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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

30
Mar20

Não consigo atribuir um título a este texto - Lado B

Miúda Opinativa

Toda a situação Covid-19 me assusta, naturalmente.

Assusta-me pela saúde pública - física e psicológica. Assusta-me pela economia. Assusta-me.

Mas tento não pensar muito no quanto me assusta. Por uma razão muito simples. Eu sofro de ansiedade. E os pensamentos ruminates são, de facto, o meu pior inimigo. E escalam para situações, enfim, pouco agradáveis. Ontem à noite tive uma insónia gigante e de repente, dei comigo a ter falta de ar. Enfim, não é fixe.

Vai daí que tento não pensar muito no quanto me assusta e estou a tentar retirar algum benefício disto tudo. Implementei algumas mudanças na minha vida - que foram para lá das forçadas - que, espero, me vão ajudar a ultrapassar isto.

  • Comecei a fazer Yoga de manhã, quando ainda estava a trabalhar. Sabia que ia ficar meio "dura" em casa, com os movimentos rijos. Então, e de forma a continuar a minha tentativa de melhorar a postura, fiz uma pequena pesquisa sobre "Yoga at home". Ok, pequena pesquisa é exagero. Pus "Yoga at home" no YouTube e surgiu este canal - Yoga With Adriane. Fiz um vídeo, pareceu-me interessante, e reparei que ela tinha um plano de 30 dias. Então decidi fazer esse plano. Hoje fiz o 14º dia. É... Interessante. Não me parece que seja um nível muito avançado (em 14 dias, acho que só não consegui fazer 2 posições), ajuda o corpo e, surpresa, tem-me ajudado a mente. Foca-se bastante na respiração e sabem para que é que a respiração é importante? Para lidar com a ansiedade. Estou entusiasmada com isto. De tal forma que gostava que, quando tudo isto acabar (ah. ah. ah.), conseguir manter o Yoga diário de alguma forma.
  • Dediquei-me mais à culinária durante esa última semana do que em toda a minha vida. Fiz salmão grelhado com batata doce, fiz risotto, fiz sopa, fiz bolos!! Eu fiz bolos. Isto é uma coisa inédita. E surpresa... até me safo bem.
  • Tenho lido mais do que tem sido habitual nestes últimos tempos - e as saudades que eu tinha de ler de enfiada?
  • Tenho visto mais séries do que tem sido habitual... E não tenho adormecido.
  • Fiz cursos online relacionados com Recursos Humanos - de férias sim, mas tentar manter a cabeça ativa.

Nem tudo tem que ser mau... Quer dizer, esta situaçã é pior que má, é péssima, mas quero tentar tirar algum proveito daqui.

30
Mar20

Não consigo atribuir um título a este texto - Lado A

Miúda Opinativa

Admito. Até há 3 / 4 semanas, vi sempre toda a questão do Coronavírus com uma certa leveza. Não achava que não iria chegar aqui, mas acreditava que seria uma espécie de Gripe das Aves ou Gripe A. Na Gripe das Aves, lembro-me de gozarmos com a situação, dizendo "distância higiénica" uns aos outros (era miúda). Na Gripe A, lembro-me de uma certa apreensão em irmos até ao Hospital de Santa Maria às aulas de Psicopatologia porque, enfim, apesar de irmaos para a ala de Psiquiatria, íamos para um Hospital. Mas apesar de toda a preocupação e quase histeria, a coisa passou-se sem grande drama (claro que aqueles que perderam entes queridos ou viram as suas vidas realmente alteradas terão opiniões diferentes... E com razão.).

Até que começaram a vir as notícias de Itália e depois de Espanha. E saímos da nossa arrogância ocidental e percebemos que se calhar, também nos vai tocar a nós. E de repente, eu faço anos e não é aconselhável estar com os meus amigos. E o meu pai fecha o restaurante antes de ser decretado o Estado de Emergência. E o ginásio fecha. E eu vou comprar alguns equipamentos para poder fazer exercício em casa apesar de uma parte de mim - ainda a avestruz a enfiar a cabeça na areia - pensa "isto é uma estupidez. Então tu estás a gastar 70€ em equipamentos que vais usar durante 15 dias?".

Mas entretanto... Passaram 15 dias. E nesses 15 dias a vida mudou ainda mais.  Fui ao Continente comprar comida para mim e para os meus pais e nunca gastei tanto dinheiro. Deixei de ir correr para o Paredão. Num dos dias que tive que sair, cheguei à garagem ao mesmo tempo que um vizinho meu, que é ortopedista, e ele mandou-me subir primeiro. Não faria sentido - eu estou de férias e ele está muito mais cansado que eu... E é mais velho que eu -, mas neste momento, faz sentido.

