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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

15
Fev19

Foi para isto que lutaram?

Miúda Opinativa

Nos últimos dias, muito se tem falado da condição das mulheres portuguesas. Que, apesar de terem empregos, continuam a ser pior remuneradas que os homens ou que, em casa, continuam a ter à sua responsabilidade mais tarefas que os homens (ainda que, lá está, também trabalhem fora de casa). Como resultado, aparentemente, têm apenas 54 minutos para cuidarem de si

E isto aborrece-me. Vivo sozinha e não tenho filhos, por isso, esta não será a minha luta enquando "ser individual". Sim, também ando sempre a correr - sobretudo porque trabalho longe de casa -, sim, também tenho a sensação que não tenho tempo para nada; no entanto, de resto, "trabalho para mim". Em casa, sim, sou só eu a lavar, limpar e a cozinhar mas porque, lá está, vivo sozinha. 

No entanto, enquanto ser que vive em sociedade, não consigo deixar de ficar triste com esta situação. Porque continuamos a viver numa sociedade machista em que se as tarefas domésticas são partilhadas, a mulher é uma sortuda porque o marido ajuda. Porque continuamos a viver nesta sociedade em que, muitas vezes, são as próprias mulheres que acham que têm que fazer porque os homens, coitadinhos, não sabem fazer. Não sabem cuidar dos filhos, não sabem cozinhar como deve ser ou limpar com o mesmo brio. E os homens continuam a achar-se no direito de não fazer nada. Porque é assim que tem que ser. 

Quando leio estes artigos, quando oiço estas opiniões, penso sempre nas sufragistas dos anos 20 do século passado. O que é que elas pensariam se assistissem ao que se passa atualmente. Porque, efetivamente, conseguiram aquilo que pretendiam - as mulheres não só ganharam o direito ao voto como começaram a trabalhar fora de casa. No entanto, o facto de terem começado a trabalhar fora de casa não faz com que exista igualdade. E, na verdade, a sensação que me dá é que hoje a mulher que trabalha fora de casa e faz tudo em casa, embora emancipada, tem uma qualidade de vida pior que as mulheres de outras gerações. 

Não que eu ache, atenção, que as mulheres devem voltar para casa (embora pense que se quiserem, também não há mal nenhum nisso). Mas não consigo deixar de ficar triste por pensar o que é que essa emancipação significou. É uma emancipação fajuta, agridoce. E é triste. 

11
Fev19

Deslealdade

Miúda Opinativa

Aqui me assumo: o meu namorado, com quem comecei a namorar aos 26 anos, foi o meu primeiro namorado a sério.

Até então, tinha tido alguns "namoricos" e affairs, amigos coloridos que não duraram muito tempo, e pouco mais. E assumo que isso aconteceu também por minha causa.

Porque, entre outras questões, tenho trust issues difíceis de ultrapassar. O que é que o meu namorado fez para que eu os ultrapassasse? Nada. Porque, na verdade,  eles ainda cá estão. Mas escolhi não lhes dar importância. Viver de facto e não deixar de viver pela possibilidade de me magoar. De ele me magoar. Talvez tenha ajudado o facto de o ter conhecido noutra vida, quando éramos miúdos e a vida era mais simples e de me ter lembrado, com 26, que, de facto, a vida pode ser mais simples do que aquilo que a pintamos posteriormente.

Mas, como disse, os meus trust issues continuam por aqui. Se me perguntarem se eu confio no meu namorado, eu digo que sim... Mas que não ponho a mão no fogo por ele. Porque, na verdade, não ponho a mão no fogo por ninguém. Nem por ele.

A verdade é que todos os dias ouvimos histórias de traições e de enganos. De pessoas que confiavam noutras pessoas e essas pessoas, sem qualquer problema, as traíram, fosse de que maneira fosse.

O último caso que ouvi foi o cunhado de uma amiga minha. Casados há quase 8 anos, com 2 filhos e um cão (arranjado porque ele insistiu muito), ele andava a "conversar por mensagens" com a mãe de um colega de escolha do filho, mas "não aconteceu nada para além de alguns beijos".

