Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Matéria Escura

por Miúda Opinativa, em 25.05.17

No fim-de-semana acabei de ler o livro Matéria Escura, de Blake Crouch. Este escritor foi o autor da série Wayward Pines, que deu origem à série de TV, uma das minhas grandes desiluões de 2015. Estão a ver aquelas séries que têm tudo para correr bem, estão a correr lindamente, e depois simplesmente descambam sem percebermos muito bem como nem porquê? Foi mais ou menos isso que aconteceu. Mas adiante, não é sobre isso que vim escrever. 

 

O objetivo deste post é falar sobre o livro. Que... Gostei imenso (embora tirasse a componente extremamente lamechas) :) 

 

A história do livro baseia-se naquela ideia que, certamente, já nos passou a todos pela cabeça. Os "E SE". E se a determinada altura da nossa vida tivéssemos optado por outro caminho em detrimento daquele que acabámos por seguir? E se, na verdade, o universo fosse constituído por diversos "universos alternativos" em que os nossos eus, que optaram por caminhos diferentes, continuassem as suas vidas da mesma forma que nós continuámos as nossas? 

 

Admito que este tema é algo que me interessa bastante. Não por uma questão física (que não é, de todo, o meu forte. Aliás, na verdade, embora soubesse que isto até é uma área estudada pela Física, nunca me debrucei muito sobre a temática a partir dessa perspectiva), mas por uma questão filosófica. A verdade é que, inutilmente, eu sei, eu penso frequentemente nos "E se" da minha vida. É inútil, mas é um exercício giro. Bem, na verdade, não é completamente inútil. Porque às vezes ajuda-me a ver as coisas de uma perspectiva mais positiva, ah ah! 

 

Mas voltando ao livro... Gostei imenso, como já disse. Está muito bem escrito (ou, pelo meos, a tradução estava bem feita) e tem a capacidade de nos prender do início ao fim. Aliás, no fim, ficamos com aquela sensação do "mas já? Então e agora?". Acho que para tal também contribui o facto de o livro ter terminado com um cliffhanger. Então mas o que é que acontece a seguir? Então mas... 

 

Pronto, vou parar. Está muito bem escrito, com uma narrativa bem construída. Era muito fácil, tendo em consideração a história, o autor ter-se perdido e ter entreado em incogruências ou a própria história ter descambado. Mas não julgo que isso tenha acontecido, muito pelo contrário. Manteve a sua linha narrativa de forma congruente, desenvolveu bem a história, envolveu suspense, deixou-me presa e ansiosa por acabar e, ao mesmo tempo, desejosa que continuasse depois de acabar XD

 

Valeu a pena, a sério que valeu :) 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00

A Amiga Genial

por Miúda Opinativa, em 19.04.17

Acabei de ler, no fim de semana, A Amiga Genial, de Elena Ferrante.

 

Antes de falar sobre o livro em si, acho interessante falar um bocadinho de Elena Ferrante. Quer dizer, não é possível falar muito sobre ela, uma vez que, na verdade, Elena Ferrante nem sequer é o verdadeiro nome da autora, mas sim um pseudónimo. A autora tem querido manter o seu anonimato e tem conseguido, apesar de no Outono do ano passado, um jornalista ter escrito um artigo em que revelava a sua identidade. Se era verdade ou não, não sei.

 

O que sei é que esta história fez-me interessar pelo livro. Isso e, claro, as críticas bastante positivas. Explicando um bocadinho, A Amiga Genial é o primeiro de uma série de 4 livros que contam a história de duas amigas de Nápoles nascidas no pós-Guerra, Elena e Lila, desde a infância até à velhice. A Amiga Genial passa-se, então, entre a infância e a adolescência.

 

De uma forma geral, gostei do livro. Está muito bem escrito, a forma como a história é narrada é interessante e as personagens estão muito bem construídas. Apesar de a história se desenrolar há mais de 50 anos, acho que é impossível não nos identificarmos, pelo menos uma vez, com aquilo que as personagens vivem e experienciam, sobretudo se formos raparigas e tivermos tido uma amiga, uma grande amiga, com quem crescemos. É verdade - enquanto lia a história, não consegui deixar de pensar em mim com aquela idade e na minha grande amiga. Não conseguimos também deixar de pensar no nosso próprio crescimento e desenvolvimento.