Não estou com o meu namorado nem o vejo há 14 dias porque na altura em que o isolamento começou (o timing perfeito) e ele continua a ir trabalhar fora de casa. A minha irmã estava agora a iniciar a sua procura ativa de emprego e está interrompida. Eu vou começar na quarta-feira a trabalhar num sítio novo... Remotamente. E o meu pai não sabe quando é que vai voltar a abrir o restaurante. Na quinta-feira, seria o 34º aniversário do meu irmão mais velho. Sei que vai ser um dia difícil em casa dos meus pais e eu não vou lá estar.

De cada vez que saio à rua, penso se faz sentido ou não fazê-lo e como é que posso condensar todas as saídas que tenho numa única saída. Tenho o lixo cheio mas só o vou deitar fora na próxima saída. Tenho a minha roupa de ir à rua que, ao chegar a casa, fica na varanda. Ontem fui correr pela primeira vez pelo meu bairro (i.e., pelas pracetas de estacionamento) e preocupei-me menos com os carros do que com as pessoas. E só ando de elevador quando vou à garagem.  

A questão é - como é que chegámos até aqui? Há 4 semanas, eu estava indecisa sobre se queria ou não fazer festa de anos, não me passando pela cabeça que não iria poder fazer nada. Há 4 semanas, eu ainda gozava com os meus colegas mega preocupados com isto - afinal, muito mais clarividentes que eu. Há 1 mês e meio, eu estava com uma tosse que quase me fazia expulsar os pulmões. Foi antes do Covid chegar cá, mas tenho para mim que se fosse hoje, iria ficar de quarentena obrigatória (apesar de, felizmente, nunca ter tido febre - BTW, comprei, passado 1 ano e 4 meses, um termómetro para minha casa. Por causa do Covid).

Parece que em 3 semanas o Mundo deu uma volta gigante, de 160º e só agora é que nos está a cair a ficha da gravidade da situação. Só agora é que estamos a perceber que o isolamento não vai durar só 15 dias... Mas que raio, como é que nós pudémos realmente pensar, cabecinhas geniais, que isto ia durar só 15 dias?? Nenhum surto de coisa nenhuma dura 15 dias!! E nós fomos ingénuos, ou idiotas, ou burros, por achar que sim.

E agora a nossa vida mudou. E infelizmente... Sem previsão de regressar ao "normal" (seja lá isso o que for).

 

23
Mar20

Então no meio disto tudo foste imprimir uma Carta de Rescisão?

Miúda Opinativa

Sim.

Foi um processo inesperado, numa altura inesperada. Foi uma confusão. Mas ainda bem que tomei esta decisão. Como estava em período experimental, e embora a minha chefe me tenha dito que não iria acontecer, tendo em consideração o estado do recrutamento, acho que foi um bom timming.

Pois que agora vou trabalhar numa multinacional tecnológica alemã, numa função generalista, a fazer coisas que gosto mais (e, espero, com uma chefe que não é psicopata). O tipo de contrato não é o ideal, mas, na verdade, hoje em dia já não há contratos "ideais".

Portanto, e como estava em período experimental e como o recrutamento ficou todo em stand-by, a empresa decidiu que eu ficava só mais uma semana. Assim, a semana passada, aquela que fiquei em teletrabalho, foi a minha última semana e agora estou uma semana e meia de férias (porque entretanto antecipei a minha entrada na nova empresa) em isolamento social (e se calhar vamos parar de chamar de quarentena ao isolamento social...).

Desde sábado já:

- Limpei a varanda para começar a fazer refeições lá fora;

- Arrumei os sapatos;

- Arrumei e organizei as malas;

- Acabei um livro que apesar de ter gostado, estava a demorar imenso tempo;

- Arrumei e organizei umas gavetas ao melhor estilo da Marie Kondo;

- Comprei uns cursos da Udemy que estavam com um desconto gigante para me entreter nestes dias;

- Comecei a ver a segunda temporada da "Amiga Genial", na HBO;

- Marquei para ver a "Conspiração contra a América", na HBO;

- Marquei para ver o "Freud", na Netflix;

- Tirei da estante o livro seguinte.

 

Eu bem digo que é para ficar em casa...

23
Mar20

Como corre o Isolamento Social?

Miúda Opinativa

Mal.

Não por dar em maluca com a ideia de ficar em casa mas porque... bem, não tenho conseguido ficar em casa.

