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Pedido de Opinião

por Miúda Opinativa, em 23.05.17

Ora bem... Contra todas as minhas expectativas iniciais, eu e o meu namorado estamos quase a fazer 2 anos de namoro. WOW.

 

Sim, não sou muito crente, e juro que nunca pensei que passássemos do Verão de 2015.

 

Ele não liga muito a datas mas eu até ligo a esta. Quanto mais não seja porque nunca estive tanto tempo com ninguém, ah ah. É um record a ser celebrado.

 

O que é que acontece... Neste ano, eu não vou ter férias no Verão (na melhor das hipóteses, só lá para Novembro é que vou ter férias). Assim, queria aproveitar ao máximo os fins-de-semana para fazer coisas giras. E como ambos gostamos muito de viajar, queria muito, no fim-de-semana depois do aniverário (que calha a meio de uma semana de Julho), fazer uma escapadinha a uma cidade europeia.

 

Posto isso, queria pedir-vos opinião: que cidade é que pode ser giro visitar em Julho num fim-de-semana? Uma cidade pequena, que se veja bem num fim-de-semana, e que não nos leve os olhos da cara. Estivemos a ver alguns voos e chegámos a Toulouse. Alguém já foi? Opiniões? Postas de pescada?

 

Obrigada :)

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publicado às 10:00

Agora que os dias já foram descritos, é tempo de, tal como prometido, falar sobre o que achei da cidade e dos noruegueses (como é que se chamarão as pessoas que vivem em Oslo? Osloenses? XD).

 

Oslo é uma cidade muito, muito interessante.  Silenciosa, calma, extremamente organizada. Bem, se calhar, e para quem está habituado ao caos, demasiado silenciosa e demasiado calma. Essa diferença nota-se logo no aeroporto. Estão a ver o frenesim característico dos aeroportos? Esqueçam, ali não acontece. Tudo muito, muito, muito silencioso. No dia em que regressámos a Portugal, ao chegarmos ao aeroporto vimos um paramédico a correr para ir prestar assistência a alguém. E até a correr o homem era silencioso. Como? Não sei.

 

Apenas posso dizer que isso se manifestava em tudo. Nestes dias que lá estivemos, numa capital europeia, ouvimos uma buzina de um carro um única vez. E foi estranho, mesmo para nós, que estávamos lá há dois dias. Às vezes tinha que me controlar para não ser demasiado espalhafatosa. Tinha mesmo a sensação que estava a falar demasiado alto!!

 

Voltando à cidade: é, efetivamente, uma cidade extremamente organizada e limpa. Uma cidade extremamente calma, serena, silenciosa. Não se ouvem carros porque a maioria dos carros são eléctricos. Na verdade, a cidade não poderia ser diferente porque quem lá vive é assim. Muito educados, polidos. Cá em Portugal, se queremos atravessar uma passadeira, quem conduz só pára mesmo em cima; em Oslo, pelo contrário, ainda nos faltam 5 metros para chegar à passadeira e já estão a parar. É outro mundo.

 

Os noruegueses, parece-me, sabem aproveitar a vida. Não se metem na vida dos outros (as casas não têm cortinados - ninguém quer saber o que se passa na vida dos outros! No aeroporto, quando o tal paramédico estava a assistir a pessoa desmaiada, as únicas pessoas que olharam para o que se estava a passar fui eu e o meu namorado - tugas, portanto XD), vivem a sua vida tranquilamente, sem stress. Não são expansivos, de todo, o que pode tornar os relacionamentos e as novas amizades difíceis, especialmente à medida que a idade avança (de acordo com os portugueses que lá encontrámos). Mas são extremamente educados e solícitos. Não tomam a iniciativa de falar; mas se falaramos com eles, respondem perfeitamente.

 

Embora o país seja francamente frio, isso para eles não é impeditivo de saírem à rua, muito pelo contrário. Como disse, a cidade é muito bem servida de parques e aquela gente, mesmo super agasalhada, frequentava os parques. Cá, se está um bocadinho mais de frio, toca de enfiar no centro comercial e é ver os parques e as esplanadas vazios; lá, pelo contrário, o ar livre é muito bem vivido. Imensa gente a correr (e eu a sentir vergonha por mim, que se estiver aquele frio já não consigo correr por causa do joelho), as crianças nos parques infantis... É muito interessante.