 

A história e a forma como o livro está escrito permite-nos um forte envolvimento com as persongans. Às vezes irritam-nos, às vezes faze-nos felizes, às vezes temos pena delas. E quando um livro consegue isso é porque, penso, o livro é bom e vale a pena :)

 

Foi um livro bastante interessante. Tendo fugido um pouco do registo que tenho lido nos últimos tempos, estava à espera de demorar a entrar na sua leitura; contudo, não aconteceu. Agora... É ler os seguintes ;)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00

O Homem Ausente

por Miúda Opinativa, em 11.04.17

Homem Ausente é o terceiro livro da série Sebastian Bergman, dos autores Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt. Li os dois primeiros (Segredos Obscuros e O Discípulo) no ano passado e adorei. Mesmo. São policiais suecos, que desde a Trilogia Milenium estão na moda, mas com uma particularidade que a mim me atrai bastante: a personagem princial, o Sebastian, é psicólogo (e um psicólogo cheio de problemas), o que faz com que a resolução dos crimes passe pela componente psicológica. O que é muito interessante, claro.

 

Embora tenha adorado os dois primeiros, a verdade é que este último não me aqueceu tanto o coração. Não percebi logo porquê (será porque as personagens já se tornam repetitivas? Não... A história pessoal das personagens também é desenvolvida neste livro. Será porque eu não estou com a disponibilidade mental para gostar deste livro como gostei dos outros e o meu humor de cão acaba por prejudicar a sua apreciação? Também não deve ser por isso, porque quando li o primeiro o meu humor também era de cão - embora por razões completamente diferentes). Até que percebi - neste livro, ao contrário dos outros dois, não existe a necessidade/possibilidade de se chegar a alguma solução através dos conhecimentos do Sebastien. Neste livro, ao contrário dos outros, a Psicologia não entra tanto em acção. Não me interpretem mal - não gosto assim tanto de Psicologia para achar que os livros só são interessantes se a Psicologia entrar, de alguma forma, neles. No entanto, em relação a outros policiais suecos, isto (ou é isto) é um dos aspectos que diferencia esta saga.

 

Ainda assim, gostei bastante. Está bem escrito, não existem diálogos forçados (o que aconteceu, por exemplo, n'A Princesa de Gelo, da Camilla Läckberg - o pior policial nórdico que li... Peço desculpa aos fãs!), a história desenvolve-se rapidamente e as personsagens também crescem. Tem suspense - bom suspense -, que é capaz de nos prender pela noite fora - o que é óptimo! 

 

Mas o grande ponto alto do livro foi mesmo o final. Não quero entrar em spoilers, mas que grande clifhanger! Estão a ver quando uma temporada de uma série acaba e vocês ficam "mas... NÃÃÃÃÃO!!! O QUE É QUE ACABOU DE ACONTECER? O QUE VAI ACONTECER?"? Pronto, foi mais ou menos isso. Com a diferença que numa série nós acabamos por saber que dali a 2/3 meses, a série regressa. Eu não faço a mínima ideia de quando o quarto livro da série, que já foi editado em Sueco, vai ser editado em Português.

 

Resumindo e baralhando - gostei e aconselho. No entanto, para lerem como deve ser, leiam primeiro os dois livros anteriores.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:01

As Raparigas

por Miúda Opinativa, em 09.03.17

Acabei de ler, ontem à noite, As Raparigas, de Emma Cline. O livro é, na verdade, uma história de ficção baseada no caso Charles Manson e nas jovens que o ajudaram a cometer o famoso massacre em 1969 que vitimou, entre outros, Sharon Tate, grávida, atriz e mulher de Roman Polanski. 