Foi há uma semana que vim para casa em Teletrabalho. No entanto, na terça-feira tive que sair para ir imprimir a minha Carta de Rescisão (assunto a desenvolver). Na quarta, saí porque a minha irmã fez anos. Na quinta saí para imprimir uns documentos que tinha que enviar para a minha nova empresa. Na sexta saí porque entretanto foi preciso mais uns documentos para este novo trabalho. Sábado fiquei em casa. Domingo saí para levar roupa aos meus pais (no meio deste caos, a máquina deles avariou) e à noite, já com o paredão quase vazio, decidi ir correr (eu sei, não terá sido a atitude mais consciente, mas afastava-me sempre que via alguém e nem me meti com a criancinha que decidiu ir correr atrás de mim!).

E hoje tive que voltar a sair, para ajudar o meu pai numa coisa de computador. Portanto, por mais que eu queira praticar o isolamento social, a coisa não está fácil.

Para dizer a verdade, preferia, MESMO, ficar em casa. Sair à rua deprime-me. Ver as ruas vazias, as pessoas de máscara e luvas, tudo fechado preocupa-me. Preocupa-me o futuro. Assim, ficando em casa, ficava protegida desta realidade.

Por outro lado, sofrendo de um ligeiro OCD, admito que o facto de estar a começar a pensar em germes e doenças e virús está a ter um resultado estranho em mim. Porque das duas uma: ou não penso de todo, ou se começo a pensar, mais daqui a nada ponho-me a limpar a casa toda e a desinfectar-me toda. Já tenho um conjunto que uso só para sair à rua e que, ao chegar a casa, vai para a marquise arejar. Daqui para a frente, não sei o que o meu cérebro vai fazer.

Por isso digo que para a minha saúde mental, e à excepção da corrida, deveria ser mesmo melhor ficar só em casa. Era tipo avestruz: punha a cabeça na areia.

17
Mar20

Março de 2020

Miúda Opinativa

Foi a 7 de Janeiro de 2020 que escrevi aqui pela última vez.

Enfim, estes últimos meses têm sido uma correria. Dia 6 de Janeiro comecei o CCP e terminei, em boa hora, no dia 6 de Março. Digo em boa hora porque estou em crer que se tivesse continuado, se calhar não terminava. Pelo menos para já.

Porque entretanto... Foi o Fim do Mundo como o conhecemos.

Surge um vírus novo e não percebendo muito bem como, a coisa escala e agora estamos todos em casa, a criarmos novos hábitos, formas de viver e trabalhar. Admito - não obstante a minha preocupação com as consequências socias e económicas, está a ser muito interessante analisar tudo isto de uma perspetiva sociológica e psicológica (#nerd).

Comecei a trabalhar ontem em casa e para já, a coisa está a correr bem. Acho que o facto de sempre ter gostado de estudar sozinha, em casa, faz com que me adapte bem a isto. Por outro lado, sou autónoma e ligeiramente bicho do mato. Portanto, está tudo bem (ou quase, vá, porque sendo o meu trabalho fazer recrutamento, acabo por, nesta fase, ter uma série de processos em stand-by).

Por outro lado, adaptei-me também no que diz respeito ao desporto. Ok, os ginásios fecham. Então vá de comprar uma série de utensílios para poder praticar exercício em casa. Corda de saltar, TRX, bandas elásticas, tapete, caneleiras e halteres. Já só consegui pesos leves, mas é melhor que nada. E criei uma nova "rotina" - vá, na verdade foi só hoje, mas como me soube bem, sou capaz de manter. Fazer uma sessão de yoga de manhã, antes de começar a trabalhar. Ou seja, a ideia é fazer yoga de manhã e treino à tarde. Ainda saio disto mega fit!

Entretanto, no meio da loucura toda, esperam-se algumas mudanças, e positivas (espero), para a minha vida. Mas isso fica para outro post :)

 

 

07
Jan20

2020

Miúda Opinativa

E de repente (ou não tão de repente assim), chegámos a 2020. 2019 passou, terminou e já foi tarde. No entanto, infelizmente, e ao contrário do que as pessoas dizem, um ano novo não é, necessariamente, um fechar de uma porta e o abrir de outra. Como poderia ser? Como é que o facto de um ano mudar (independentemente de a década virar ou não) faz com que tudo o que está para trás se "apague"? Era bom mas... Não.

Pelo menos eu não consigo.