 

No entanto, tendo tudo isto em consideração, não deixa de ser curioso que a venda de álcool seja bastante controlada de forma a evitar excessos do passado. Tendo tudo isto em consideração, esta tradição torna-se super irónica. Quando chegámos lá, logo no aeroporto, vimos uns miúdos vestidos com jardineiras vermelhas. Julgámos que fossem uma espécie de equipa desportiva. Mas depois, na cidade, começámos a ver mais miúdos assim. Pensámos que pudessem ser fardas para a escola e que houvesse aulas ao Sábado. Mas desconfiámos. No Domingo, ainda vimos miúdos assim... Não, podiam ser fardas, os miúdos não devem ter aulas ao Domingo! Foi só quando chegámos a Portugal é que percebemos do que se tratava ;)

 

Oslo tem uma vida diferente. Como disseram aqueles portugueses com quem almoçámos, é uma boa cidade para se viver bem. Não se enriquece mas, regra geral, vive-se bem (ainda assim, ao contrário do que estava à espera, vêem-se mendigos...). É uma boa cidade para se ter uma vida tranquila, para se trabalhar. Lá respeitam-se horários, lá a licença de maternidade vai para lá das 52 semanas... É uma outra vida, uma outra perspectiva.

 

Gostei mesmo muito da viagem. Viajar é sempre bom, sobretudo quando vamos bem acompanhados e descobrimos novas formas de viver.

 

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publicado às 10:00

Oslo #5: Dia 4

por Miúda Opinativa, em 12.05.17

E chegámos ao quarto e último dia.

Tendo em consideração que tínhamos visitado grande parte dos pontos principais da cidade (bem, ficaram a faltar-nos alguns, é verdade), decidimos, para este último dia, fazermos a Free Walking Tour. Para quem não sabe, as Free Walking Tours são excursões organizadas, que existem em centenas e centenas de cidades pelo mundo fora, e que podem ser completamente gratuitas - embora, no final, o guia peça uma "contribuição". Normalmente, os guias são jovens locais que o fazem sobretudo para se divertirem (muito honestamente, ainda não consegui perceber se são pagos ou não).

 

Quando chegámos a Oslo, fomos ao site e vimos que não era necessário fazer qualquer reserva (à semelhança do que acontece noutras cidades) e confirmámos isso no posto do Visit Oslo que existia na Estação Central. Assim, bastar-nos-ia aparecer às 10h00 no ponto de encontro junto à Estação Central, e juntarmo-nos ao grupo. No entanto, infelizmente, ao chegarmos lá, a horas, não vimos ninguém. Foi uma pena, porque estávamos mesmo a contar com esta excursão para conhecermos um pouco mais a história da cidade. E foi muito estranho. Os noruegueses são conhecidos também pela sua organização e não por este tipo de comportamentos!


Mas ainda tínhamos algumas horas até termos que fazer o check-out da nossa casa e então decidimos aproveitar para voltarmos à Opera de Oslo, tirarmos novas fotos (ah ah) e irmos, de seguida, ao City Hall para, finalmente, entrarmos. E acreditem, compensou.

 

É muito giro porque no "hall" de entrada existe um espaço dedicado às crianças. É, sobretudo, para experimentarem coisas. Não consigo explicar muito bem (não sou criança nem levava nenhuma criança, por isso não entrámos, ah ah), mas do que conseguimos espreitar, parecia muito giro :)

 

De resto, as várias salas por que passámos são absolutamento fantásticas. Olhando por fora, não advinharíamos o que está lá dentro.