 
Muito sinceramente, fiquei com sentimentos ambivalentes em relação ao livro e pensei que talvez fosse prematuro escrever já a minha posta de pescada. Talvez tivesse sido melhor deixar assentar poeira, refletir mais sobre o assunto, chegar a alguma conclusão; contudo, pensei que se calhar aquilo que me deixa ambivalente não será alterado e que a minha opinião se irá manter. Por outro lado, não tinha outras ideias para o post de hoje, ah ah :P
 
 
Por um lado, gostei muito da forma de escrever da autora. A sério. É o primeiro livro dela, que tem a minha idade, e a verdade é que se eu escrevesse um livro, gostaria de o escrever daquela forma. Tenho o sonho, admito, de um dia escrever um livro (mesmo que ninguém o leia) e o estilo de escrita de Emma Cline é semelhante àquele que eu imprimo (ou tento imprimir. Ou gostaria de imprimir, vá. Ainda tenho que escrever muito e aprender muito para escrever assim) nos meus textos mais "romanceados".
 
Por outro lado, considerei bastante interessante a forma como ela retrata os sentimentos e as emoções vividas e experienciadas por uma adolescente de 14 anos. Existe muito a ideia de que uma pessoa com 14 anos é uma criança mas, muito honestamente, acho isso só paternalista e condescendente (e eu não gosto nada de paternalismos). Acho que é uma desvalorização brutal daquilo que é possível sentir-se nessa idade. O desconhecimento, as dúvidas, as questões sobre quem somos, o sentimento de incompreensão. A ideia de que ninguém nos compreende, de que não pertencemos a lado nenhum. E a autora retratou muito bem essas questões - talvez porque ela seja muito jovem (vamos acreditar que sim, que aos 27 anos ainda se é muito jovem, até porque eu não estou nada em pânico com o aproximar veloz dos 30. Nada) e passou por essa fase há relativamente pouco tempo - eu diria, pela minha experiência, que foi ontem. 
 
E a compreensão da existência desses sentimentos é importante para que se perceba o porquê de uma jovem de 14 anos acabar por entrar num determinado mundo e acabar por tomar certas decisões. Porque é fácil, para quem está perdido, sentir-se deslumbrado por quem lhe indica um caminho muito mais interessante do que aquele que nos é apresentado. 
 
No entanto, penso que talvez haja aspetos que poderiam ter sido mais desenvolvidos. As relações na comunidade, as histórias das personagens. São personagens que o leitor assume serem psicologicamente complexas mas, no entanto, esta "complexidade psicológica" não é assim tão desenvolvida. Eu sou uma rapariga que estudou Psicologia, gosto disto ;) Para além disso, julgo que a própria história poderia ter sido mais desenvolvida. Sem querer spoilar muito, há um período de tempo, anterior ao massacre e que leva a esse momento, que é pouco explorado. De repente, há uma mudança de sentimento e há um massacre - ok, mas e o que aconteceu no entretanto? Como é que se deu essa mudança de sentimento? 
 
O livro desenvolve-se ao longo de dois momentos: o presente e o verão de 1969, sendo aqui que se desenrola a maior parte da narrativa. No entanto, a narrativa passada no presente também é interessante porque também aborda sentimentos que raparigas, jovens raparigas de 18 anos, experienciam. A forma como por vezes a nossa auto-estima, a nossa insegurança, mascarada de segurança, nos leva a fazer coisas parvas. 
 
No fundo, o livro é também sobre isso - sobre raparigas. Sobre o facto de, não importa em que momento da História se viva, as raparigas serem seres complexos, cheios de dúvidas, de quem é esperado que sejam uma série de coisas, muitas delas incompatíveis, quando elas só se querem descobrir e serem elas próprias. 
 
Penso que posso aconselhar o livro, embora julgue talvez tivesse gostado mais quando tinha 16/17 anos. Porque na altura seria menos exigente e porque talvez me identificasse mais. 
 
Nota: e li o livro em papel, não no Kindle ;)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:25

Elementos Secretos

por Miúda Opinativa, em 01.03.17

Não, este não é uma opinião / posta de pescada sobre o filme. Esta é uma opinião / posta de pescada sobre o livro. 