Mas bem, 2020 chegou, já leva com 7 dias, e apesar do meu já habitual estado meio triste e pouco entusiasmado, parece que já fiz algumas coisas diferentes e novas (e voltei a bons hábitos).

Então...

No dia 4 de Janeiro voltei ao Yoga. Bem, dizer que "voltei" talvez seja exagerado, porque nunca fiz Yoga de forma muito regular... Portanto, e como o objetivo é tentar fazer de forma regular, talvez seja melhor dizer "iniciei" o Yoga. A razão para isto prende-se, essencialmente, com questões físicas - depois de ter estado 4 meses em fisioterapia e de ter percebido que a minha má postura tem, de facto, consequências para o meu corpo (só demorei 30 anos a perceber isso), decidi que era altura de tentar algo novo... Idealmente, seria Pilates, mas à falta de compatibilidade de horários, optei pelo Yoga. Não sou uma pessoa muito espiritual e todos os "espiritualismos" da sessão fazem-me alguma confusão... Mas é por uma boa causa. E se, de bónus, ainda ganhar alguma "calma", então melhor!

Ontem, dia 6, iniciei, finalmente, o CCP. Não acho que seja uma coisa extremamente útil para aquilo que quero fazer (não quero dar formação, apenas gostava de poder gerir a formação em empresas), mas era algo que já queria fazer há algum tempo para enriquecimento de CV. O meu "estado meio triste e pouco entusiasmado" não me permite ficar realmente motivada para a coisa e a primeira sessão foi aborrecida... Vão ser 2 meses extremamente cansativos e tenho muito receio que seja mais uma coisa a não me levar a lado nenhum. Mas, enfim, continuemos a tentar.

Nestes dias de Janeiro tenho, também, tentado levar o desporto mais a sério. Dia 2, ginásio, dia 4, Yoga, dia 5, 17 km de corrida, dia 6, natação e dia 7, ginásio. Estive 4 meses a treinar pouco e mal e quando corri a Meia Maratona dos Descobrimentos , paguei a factura.

Portanto... é isto. 2020 começou de neura, continua de neura, mas vamos tentar.

27
Nov19

A grande notícia / novidade da semana

Miúda Opinativa

Ontem caiu a bomba. Pois então parece que as crianças portuguesas são as que passam mais horas por semana nas creches, cerca de 40 horas por semana. E os jornais começaram a publicar esta notícia com grande alarmismo, porque estamos muito acima da média europeia, porque isto signfica que as crianças passam cerca de 8 horas por dia nas creches quando, na verdade, deveriam passar no máximo 6 horas. 

Ora... Eu cá vejo isto com um certo optimismo. Então... Se, por norma, uma pessoa que trabalhe por conta de outrem trabalha, efetivamente, 8 horas por dia, 40 horas por semana, a mim parece-me óptimo que as crianças só estejam nas creches as mesmas 8 horas por dia. Quer dizer, signfica que o tempo que os pais demoram entre a creche e o local de trabalho e entre o local de trabalho e a creche é inexistente... Por isso, qual é a surpresa negativa nesta notícia? 

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Obviamente que estou a ser irónica nas minhas palavras. Obviamente que nada disto é uma boa notícia. Mas também não fico surpreendida e estranho quem fica. Quer dizer... Se os pais das crianças trabalham 8 horas por dia, 5 dias por semana (40 horas por semana, portanto), como é que poderia ser esperado que as crianças não estejam tanto tempo nas creches? 

Eu não tenho filhos. Mas a verdade é que esta é uma das razões que me leva a adiar a maternidade. Não me sinto preparada para ter filhos e deixá-los tanto tempo numa creche (ou com a minha mãe). Porque o facto de deixar as crianças com os avós, quando os avós têm essa disponibilidade, apenas contorna o problema, não o resolve. É como tentar pôr um penso rápido numa mordidela de guaxinim... Até resulta durante uns minutos, mas tem que ser rapidamente trocado. E aqui é a mesma coisa. Eu até posso deixar os meus filhos com os avós, e não tenho dúvidas que são ainda mais capazes que eu para educar crianças. Mas continuo a não ser eu a ir buscá-los à escola e a ter contacto com os professores. Continuo a não ser eu que vou com eles às atividades extracurriculares. Continuo a não ser eu a fazer uma série de coisas que gostava de ser eu a fazer. 

E de cada vez que oiço falar em medidas natalistas, penso nisto. Que tão importante como proprocionar-se abonos família ou outro tipo de apoios financeiros, deveria existir uma grande reestruturação laboral para que, de facto, os pais consigam estar com os filhos.  

