procura de trabalho (e bem, se calhar, é mesmo).

Acontece que demoro 1h30 para chegar ao trabalho e outra 1h30 para regressar a casa. Acontece que o meu vencimento é francamente abaixo daquilo que o mercado está, aparentemente, a oferecer agora. Acontece que embora eu goste do meu trabalho, sei que tenho capacidade para muito mais - e, infelizmente, no sítio onde estou, devido a uma série de questões, não consigo fazer muito mais do que aquilo que estou a fazer.

Vai daí que sim, que estou à procura de um "novo desafio profissional". E embora não esteja desesperada, devido a todas as razões acima mencionadas, é frustrante e desesperante procurar trabalho. Porque nas páginas habituais de procura de emprego, os anúncios são sempre os mesmos - e, na maioria das vezes, pouco interessantes. Porque vemos anúncios aos quais já nos candidatámos, e para os quais até achávamos que tínhamos a experiência e competências necessárias, a ser republicados sem nos terem contactado. 

É frustrante.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D