 

Comprei o livro num acto de impulso: não sabia muito bem qual era a história, não sabia muito a avaliação da crítica, não sabia nada muito bem. Vi a capa, já tinha ouvido falar bem do filme e li, meio por alto, o resumo na diagonal e "ok, vou comprar". 

 

Embora talvez seja um bocadinho desnecessário, porque nesta altura já todos devem saber qual é a história, deixo aqui a sinopse.

 

Quando o comecei a ler, fiquei surpreendida, porque não estava à espera daquele tipo de livro. Sabia que aquela era uma história real, mas achei que fosse em estilo romance. Mas não: o livro é um relato histórico que documenta a vida das personagens de forma "apenas" factual. Assim, é relatada a vida e a história das personagens, a forma como se desenvolveram e os feitos que alcançaram, mas sem grandes floreios. 

 

Confesso que este não é um estilo que me atrai muito. Quando comecei a ler e percebi que era assim, pensei em deixá-lo "pendurado" porque, de facto, não é aquilo que eu mais gosto. É curioso, até, porque gostando imenso de História, seria de esperar que adorasse est tipo de livros. Mas não. 

 

No entanto, decidi continuar. O livro não é muito grande e apesar de não ser, de facto, o estilo que mais me agrade, a história estava a interessar-me. 

 

E, oh boy, ainda bem que o fiz. É, de facto, impressionante que a história destas mulheres não seja mais conhecida, que se tenha perdido na História. Mas é, sobretudo, impressionante o papel que estas mulheres, negras (e, consequentemente, vítimas de duplo preconceito) tiveram no desenvolvimento aeroespacial dos EUA desde a II Guerra Mundial. É impressionante como este grupo de mulheres, que tinham muito contra elas, conseguiram vencer os preconceitos, os estereótipos (embora continuassem a sofrer com eles ao longo da sua carreira) e tornarem-se mais-valias incontornáveis. 

 

Ler este livro faz-nos pensar. Faz-nos perceber exactamente o que foram as leis segregacionistas de Jim Crow nos EUA e no quão ridículas (eufemismo) foram. Faz-nos pensar, uma vez mais, no quão estúpiod e hipócrita é os EUA estarem a lutar na Europa e a condenar a segregação judaica e terem aplicado o mesmo princípio aos seus negros. Não estou a dizer que a segregação judaica não deveria ter sido condenada e combatida, atenção; mas acho que, ao mesmo tempo, os EUA deveriam ter compreendido o perigo da segregação e do preconceito e ter terminado a segregação existente por lá.

Este livro faz-nos reflectir sobre o que as mulheres tiveram que lutar e penar para conseguirem chegar onde estão (sendo que ainda não estão ao mesmo nível dos homens). E, numa atitude mais umbiguista, faz-nos pensar no quão atrasados nós, portugueses, estávamos, de facto, nos anos 40, 50, 60. Porque nos EUA, apesar de toda a loucura, as mulheres, mesmo segregadas, chegavam às universidades e poderiam almejar a certos cargos, o que nunca na vida aconteceria por cá - nem sequer as mulheres, digamos, de "classes superiores". Quão estúpido é isto?

 

Mas este livros faz-nos pensar, também, que sim, é possível: é possível ultrapassar obstáculos, preconceitos, estereótipos. No entanto, as mulheres têm que ter as oportunidades. As meninas, as raparigas, têm que ter as oportunidades que os meninos, rapazes e homens. E é essa luta que ainda não acabou. 

unnamed.jpg

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:56

Jackdaws - Nome de Código: Leoparda

por Miúda Opinativa, em 21.02.17

No Domingo à noite (viva as insónias!) acabei de ler o meu primeiro livro em formato digital, o Jackdaws (em Português, Nome de Código: Leoparda), de Ken Follet. 

Depois do último livro que li deste autor, e sobre o qual mandei esta posta de pescada, não tenho tido grande vontade de ler nada dele. Eu sou uma daquelas pessoas que depois de se desiludir com alguém, demora a voltar a confiar - se é que volto, de facto, a confiar. 