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Depois do City Hall, decidimos ir almoçar e fizemos a primeira e única refeição fora de casa (tão sovinas XD). E não, não fomos à comida típica norueguesa. Admito que não ficámos muito entusiasmados depois de termos perguntado ao nosso anfitreão onde se poderia comer boa comida norueguesa e ele nos ter dito que a comida norueguesa não era boa XD. Então acabámos por ir a uma hamburgueria com bom aspecto e aqui aconteceu um episódio inusitado. Quando estávamos ao balcão para fazermos o pedido, entraram dois homens, cada um com o seu carrinho de bebé, e ainda falámos com eles em Inglês. Primeiro para lhes dizermos para passarem à frente e depois, quando eles se iam sentar perto de nós, para desviarmos uma cadeira.

 

Às tantas, a bebé de um deles, tipicamente norueguesa (isto é, loirinha, branquinha e de olho azul) começa a meter-se comigo (ainda estou para perceber o porquê, mas os bebés adoram-me) e eu respondo-lhe. Às tantas o pai diz-lhe "Diz olá". Assim mesmo, em Português. Ficámos a olhar para eles e perguntamos se eram portugueses... Oh, claro que eram. E pronto, ficámos ali na conversa, para termos uma perspetiva sobre como é que é viver naquela cidade. Foi mesmo muito muito giro. E afinal, a bebé tipicamente norueguesa era portuguesa, filha de pai e mãe portugueses XD.

 

Da hamburgueria fomos para casa para arrumarmos as coisas, sairmos e ficarmos à espera do autocarro que nos levaria de volta ao aeroporto. No aeroporto, na fila para embarcarmos, conhecemos um casal de noruegueses reformados que vinham a Portugal passar férias e, pasme-se, "arranhavam" a nossa língua. Também foi muito giro. Quando for grande quero ser como eles :)

 

E assim terminou a nossa viagem a Oslo. A verdade é que foi uma visita curta mas serviu para visitarmos os pontos principais. Se voltava? Bom, tendo em conta a quantidade de países e cidades que há para visitar, se calhar não seria um destino de primeira escolha. Mas isso não invalida que não tenha gostado muito. Gostei bastante, na verdade. A cidade é muito bonita, muito organizada, muito calma. Estão a 4 horas de avião mas são, na verdade, uma cultura bastante diferente, uma forma de vida bastante diferente. 

 

Mas bem, essa minha opinião geral ficará para um próximo post ;)

 

 

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publicado às 10:00

Oslo #4: Dia 3

por Miúda Opinativa, em 11.05.17

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

 

Quem se lembra disto?

Assim que acordei no terceiro dia, muito cedo, lembrei-me deste poema. Porque às 5 da manhã estava a nevar. No dia anterior já tinha nevado um pouco, quando estávamos no Palácio Real, mas neste dia, era diferente. Porque ao contrário do que aconteceu no dia anterior, o céu estava cinzento, a "neve" era aquele gelo feio e estava muito muito muito frio. Admito que não estava preparada para isso (eu sei, se calhar sou parva). A neve é gira em montanha. Em cidade é só pouco prática. Especialmente se não for uma neve a sério e, portanto, não for bonita e fofinha. Tínhamos pensado em ir, neste dia, aos Fiordes, mas o tempo trocou-nos as voltas.

 

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No entanto, como é óbvio, não ficámos em casa. Eu levava o casaco com capuz e um gorro que acabei por emprestar ao rapaz que se esqueceu do dito em Portugal. Foi engraçado vê-lo com um gorro com pompons XD

 

A primeira paragem deste terceiro dia foi o Munch Museum. O grande objectivo era, obviamente, ver O Grito; no entanto, o Museu estava em mudanças e portanto, só conseguimos ver uma pequeníssima parte da exposição. Ainda assim, valeu a pena - é sempre bom, óptimo, ver obras de arte de um grande artista :) Vimos também um documentário sobre a vida de Munch e foi extremamente interessante. Quando dois nerds se juntam... ;) E bem, além disso, lá dentro estava quente e seco XD

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Do Museu fomos para o Jardim Botânico de Oslo que, para quem gosta de jardins e afins, é sempre uma experiência gira e bonita. No entanto, como o dia não estava bonito, penso que não aproveitámos o jardim como deve ser. Ainda assim, ainda lá estivemos algum tempo, especialmente numa estufazinha que me embaciou completamente os óculos. Porque é que lá passámos mais tempo? Isso mesmo. Porque estava quentinho XD

