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Elementos Secretos

por Miúda Opinativa, em 01.03.17

Não, este não é uma opinião / posta de pescada sobre o filme. Esta é uma opinião / posta de pescada sobre o livro. 

 

Comprei o livro num acto de impulso: não sabia muito bem qual era a história, não sabia muito a avaliação da crítica, não sabia nada muito bem. Vi a capa, já tinha ouvido falar bem do filme e li, meio por alto, o resumo na diagonal e "ok, vou comprar". 

 

Embora talvez seja um bocadinho desnecessário, porque nesta altura já todos devem saber qual é a história, deixo aqui a sinopse.

 

Quando o comecei a ler, fiquei surpreendida, porque não estava à espera daquele tipo de livro. Sabia que aquela era uma história real, mas achei que fosse em estilo romance. Mas não: o livro é um relato histórico que documenta a vida das personagens de forma "apenas" factual. Assim, é relatada a vida e a história das personagens, a forma como se desenvolveram e os feitos que alcançaram, mas sem grandes floreios. 

 

Confesso que este não é um estilo que me atrai muito. Quando comecei a ler e percebi que era assim, pensei em deixá-lo "pendurado" porque, de facto, não é aquilo que eu mais gosto. É curioso, até, porque gostando imenso de História, seria de esperar que adorasse est tipo de livros. Mas não. 

 

No entanto, decidi continuar. O livro não é muito grande e apesar de não ser, de facto, o estilo que mais me agrade, a história estava a interessar-me. 

 

E, oh boy, ainda bem que o fiz. É, de facto, impressionante que a história destas mulheres não seja mais conhecida, que se tenha perdido na História. Mas é, sobretudo, impressionante o papel que estas mulheres, negras (e, consequentemente, vítimas de duplo preconceito) tiveram no desenvolvimento aeroespacial dos EUA desde a II Guerra Mundial. É impressionante como este grupo de mulheres, que tinham muito contra elas, conseguiram vencer os preconceitos, os estereótipos (embora continuassem a sofrer com eles ao longo da sua carreira) e tornarem-se mais-valias incontornáveis. 

 

Ler este livro faz-nos pensar. Faz-nos perceber exactamente o que foram as leis segregacionistas de Jim Crow nos EUA e no quão ridículas (eufemismo) foram. Faz-nos pensar, uma vez mais, no quão estúpiod e hipócrita é os EUA estarem a lutar na Europa e a condenar a segregação judaica e terem aplicado o mesmo princípio aos seus negros. Não estou a dizer que a segregação judaica não deveria ter sido condenada e combatida, atenção; mas acho que, ao mesmo tempo, os EUA deveriam ter compreendido o perigo da segregação e do preconceito e ter terminado a segregação existente por lá.

Este livro faz-nos reflectir sobre o que as mulheres tiveram que lutar e penar para conseguirem chegar onde estão (sendo que ainda não estão ao mesmo nível dos homens). E, numa atitude mais umbiguista, faz-nos pensar no quão atrasados nós, portugueses, estávamos, de facto, nos anos 40, 50, 60. Porque nos EUA, apesar de toda a loucura, as mulheres, mesmo segregadas, chegavam às universidades e poderiam almejar a certos cargos, o que nunca na vida aconteceria por cá - nem sequer as mulheres, digamos, de "classes superiores". Quão estúpido é isto?

 

Mas este livros faz-nos pensar, também, que sim, é possível: é possível ultrapassar obstáculos, preconceitos, estereótipos. No entanto, as mulheres têm que ter as oportunidades. As meninas, as raparigas, têm que ter as oportunidades que os meninos, rapazes e homens. E é essa luta que ainda não acabou. 

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publicado às 09:56

Catch-22

por Miúda Opinativa, em 15.02.17

Catch-22 (em Português, Artigo 22), de Joseph Heller, é um romance histórico americano, satírico, publicado em 1961 e que é considerado uma obra-prima da literatura americana, sendo, segundo consta (não consegui confirmar), leitura obrigatória no Ensino Secundário.

Passa-se no final da II Guerra Mundial e conta a história de Yossarian, um soldado da Força Aérea Americana e que está sempre à espera de atingir o número definido de missões para poder regressar a casa. Contudo, sempre que está a atingir essa "meta", o número obrigatório de missões aumenta. O livro conta, assim, a história de Yossarian e dos seus companheiros ao longo daqueles meses.

 

Ora, como referido, o livro é uma sátira. Assim, a história é contada sempre em tom de loucura, com episódios caricatos (mais do que caricatos, diga-se) e diálogos meio loucos que nos fazem pensar "wait, whaaaat???".

 

A título de exemplo, apresento um diálogo que decorreu mais ou menos assim:

 

- Você está a ser acusado de um crime.

- Que crime? 

- Isso ainda não sabemos, mas está a ser acusado de um crime. 

- Mas qual crime? 

- Vamos ver. Assine aqui esta folha.

...

- Pronto, o crime de que está a ser acusado é não ter assinado a folha com a sua letra verdadeira.

- Mas como? Esta é a minha letra.

- Não, a sua letra é esta - e apresenta uma folha manuscrita com outra letra.

- Não, a minha letra não é essa. É esta, da assinatura. 

- Não, vocês assinou com uma letra que não é a sua. E por isso vai ser acusado de crime.

 

 

A loucura do livro, dos diálogos, da história, do Artigo 22 (segundo este artigo, no livro, um soldado podia ir para casa se manifestasse loucura. Contudo, se um soldado dissesse "eu estou louco, tenho que ir para casa", não poderia ser considerado louco, porque o querer ir para casa e querer deixar de combater seria uma manifestação de sanidade mental e, portanto, estaria mentalmente capaz de combater. Por outro lado, se o soldado dissesse "eu quero ir combater", já poderia ser considerado "maluco" - porque só uma pessoa que não estivesse mentalmente sã poderia querer continuar a combater - e, portanto, poderia ser desmobilizado) são, na verdade, uma grande metáfora para a loucura que é a Guerra, para a loucura que foi a II Guerra Mundial. E penso que isso será, sem dúvida, o seu grande ponto de interesse. Tem diálogos loucos, surreais, mas que nos fazem pensar e reflectir sobre a condição humana.

 

No entanto, penso que em certas ocasiões foi um bocadinho "too much" e que fazia perder o interesse. Demorei a entrar no livro e demorei bastante tempo a lê-lo (comecei na semana entre o Natal e o Ano Novo e só acabei de o ler no Sábado). Não é que não estivesse a gostar, mas a verdade é que exigia de mim um grau de atenção e uma disponibilidade mental que nem sempre conseguia ter. E, lá está, por vezes o "too much" acabava por me querer fazer desistir. Mas eu sofro de perturbação obsessivo-compulsiva e não consigo deixar livros a meio (não, não sofro mesmo a sério, tenho é uma série de manias, ah ah). E vai daí que decidi que tinha que o acabar no passado fim-de-semana. E acabei.

 

Na generalidade, gostei. Não adorei, mas gostei. Foi uma leitura interessante, mas sei que não é para toda a gente. Basta ver os comentários no Goodreads e que eu consigo perceber perfeitamente.

 

Dei-lhe, naquela rede social, 3 estrelas.

 

 

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publicado às 09:45


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