 

Resultado de imagem para trust issues everywhere

 

Mas a oferta do Kindle veio alterar ligeiramente esta minha posição. A verdade é que Ken Follet escreveu, tal como já escrevi aqui, uma das minhas séries de livros favorita de todo o sempre, a Trilogia O Século, e outros livros que embora não sejam tão espectaculares, também são bastante bons - destaco, por exemplo, o seu Estilete Assassino

 

Assim, decidi que lhe ia dar uma nova oportunidade, sobretudo porque esta nova oportunidade não implicaria gastar 20€ num livro que depois me iria desiludir. 

 

Optei, então, por Jackdaws, por ser um romance passado na II Guerra Mundial (eu tenho uma panca por esta época) e por abordar a força das mulheres e a importância que elas assumiram para a vitória dos Aliados. Sim, se é para falar de Girl Power, estou lá para ouvir. 

 

Resultado de imagem para yes we can woman

 

A Sinopse (retirada daqui):

A duas semanas do Dia D, a Resistência Francesa planeia um ataque crucial ao maior centro de comunicações das tropas alemãs, instalado num antigo castelo em Sainte-Cécile. Na liderança desta missão está uma das mais valiosas agentes das operações especiais britânicas, Flick Clairet. A investida acaba por falhar e ter consequências devastadoras, deixando os alemães de sobreaviso. Abalada pelas baixas sofridas, a confiança de Flick começa a fraquejar.
Impõem-se medidas drásticas. Flick sugere um plano arrojado: formar uma equipa exclusivamente feminina, as Gralhas, e infiltrarem-se no castelo disfarçadas de empregadas de limpeza. Entretanto, os alemães têm acesso a informações cruciais e já escolheram o seu alvo - a própria Flick.
Arriscada e repleta de imprevistos, o sucesso da operação dependerá de quem souber esconder melhor os seus segredos. Nome de Código: Leoparda é mais um romance de Ken Follett, pleno de aventura e emoção.

 

A minha opinião (e posso mencionar spoilers):

Não me desiludiu como a Contagem Decrescente, mas também não me encheu as medidas como o Estilete Assassino (óbvio que nem vou falar da Trilogia). 

Embora o final da história fosse bastante previsível (quer dizer, os Aliados invadiram a Normandia quando os Nazis já estavam a perder a guerra, era um bocado óbvio que a missão seria bem sucedida), a leitura consegue ser  empolgante, no sentido em que queremos saber como é que a história se desenrola para culminar naquele final. Quem é que morre? Como morre? Como é que elas vão resolver a situação? Enfim, consegue prender por umas boas horas.

No entanto, não me conseguiu satisfazer como outros livros conseguem. Talvez porque apesar de ser empolgante, muitos desenvolvimentos acabam por ser bastante previsíveis (do género, "A sério?! Óbvio..."). Talvez porque as personagens poderiam ser melhor desenvolvidas. Ou talvez porque (e se calhar é mesmo por isto) sinto que a fórmula deste autor está muito usada e gasta. Porque no meio daquilo tudo tem que haver sempre uma história de amor, mais ou menos forçada, porque é óbvio (ironia) que duas pessoas que não se conhecem se vão apaixonar à primeira vista e cometer loucuras em nome do amor. E é óbvio (ironia novamente) que por causa desse amor se desenvolve um sexto sentido apuradíssimo. 

Não é que tenha alguma coisa contra histórias de amor - não são o meu género literário favorito, mas não tenho nada contra -, mas faz-me confusão que numa história sobre a coragem feminina, sobre como mulheres completamente diferentes conseguiram, apesar de todas as dificuldades, unir-se e lutar em conjunto, tenha que ser incluída uma história de amor de cordel que, ainda por cima, parece meio descontextualizada, apressada e exagerada. Como se uma mulher só pudesse ser completamente realizada se um soldado americano se apaixonar por ela e lhe propuser casamento quase imediantamente. 

 

Soldado americano esse que, note-se, guardou uma escova de dentes que eles tinham partilhado depois de uma noite de amor intensa e na qual, depois de se terem separado, tocava frequentemente como se fosse uma espécie de amuleto da sorte. Só por coisas. 

