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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

15
Mar17

Quando os pais fazem os trabalhos de casa com os filhos

Miúda Opinativa

Ora aqui está um tema que, fosse este blog um blog muito conhecido, era capaz de causar alguma celeuma. E mesmo não sendo, suponho que possa haver muita gente que me irá ler e possa dizer - e eventualmente comentar - e dizer "ai, menina, cuspir para o ar é muito bonito, mas um dia todo esse cuspo vai cair-te na cara!"

 

Cada vez oiço mais pais a dizerem coisas como "ai que seca, vou estudar com o Zezinho no fim-de-semana" ou "ai, oh Joana, tu este fim-de-semana também estiveste a estudar com a Francisca? Percebeste alguma coisa daquilo?". E isto a mim, que não tenho filhos e não sei se os quero ter, causa-me alguma confusão, sobretudo porque oiço este discurso a partir de uma idade cada vez mais precoce.

 

Vamos lá ver uma coisa: os alunos têm uma função - aprender. Os professores dos alunos têm outra função - ensinar - e para desempenharem essa função, tiveram que estudar. E não, não é por um pai ou uma mãe ter licenciatura, mestrado, doutoramento ou desempenhar funções no seu trabalho de elevada responsabilidade que isso faz dele habilitado a ensinar os seus filhos ou "ajudar" a estudar. Não é para toda gente e as pessoas não têm nem que saber ajudar os filhos a estudar nem sequer saber a matéria que os filhos estão a estudar.

 

E é aqui que, sinceramente, reside a questão que me faz mais confusão - o facto de eu ter um Mestrado em Psicologia não faz que eu saiba, por exemplo, resolver contas da forma como elas agora são resolvidas. O facto de eu ter estudado, de ter sido sempre boa aluna, de continuar a apostar na minha formação, de ler e de ser minimamente culta não faz com que eu saiba tudo e sim, posso não compreender coisas que agora são ensinadas aos miúdos na Escola - se eu algum dia tiver filhos e eles saírem a mim nas Físicas e Químicas, eu não os vou poder ajudar simplesmente porque eu não percebo nada do assunto. E não acredito que se não era a minha especialidade quando estava a estudar, não me vou sentir mais à vontade depois de estudar essas disciplinas à pressão para conseguir estudar com os meus filhos. Sinceramente, por mais boa vontade que os pais tenham em querer estudar com os filhos, penso que se acaba por incorrer num risco enorme, que é ensinar mal a matéria. 

 

O problema é que isto começa desde cedo. Parece-me que, agora, é suposto os pais fazerem os trabalhos de casa com os filhos. SEMPRE. O que é, parece-me, um bocadinho contra-producente. Porque se eu fizer os trabalhos de casa com os meus filhos e eles tiverem dúvidas e eu achar que lhes expliquei ao ter "ajudado" a resolve-los corretamente mas, na verdade, os miúdos continuarem com dúvidas, o professor nunca saberá que ele teve aquelas dúvidas e nunca o ajudará a ultrapassá-la. E, lá está, essa é a função do professor - ensinar, explicar, tirar dúvidas. 

 

A função dos pais é outra: é educar, formar, dar amor, carinho, regras. 

 

Separem-se as águas, por favor! 

 

Mas isto é apenas a minha posta de pescada. Feel free to disagree! ;) 

10
Mar17

Amizades

Miúda Opinativa

Eu não tenho muitos amigos - pelo menos, não tenho muitas pessoas que "caibam" no conceito que eu tenho de amigos. Por outro lado, sei que não tenho uma relação que possa ser considerada "comum" com os meus amigos. Para tal contribuem diversos factores - eu sou uma pessoa muito reservada, tenho alguns trust issues e a verdade é que a idade e crescimentos diferentes fazem com que tenhamos neste momento vivências diferentes que poderão, de certa forma, causar algum afastamento. 

 

E isso faz com que, por vezes, duvide que algumas daquelas pessoas que ainda considero amigos o sejam de facto - não que não possam ser consideradas pessoas com quem goste de estar, mas será que cabem no tal conceito que tenho de amgios?

 

Até que depois há certas alturas em que percebemos que apesar de tudo, sim. Podemos não estar juntos tantas vezes como poderia ser considerado normal, podemos ter conversas que a mim não me interessam tanto, podemos muitas coisas. Mas a verdade é que, quando é preciso, e mesmo que não queiramos, ou achemos que não queremos, os nossos amigos, as nossas amigas, estão lá, nem que seja numa conversa Whatsapp, para nos ajudarem, para perguntarem como estamos, para nos darem algum apoio. 

 

E isso é importante, tão importante. 

 

Eu sou um lonely wolf - eu sou daquelas pessoas que não está mal se estiver sozinha. Mas se calhar, tenho vindo a perceber, também não estou completamente bem. Porque no man is an island. E a verdade é que as amizades são importantes. E é tão bom ter pessoas com quem falar pela noite fora sobre os pequenos (ou grandes) dramas da nossa vida... É tão bom ter ter pessoas com para nos rirmos das desgraças da nossa vida, para fazermos piada sobre as nossas coisas estúpidas. É bom. 

 

Posso-me zangar. Mas se calhar, essas pessoas continuarão lá. 

03
Fev17

Reflexão

Miúda Opinativa

Ontem à noite, no Facebook, vi que alguém tinha comentado uma notícia do Correio da Manhã que dava conta da ocorrência de uma explosão em França. 

 

Ao ler aquilo, o meu pensamento imediato foi "um ataque terrorista?". Só depois pensei "então mas mais ninguém fala disto?" e finalmente decidi abrir a notícia e percebi que afinal tinha sido uma explosão de gás. 

 

Era tarde, estava cansada, mas ainda pensei "que raio de mundo é este que nos leva a pensar, logo em primeira hipótese, que uma explosão é um ataque terrorista?". E hoje voltei a pensar no assunto. O mundo em que vivemos não é bonito. O mundo em que vivemos é perigoso. O mundo em que vivemos é cada vez mais perigoso. E isso torna-nos céticos. Isso torna-nos cínicos, pessimistas. Isso leva-nos a achar sempre no pior. Uma explosão é, obviamente, um ataque terrorista. E não uma explosão de gás. 

 

Eu não vivo constantemente assustada nem preocupada. Por mais egoísta que isto possa parecer, por me encontrar  naquele grupo de privilegiados que vive num país em paz e cujo presidente, embora hiperativo, não é um psicopata, pode dar-se ao luxo de viver com alguma tranquilidade. Mas quando penso nisto fico preocupada. Porque o mundo é um lugar perigoso e não estamos livres de nada mas, também, porque nós nos estamos a tornar nestas pessoas para quem a maldade passa a ser banal.

 

E isso é perigoso. 

 

 

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