Como é que isto acontece? Que tipo de pessoa é que faz isto? Que tipo de pessoa acha que dar uns beijos a alguém que não a sua mulher não é nada de mal? Aparentemente, eles já não estariam bem há algum tempo, but still. Se tens vontade de dar beijos a outra mulher que não a tua, então se calhar, antes de chegar lá... conversas com a tua mulher.

Sim, isto mexe muito comigo. O irónico é que, que eu saiba, nunca fui traída. Mas mexe muito comigo.

 

05
Fev19

Da Honestidade

Miúda Opinativa

As redes sociais estão cheias de reclamações. Eu própria reclamo muito - não só por aqui mas, na verdade, na minha vida "real". Quantas vezes já escrevi aqui a queixar-me do Metro? É verdade que o Metro tira-me anos de vida, mas é também verdade que me queixo muito. 

Mas penso que temos que ser também mais positivos. Se algo de bom acontece, temos que o escrever. 

No fim-de-semana passado, fui à Clínica do Pêlo para a sessão habitual de depilação. Tinha lá ido em Junho e, em teoria, seria altura da sessão de manutenção. Cheguei, despi-me e quando a técnica chegou e olhou para o meu pêlo perguntou-me "mas está aqui a fazer o quê?". Aparentemente, o meu pêlo já não precisa de manutenção semestral. Aparentemente, agora será só necessário fazer antes do Verão e durante este tempo, ir tirando o que houver - que é pouco - com a lâmina. 

Mas eu não sabia isso. A a técnica podia, perfeitamente, ficar caladinha e eu pagava a sessão. Mas foi honesta. Não viu o lucro como único objectivo. E isso é de louvar :) 

31
Jan19

É altura

Miúda Opinativa

É altura de acreditar em mim e nas minhas capacidades. É altura de acreditar que consigo fazer o que quero fazer. 

Neste mês de Janeiro que passou, fartei-me de trabalhar. E nesta altura, parece-me, já não sou só alguém que faz o que lhe dizem mas, também, que contribui de forma bastante útil para a empresa. Que fala com managers de igual para igual porque, sem mim, têm dificuldade em fazer (parte) do seu trabalho. Nesta altura, tenho noção que a minha saída possa trazer alguns constrangimentos. Não que seja insubsituível - que não sou -, mas sei que sou uma importante peça deste enorme puzzle. 

Por isso, tenho que acreditar que mereço uma promoção no meu trabalho. Se já não sou só aquilo que fazia inicialmente, faz sentido que "mude" de posição. Suba. 

Tenho que acreditar mais em mim. Tenho que acreditar que lá fora seria capaz de ter destaque também - no contexto certo, poderia até ter mais destaque. Tenho que acreditar que se me surgir um desafio como o que me foi apresentado numa entrevista a que fui - basicamente, montar um Departamento de RH -, serei capaz de o cumprir. Com muito trabalho e dedicação, mas serei capaz. Tenho que acreditar que sou capaz, porque e, na verdade, há poucas coisas no meu historial que me dirão o contrário. 

É altura de acreditar. 

 

29
Jan19

Gosto de falar sobre o meu irmão

Miúda Opinativa

O meu irmão morreu - o meu irmão suicidou-se - em 2017.

E, naturalmente, a sua morte foi o pior momento, e o mais marcante, da minha vida. De repente, vemos a vida a ficar do avesso, sem sabermos para onde ir. De repente, tudo aquilo que pensamos que pode ser o futuro, planos e projecções, desaparecem. E nós desaparecemos um bocadinho também. 

No entanto, tenho-me vindo a aperceber que apesar de tudo, apesar da dor, do sofrimento, da revolta e da incompreensão, apesar de às vezes ainda pensar "isto aconteceu mesmo? Eu nunca mais o vou ver? Nunca mais vamos falar? A sério??", eu gosto muito de falar do meu irmão. Gosto de falar dele com pessoas que o conheceram e que não o conheceram, gosto de falar dele com pessoas que sabem o que aconteceu e que não sabem. Gosto de falar dele, das coisas dele, de experiências que partilhámos, dos feitos dele. Como se, na verdade, ele estivesse entre nós. 