 

Não foi um livro mau, foi um livro que me conseguiu prender por algumas horas, lê-se bem, mas não penso que seja um livro que ficará marcado na minha memória. 

 

Dei-lhe 3 estrelas no Goodreads. 

 

Acho que ainda não vou desistir do Ken Follet (quero ler, por exemplo, Uma Terra chamada Liberdade) mas acho que para este autor vou continuar a utilizar os e-books. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:30

Se há coisa que eu gosto e com a qual perco a cabeça é livros. Desde miúda que os adoro. Adoro ler. Se me oferecerem livros, fico feliz. Se estou de neura, compro livros e fico melhor. Se estiver uma tarde inteira a ler, fico feliz. Digo, muitas vezes, que quem gosta de ler nunca fica sem nada para fazer. Digo, muitas vezes, que quem gosta de ler nunca fica sozinho. Por isso, quem gosta de ler é um sortudo. Porque tem acesso ao infinito, descobre coisas novas, aprende tudo o que quiser aprender.

 

O meu namorado é igual. Embora os nossos gostos literários não sejam exatamente iguais (ele não gosta de Eça!!), também ele adora ler. Também ele não se importa de ficar à espera porque fica a ler. Antes de começarmos namorar, foi também isso que me fez pensar "epá... este vale a pena!". Ficávamos horas (e ainda ficamos) a falar sobre livros. Sobre o que gostávamos e o que não gostávamos. Sobre livros interessantes e desilusões. Sim, essa é outra vantagem de se ler - desde que a outra pessoa também leia, há sempre assunto para falar. 

 

A diferença entre o meu namorado e eu, para além de algumas preferências literárias, prende-se com o formato da leitura. Eu sou old school, gosto de "livros livros", do papel, do cheiro a papel, do folhear. De abrir um livro pela primeira vez, quando ainda não está completamente maleável. De o tratar bem (os meus livros estão praticamente novos e é raro emprestar a alguém - e só mesmo a pessoas de MUITA confiança, que sei, por exemplo, que não dobram páginas [dor]), de lhe pegar, de sentir o peso (e nalguns casos, que peso...). Já o meu namorado é fã incondicional dos e-books. Quando começámos a namorar, usava um KOBO, mas tinha um Kindle antigo. Partiu o KOBO e agora usa o Kindle. Adora e durante meses e meses, tentou mostrar-me as vantagens. E eu não nego, tem imensas vantagens. Poupa-se dinheiro, poupam-se árvores, poupa-se espaço (e, senhores, isso é importante, muito importante. Eu já não tenho espaço para ter os livros arrumados como deve ser e nem sei muito bem como vou fazer quando, um dia, eventualmente, arranjar a minha casa que há-de ser, muito provavelmente, um pequeno e limitado cubículo). Num Kindle / KOBO, cabem milhares e milhares de livros. Eu não nego as vantagens. Tanto não neguei que no Natal, e percebendo que eu jamais compraria um bicho desses, o rapaz ofereceu-me um Kindle fofinho, pequenino e levezinho. 

 

E sim, é verdade, aquilo é uma maravilha. Livros a perder de vista, o bicho é pequeno e leve (cabe no bolso do casaco), e não torna a leitura cansativa como eu julgava que tornasse. Não sei muito qual é a tecnologia, mas basicamente o efeito para os olhos é o mesmo que uma folha de papel, uma vez que o écran não é brilhante como, por exemplo, o écran de um tablet. Ou seja, precisamos de luz para ler, não é posível usá-lo às escuras. Também tem desvantagens, claro, nomeadamente o ficar sem bateria (e sem bateria, não há leitura) e a possibilidade de, ao cair ao chão, se partir. E, obviamente, nada disto acontece com os livros. 

 

Ainda assim, não me desligo dos "livros livros". Tenho uma série deles que comprei há pouco tempo para ler e não acredito que vá deixar de os comprar. A minha relação com livros tem muito de irracional e o seu consumo é muito impulsivo. Há quem compre sapatos, eu compro livros :P

 

Ao contrário do que tem acontecido, este post não é uma Posta de Pescada "definida", no sentido em que não vou favorecer nenhum lado da equação. Reconheço as vantagens das duas opções mas também considero que ambas têm limitações.