18
Nov19

Se calhar estou velha

Miúda Opinativa

Não sei se é por ter atingido esse marco dos 30 anos, ou se é por estar zangada com o Mundo (um bocadinho drama queen, eu sei, mas é o que é) ou se é simplesmente por ter mau feitio. Mas há coisas que não me encaixam na cabeça. Talvez por ser loira. Não sei.

Ora bem, ultimamente vêem-se cada vez mais empresas a acabarem com os monitores dos computadores de secretária. Querem acabar também com os lugares fixos, com as secretárias cheias de coisas pessoais, com as gavetas... Querem tornar os locais de trabalho, supostamente, mais "móveis", em que hoje posso trabalhar num sítio do escritório e amanhã, se me der mais jeito, noutro local. E tudo isto parece muito lindo, muito século XXI, muito clean. Não fosse o facto de algumas destas questões poderem prejudicar quem trabalha.

Eu sou míope e nos últimos meses dediquei muito tempo (e dinheiro) em fisioterapia. Nesta fisioterapia cheguei uma vez mais à conclusão que tenho péssima postura. Vai daí que tenho tentado melhorar isso. Ora, é difícil melhorar a postura quando se trabalha num portátil, que está assente diretamente na secretária e não dá para o colocar na linha dos olhos. Olhos esses que já são míopes e são agora muito mais forçados do que seriam num monitor de secretária.

Eu sei que isto é o futuro, sei que não devemos ser resistentes à mudança, sei disso tudo. Mas também sei que não faz sentido as empresas proclamarem valores como "o mais importante são as pessoas" ou promoverem ações de saúde e bem-estar quando, na base, têm este tipo de práticas...

 

Nota: isto não é nada contra a empresa onde eu agora trabalho. É contra estas moderninces, de uma forma geral.

12
Nov19

Sobre a mãe que deixou o bebé no lixo

Miúda Opinativa

Na primeira vez que li alguma coisa sobre este caso senti uma coisa estranha dentro de mim. Eu, que até me considero uma pessoa relativamente insensível, pensei "se tivesse sido eu a encontrar a criança, fazia tudo para ficar com ela". Tenho andado um coração de manteiga, mas fiquei verdadeiramente triste com a situação. 

Discuti sobre o assunto com algumas pessoas. Que não obstante o facto de o ato daquela mãe ser hediondo, seria necessário dar um passo atrás e pensarmos um bocadinho sobre o que lemos. Que para a criança ter sido deitada naquele caixote de lixo, naquela zona, e sem sequer ter sido retirado o cordão umbilical, provavelmente a mãe tinha dado à luz ali mesmo, naquele mesmo sítio. E que para isso ter acontecido, muitas coisas teriam corrido mal. Muitas coisas mesmo. E tudo isto torna a situação ainda mais triste, mais revoltante. Porque em Lisboa, em 2019, ainda há pessoas que dão à luz no meio da rua. 

Apesar de tudo isto, continuo a achar que sim, que a mulher que o fez deverá ser ir a tribunal pelo que fez. Afinal, se hoje em dia é crime abandonarmos os nossos animais, será igualmente crime abandornarmos bebés em caixotes de lixo. Mas também acho que faz sentido a situação ser analisada de uma forma holística. 

E tentarmos perceber que às vezes, as coisas são mais complexas do que parecem. 

12
Nov19

A pessoa tenta. Mas nem sempre consegue.

Miúda Opinativa

Pois que isto das mudanças - e de passar por demasiadas mudanças para um curto espaço de tempo - nem sempre é isento de ansiedade, incerteza e até alguma tristeza. Pois que isto das mudanças gera um loop difícil de acompanhar - um loop entre o optimismo ("Foi uma boa decisão!") e o pessimismo ("Foi um tiro no pé para a minha carreira..."). 

Um loop entre "fiz o que tinha que fazer para bem da minha sanidade mental" e o "mas porque raio não poderia ter corrido bem? A vida é injusta". 

Um loop entre "se calhar nem deveria ter saído do meu antigo emprego - aquele que ficava muito longe - porque agora as coisas estão a mudar e a minha colega vai até Barcelona" e "bem, mas pelo menos estou a ganhar um bocadinho mais e vou trabalhar mais perto de casa". Embora, ah ah, no final não seja assim tanto mais, sobretudo tendo em consideração os gastos que vou ter. 

A pessoa tenta ser optimista - e por vezes até consigo. Mas nem sempre consegue. Quando começa a pensar em tudo isto... Nem sempre consegue.  

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