Tenho muitas saudades do meu irmão. Tenho saudades da minha vida com o meu irmão. Desde que o meu irmão morreu, viajei, saí de casa, fiz meias-maratonas, estabeleci-me, pela primeira vez, num emprego. E trocava isto tudo, tudo, sem pestanejar, pelo meu irmão. 

No entanto, infelizmente, a vida não funciona assim. Não é uma troca. Contudo, penso que, talvez, falar dele ajude a manter a sua memória. Gosto de falar sobre os feitos dele porque o Mundo merece saber que ele era uma pessoa incrível. Gosto de falar sobre as nossas experiências porque é impossível não falar, uma vez que fazem parte de mim e do que sou. 

 

23
Jan19

Friends from College

Miúda Opinativa

Quando fui morar sozinha, aderi, finalmente, à Netflix. 

Se eu acho que é algo absolutamente espectacular? Epá, não, também não exageremos. Na verdade, supostamente, é possível encontrar a maioria das séries que lá estão. No entanto, possibilita um conforto agradável (e legalidade, claro está). Não tenho que andar a ter trabalho a sacar episódios e a pôr legendas (nalgumas séries, dá jeito, apesar de me safar bastante bem com o Inglês). É isso... Não é uma cena espectacular, mas é uma cena confortável. 

Vai daí que a maioria das séries que tenho visto nos últimos tempo sejam da Netflix. 

A última que vi foi o "Friends from College", porque era mesmo uma série do género que me estava a apetecer: comédia, com episódios pequenos, para descontrair. 

E foi exactamente isso que a série me deu - momentos de descontracção. Se é uma série excelente? Não. Não chega, sequer, aos calcanhares do How I Met Your Mother. 

Tem alguns problemas de construção, parece-me (não quero dar exemplos, para não spoilar muito), mas, lá está, pelo tipo de série que é também não podemos ser muito exigentes - porque, lá está, é uma série descontraída e não é suposto pensar-se muito no assunto. 

Por outro lado, e estando a entrar nos 30, e pensando, muitas vezes, que não estou exactamente onde queria estar (e, na verade, também não sei onde quero estar), não deixa de ser reconfortante e frustrante (sim, é possível ter os dois sentimentos ao mesmo tempo) perceber que aos 40 ainda é possível estar-se assim (embora, naturalmente, seja uma série que tem o propósito muito claro de entreter, pelo que exagerá todas aquelas situações). 

De uma forma geral, aconselho a série, mas não a vejam com a expectativa de ser uma excelente série. 

22
Jan19

Quando os traumas nos tornam mais fortes

Miúda Opinativa

Como escrevi por aqui algumas vezes, em Setembro de 2017 aconteceu-me a pior tragédia da minha vida - o meu irmão mais velho suicidou-se. E foi, sem sombra de dúvida, o momento mais difícil da minha vida; no entanto, com mais alguns "arranhões", e embora ainda não tenha conseguido superar totalmente o que aconteceu - e tenho dúvidas que alguma vez consiga superar - a verdade é que consegui seguir com a minha vida. Não acho, no entanto, que seja alguma heroína ou qualquer coisa semelhante; penso que apenas fiz o que tinha que fazer.

Há umas semanas, passado pouco mais de 1 ano, vivi uma situação que nunca pensei vir a viver e que envolveu, também, um suicídio. À minha volta, sobretudo as pessoas que sabiam o que havia acontecido com o meu irmão, houve uma enorme preocupação comigo - pensaram que a situação me fizesse reviver sentimentos antigos, dores antigas, fantasmas antigos. E embora, admito, num primeiro momento tenha sentido uma sensação de deja vu, com a polícia e o INEM, rapidamente isso passou e eu comecei a agir - e agir, nestas alturas, também é importante, sobretudo para cuidar dos que cá ficam.

Mas a preocupação de terceiros existiu. "Estás bem? Pára. Estás bem?".