 

Mas tenho curiosidade: desse lado, e se alguém me ler hoje, o que preferem? São old-school ou modernos? Ou são assim um meio-termo como eu? Também têm uma relação irracional e emotiva com os livros?

 

Contem-me coisas :)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:24

Catch-22

por Miúda Opinativa, em 15.02.17

Catch-22 (em Português, Artigo 22), de Joseph Heller, é um romance histórico americano, satírico, publicado em 1961 e que é considerado uma obra-prima da literatura americana, sendo, segundo consta (não consegui confirmar), leitura obrigatória no Ensino Secundário.

Passa-se no final da II Guerra Mundial e conta a história de Yossarian, um soldado da Força Aérea Americana e que está sempre à espera de atingir o número definido de missões para poder regressar a casa. Contudo, sempre que está a atingir essa "meta", o número obrigatório de missões aumenta. O livro conta, assim, a história de Yossarian e dos seus companheiros ao longo daqueles meses.

 

Ora, como referido, o livro é uma sátira. Assim, a história é contada sempre em tom de loucura, com episódios caricatos (mais do que caricatos, diga-se) e diálogos meio loucos que nos fazem pensar "wait, whaaaat???".

 

A título de exemplo, apresento um diálogo que decorreu mais ou menos assim:

 

- Você está a ser acusado de um crime.

- Que crime? 

- Isso ainda não sabemos, mas está a ser acusado de um crime. 

- Mas qual crime? 

- Vamos ver. Assine aqui esta folha.

...

- Pronto, o crime de que está a ser acusado é não ter assinado a folha com a sua letra verdadeira.

- Mas como? Esta é a minha letra.

- Não, a sua letra é esta - e apresenta uma folha manuscrita com outra letra.

- Não, a minha letra não é essa. É esta, da assinatura. 

- Não, vocês assinou com uma letra que não é a sua. E por isso vai ser acusado de crime.

 

 

A loucura do livro, dos diálogos, da história, do Artigo 22 (segundo este artigo, no livro, um soldado podia ir para casa se manifestasse loucura. Contudo, se um soldado dissesse "eu estou louco, tenho que ir para casa", não poderia ser considerado louco, porque o querer ir para casa e querer deixar de combater seria uma manifestação de sanidade mental e, portanto, estaria mentalmente capaz de combater. Por outro lado, se o soldado dissesse "eu quero ir combater", já poderia ser considerado "maluco" - porque só uma pessoa que não estivesse mentalmente sã poderia querer continuar a combater - e, portanto, poderia ser desmobilizado) são, na verdade, uma grande metáfora para a loucura que é a Guerra, para a loucura que foi a II Guerra Mundial. E penso que isso será, sem dúvida, o seu grande ponto de interesse. Tem diálogos loucos, surreais, mas que nos fazem pensar e reflectir sobre a condição humana.

 

No entanto, penso que em certas ocasiões foi um bocadinho "too much" e que fazia perder o interesse. Demorei a entrar no livro e demorei bastante tempo a lê-lo (comecei na semana entre o Natal e o Ano Novo e só acabei de o ler no Sábado). Não é que não estivesse a gostar, mas a verdade é que exigia de mim um grau de atenção e uma disponibilidade mental que nem sempre conseguia ter. E, lá está, por vezes o "too much" acabava por me querer fazer desistir. Mas eu sofro de perturbação obsessivo-compulsiva e não consigo deixar livros a meio (não, não sofro mesmo a sério, tenho é uma série de manias, ah ah). E vai daí que decidi que tinha que o acabar no passado fim-de-semana. E acabei.

 

Na generalidade, gostei. Não adorei, mas gostei. Foi uma leitura interessante, mas sei que não é para toda a gente. Basta ver os comentários no Goodreads e que eu consigo perceber perfeitamente.