 

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Daqui fomos para a Catedral de Oslo (bastante bonita) e depois ao Parlamento (onde não conseguimos entrar, infelizmente). Não há fotos a documentar porque... estava frio e a chover XD

 

Daqui decidimos ir para a Nobel Peace Center. Admito: embora a envolvente seja muito interessante, devido ao muro que está lá, fiquei desiludida por não ter conseguido entrar no centro. Supostamente estava aberto, mas não conseguimos entrar. Foi estranho, muito estranho.

 

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Daqui fomos andando até ao Astrup Fearnley Museum of Modern Art. Localizado numa marina muito bonita (ou achamos que será. Com o tempo escuro como estava, torna-se difícil apreciar a verdadeira beleza da coisa XD), tem, tal como a Ópera de Oslo, uma arquitectura bastante moderna. Entrámos lá dentro mas, afinal, estava fechado.

 

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Depois, voltámos a tentar ir ao City Hall. No entanto, quando chegámos, demos outra vez com o nariz na porta (já sabíamos que ia acontecer). Então, deambulámos mais um pouco pela cidade, fomos até um centro comercial onde bebemos café quente (estava mesmo frio) e decidimos voltar para casa. Eram alguns quilómetros (andámos sempre a pé) e a ideia era fazermos umas compras, jantarmos cedo e tentarmos, depois de jantar, irmos a algum bar.

 

Mas a verdade é esta: nós somos do Sul da Europa. Não estamos habituados aquele frio e ficámos completamente mortos. Aquecemos tanto em casa que já não tivemos coragem para voltar a sair. Resultado: ficámos em casa e bebemos as cervejas norueguesas que tínhamos comprado. Também foi um bom programa. Foi, sobretudo, um programa quente :)

 

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publicado às 10:00

Oslo #3: Dia 2

por Miúda Opinativa, em 09.05.17

No segundo dia na cidade estávamos mais ou menos decididos a acordar cedo e visitarmos o máximo possível. Contudo, o cansaço do dia anterior traiu-nos e acabámos por sair de casa mais tarde do que seria suposto. Mas eram férias e nas férias não queremos pensar em horários ou despertadores. Queremos, apenas, desfrutar. E foi isso que fizemos.

 

No nosso segundo dia, decidimos começar por passar em Grünerlokka que, supostamente, é o bairro hipster de Oslo. Embora seja, sem dúvida, um bairro simpático, não o achámos assim tão diferente do resto da cidade.

 

Continuámos em direcção aquele que foi o primeiro destino definido: o Vigeland Sculpture Park. É uma das paragens obrigatórias de Oslo e faz sentido, porque é espectacular. Tem mais 200 estátuas e só consigo imaginar como será no Verão, todo florido. Na verdade, o que nos disseram é que no Verão é quase impossível passar por lá. Porque os "locals" simplesmente invadem o parque, estendem as suas toalhas e ficam por ali a apanhar sol e a aproveitar. Um bocadinho como nós aqui com a praia ;)

 

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Dali fomos para o Palácio Real, a residência oficial da família real norueguesa. O edifício é, sem dúvida, majestoso; no entanto, a grande beleza está, de facto, nos jardins que o circundam. Mesmo. Para além das Estações Centrais, a minha outra panca são jardins e parques. E Oslo está muito bem servida no que toca a parques. E o curioso é que os "locals", apesar do frio, usufruem bastante deles. Mas isso é algo que irei abordar no post final ;)

 

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Do Palácio Real fomos descendo e passámos pela Universidade de Oslo, onde entrámos, pelo Teatro Nacional e pelo City Hall. Infelizmente, não conseguimos entrar nesta última, mas serviu para nos aguçar a curiosidade (até que no último dia conseguimos chegar a horas de o visitar por dentro).