Por mais fria que possa ter parecido, a verdade é que aquela situação não foi o pior que me aconteceu. E o pior que me aconteceu deu-me algumas ferramentas para lidar com situações deste género - ferramentas emocionais e "racionais". Mais: o pior que me aconteceu faz-me relativizar tudo à minha volta: sim, é muito triste que aquela pessoa se tenha suicidado; no entanto, PARA MIM, foi muito mais triste o suicídio do meu irmão.

Aprendi que, na verdade, a vida pode ser isto: os traumas são fodidos. E passava bem sem o facto de o meu irmão se ter enforcado. Mas os traumas, não tendo nós qualquer controlo sobre eles, e deixando marcas e calos, tornam-nos também mais fortes.

21
Jan19

Procurar emprego

Miúda Opinativa

Neste momento, encontro-me, como se costuma dizer, "ativamente à procura de um novo desafio profissional". Embora esteja a trabalhar, goste da empresa onde eu trabalho, goste do meu chefe e dos meus colegas e gosto, regra geral, do meu trabalho, estou à procura de um novo emprego. E tendo tudo aquilo que eu disse em consideração, pode parecer idiota eu estar à procura de trabalho (e bem, se calhar, é mesmo).

Acontece que demoro 1h30 para chegar ao trabalho e outra 1h30 para regressar a casa. Acontece que o meu vencimento é francamente abaixo daquilo que o mercado está, aparentemente, a oferecer agora. Acontece que embora eu goste do meu trabalho, sei que tenho capacidade para muito mais - e, infelizmente, no sítio onde estou, devido a uma série de questões, não consigo fazer muito mais do que aquilo que estou a fazer.

Vai daí que sim, que estou à procura de um "novo desafio profissional". E embora não esteja desesperada, devido a todas as razões acima mencionadas, é frustrante e desesperante procurar trabalho. Porque nas páginas habituais de procura de emprego, os anúncios são sempre os mesmos - e, na maioria das vezes, pouco interessantes. Porque vemos anúncios aos quais já nos candidatámos, e para os quais até achávamos que tínhamos a experiência e competências necessárias, a ser republicados sem nos terem contactado. 

É frustrante.

17
Jan19

Gillette

Miúda Opinativa

Pois então, parece que a polémica da semana é protagonizada pela Gillette que lançou uma nova campanha publicitária que pretende alertar contra a "masculinidade tóxica". Melhor dizendo, não é a Gillette que protagoniza a campanha, mas sim os milhares de pessoas que colocaram "Não Gosto" no vídeo e os homens que se insurgiram contra o dito anúncio.

Obviamente que eu, ainda que muito ocupada que ando, tive que ir ver a campanha, de forma a tentar perceber o porquê do ruído. E... Não percebi.

A campanha está extraordinária. Pretende alertar contra uma série de comportamentos, alguns deles bastante enraizados na nossa sociedade, mas que não são positivos. Muito pelo contrário. No entanto, estando tão enraizados, é difícil alterá-los. E a Gillette fez a sua parte. Porque, claro, os miúdos andarem à batatada ou as mulheres a serem assediadas, entre outros, não são comportamentos que devam continuar.

Acontece que, lá está, muitas pessoas se insurgiram contra a dita campanha. E a minha questão é... Porquê?

A única razão que eu considero quase razoável para que algum homem não goste da campanha seria qualquer coisa como "ahhh.. Não acho nada bem que estejam a generalizar isto. Não é porque alguns homens fazem isto que todos o fazem". Mas não é isso, pois não?

Homens deste mundo, expliquem! Não gostam que vos seja apontado o dedo? Não gostam que coloquem o dedo na ferida? Ou não gostam da sensação de perda de "poder"?

Expliquem-me, por favor. Se quiserem, e para vos facilitar a explicação, podem ver isto como uma forma de mansplaining. Eu deixo. Mas só desta vez.

16
Jan19

#10yearchallenge

Miúda Opinativa

Sobre este novo desafio das redes sociais, só tenho uma coisa a dizer. Ou melhor, perguntar.

 

Quão assustador é pensar que "há 10 anos" foi em 2009 que, na verdade, foi ontem??

Sim, a rapidez do tempo assusta-me.

 

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