 

Dei-lhe, naquela rede social, 3 estrelas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:45

Contagem Decrescente - Ken Follett

por Miúda Opinativa, em 18.06.16

O Ken Follett é o autor de três dos meus livros favoritos de sempre. A Trilogia "O Século". São três livros que, embora com algumas - pequenas - limitações, são muito muito muito bons. E que apesar das quase 1000 páginas cada, se lêem sem se dar por isso.

 

Li outros livros deste autor e apesar de nenhum deles ser tão bom como qualquer um daquela Trilogia, considerei-os sempre muito bons. Especialmente o "Estilete Assassino".

 

Há umas semanas, aborrecida com algumas situações, resolvi optar pela minha terapia de compras de livros. Queria um livro interessante, que me prendesse. E dei de caras com este. E teve que ser este. Ken Follett, Guerra Fria, Espiões... Tinha tudo para ser um livro bom, muito bom. Só que não (ou, como se diz agora, #sqn).

 

O melhor do livro é, sem dúvida, a premissa que está na base da história:

 

"1958: A Guerra Fria está no auge, os Soviéticos ultrapassam os Americanos nos primeiros passos da corrida para a conquista do espaço. Claude Lucas acorda, uma manhã, na Union State de Washington. Vestido com roupas de vagabundo, está afectado por uma amnésia que o impede de se recordar, entre outras coisas, do seu estatuto profissional. Acontece que ele é uma personagem central do próximo lançamento do Explorer I, um foguetão do exército dos EUA. Anthony Carroll, agente da CIA e velho amigo de Lucas, anda a seguir o caso. E convém-lhe que a amnésia não passe tão depressa..."

 

Isto é interessante, certo? O que é que raio aconteceu ao Lucas? Quem é o Lucas? É um espião soviético? É um americano "fiel" ao seu país? O que é que aconteceu? A verdade é que passadas as primeiras páginas - as mais interessantes -, rapidamente se percebe quem é quem e qual o seu papel na história. Porque, infelizmente, este livro está cheio de lugares-comuns, personagens previsíveis e sem grande profundidade. Chegamos lá rapidamente, não é preciso ser-se um Sherlock Holmes.

 

Como se a previsibilidade não fosse suficiente, temos, ainda, a componente romântica do livro. Não que eu me orgulhe disso, mas nos meus 16 anos consumi alguns livros do Nicholas Sparks. E porque é que essa informação é importante para esta opinião? Porque a componente romântica do livro me fez lembrar - e muito -, os livros do Nicholas Sparks. E perdoem-me os fãs desse autor, mas isso não é um elogio. Cenas de amor forçadas, diálogos descabidos, clichés ridículos. É assim que se desenrola o "amor" neste livro. Uma pirosada desnecessária, portanto.

 

É um livro que tinha tudo para ser interessante, mas que se perdeu, completamente, no caminho. Diálogos forçados, história mal interligada, sempre a achar-se "mas, mas... Não era isto!".

 

De interessante tem o facto de se desenrolar em dois momentos: 1941, quando as personagens eram estudantes universitários e os EUA entraram na II Grande Guerra (o que me faz lembrar de um dos episódios mais idiotas e descabidos do livro...) e 1958, em plena Guerra Fria. De resto... Foi uma desilusão.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:51

Daqui a nada

por Miúda Opinativa, em 08.05.16

Acabei de ler, ontem de manhã, o Daqui a nada, de Rodrigo Guedes de Carvalho.

 

Foi depois de o ler que soube que este é o primeiro romance do autor, escrito com 20 anos. E ao perceber isto fiquei "Wait.. What?" Como é que alguém com 20 anos consegue escrever daquela forma? Como é que alguém, com 20 anos, consegue imprimir tamanha profundidade às palavras, às freases, aos parágrafos?

 

É um livro que fala de relações falhadas, de promessas por cumprir, de sonhos e vidas desfeitas. De esperança e de desesperança. De vida. E de morte. De desaparecimento. De apagamento. 

 

Gostei. Não foi um livro fácil de ler. Pela escrita, pela forma como está construído (e desconstruído), pela minha vida nas duas últimas semanas. Mas gostei. Pela profundidade e pela reflexão que me permitiu.

 

Dei-lhe 4 estrelas no Goodreads.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:40


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D