 

 

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 O City Hall tem um exterior bastante soviético e, aparentemente, pouco interessante. Mas a verdade é que ali por debaixo das arcadas existem diversas gravuras que contam histórias de deuses. Fiquei de tal forma embrenhada nas histórias que nem tirei fotografias. Por outro lado, olhando para o exterior nem conseguimos imaginar o quão giro é o interior. Spoiler alert: valeu a pena as tentativas para entrarmos ;)

 

Do City Hall decidimos descer mais um pouco e fomos até ao Akershus Fortress, um castelo medieval muito giro e enorme. Para além do castelo propriamente dito, tem também uma área circundante enorme e muito bonita. E a vista? Simplesmente espectacular.

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Aquilo que eu dizia sobre a vista...

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Achei estas "casotas" mesmo amorosas.

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Daqui, voltámos a passar pela Ópera de Oslo (gostei mesmo mesmo) e resolvemos voltar para casa para jantarmos. A ideia era sairmos depois de jantar e fazermos nova tentativa em Grünerlokka (podia ser que à noite tivesse mais movimento que durante o dia). Mas não. Bem, a verdade é que também era domingo, mas não conseguimos encontrar assim nenhum bar que nos chamasse particularmente a atenção. Os que estavam abertos eram bares desportivos, que estavam a passar futebol, e não nos apetecia ver nenhum jogo. Então, passeámos um bocado por ali à noite, mas não muito... Estava frio! XD

 

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publicado às 10:00

Berlim

por Miúda Opinativa, em 01.03.16

Afinal de contas, estar com demasiado tempo livre não siginifica que não tenha nada para fazer. E por isso nem opiniões nem postas de pescada.

 

Um dos meus afazeres da semana passada foi ir a Berlim. Viagem marcada já há uns meses e que veio, agora, mesmo a calhar.

 

Foram 3 dias intensos, de muito andar, para cima e para baixo, de um lado para o outro. Foram dias fisica e psicologicamente exigentes. Fisicamente pelo esforço que tanta caminhada exige, claro. E psicologicamente por toda a História que aquela cidade carrega. Pela responsabilidade, pela culpa, pelas homenagens.

 

É uma cidade antiga, com muitos séculos de história, mas que, como todos sabemos, teve um século XX particularmente pesado. E andar por ali, ver onde tanto aconteceu, é interessante e enriquecedor. É um murro no estômago, também.

 

Dos vários murros do estômago destaco a "Topografia dos Terrores", um museu que nos mostra, de forma crua, os horrores nazis. Em Berlim não se esconde nada do que aconteceu, do que se fez - muito pelo contrário. Em Berlim (e, penso, um pouco por toda a Alemanha), optou-se por se construir locais de lembrança - locais cujo objetivo (ou um dos objetivos) é, precisamente, fazer lembrar às gerações que não viveram o fascismo alemão que o fascismo alemão, o nazismo, aconteceu. As atrocidades que foram cometidas. Para que não se repita (não sei se estarão a ser muito bem sucedidos, mas enfim...).

 

Destaco, também, o Memorial dos Judeus Mortos na Europa (ou Memorial do Holocausto)... É uma construção brutal, com uma simbologia fortíssima. Vale muito a pena passar por lá e absorver toda a experiência que nos proporciona.

 

Em Berlim, como disse, não se esconde o que aconteceu - tem monumentos, tem alertas, tem memoriais, tem museus -, para que a História não se repita. Temos que nos lembrar, e lá impossível não esquecer. E faz-nos pensar na nossa "História", naquilo que está a acontecer atualmente na Europa, por exemplo, e que estamos a deixar acontecer. Derrubámos um Muro em 1989, escreveu-se nesse muro "não vamos deixar acontecer outra vez", e 27 anos depois, estamos a construir mais muros. 70 anos depois do fim da II Guerra Mundial, 70 anos depois da perceção real do que aconteceu aos judeus, da vergonha de se ter deixado que isso acontecesse e da promessa que isso não voltaria a acontecer, estamos a deixar que outros povos sejam exterminados.

 

Vamos pensar sobre o assunto? Vou tentar.

 

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publicado às 11:46


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