Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Sobre os Transportes de Lisboa

por Miúda Opinativa, em 22.06.17

Ok, eu sei, toda a gente se queixa e toda a gente se queixa há muito tempo. O meu post já vai tarde - mas, lá está, depois de 1 ano a não andar de transportes públicos, isto de voltar (e voltar nestas condições) custa um bocado. 

 

Custa pagar um passe mensalmente e ser raro o dia em que não exista uma perturbação numa linha qualquer do Metro (mesmo que não me afecte directamente). Custa pagar um passe mensalmente e o comboio que eu apanho de manhã se atrasar frequentemente. Custa ir enlatada numa carruagem porque só existem 3 carruagens na Linha Verde (e custa não perceber bem a história de só existirem 3 carruagens nessa Linha porque uma das estações não "aguenta" mais carruagens - afinal, eu ainda sou do tempo em que a Linha Verde tinha as 6 carruagens e passava em todas as estações... Alguém me explicar isto?). 

 

Eu sei que há vidas mais complicadas que a minha e mesmo assim eu sou uma sortuda, porque só apanho o comboio e o metro. Podia ter ainda que apanhar autocarro para ir para a estação, por exemplo, mas vou de carro e deixo-o lá. E saindo do metro, estou a 5-10 minutos a pé do trabalho. 

 

Mas custa. Nós pagamos por um serviço e o serviço não é bom - é cada vez pior. Nós pagamos por um serviço e por não termos alternativa, os prestadores desse serviço fazem o que querem. E pagamos cada vez mais por uma qualidade cada vez inferior. 

 

E ainda penso nos turistas. Lisboa é uma cidade cool, está na moda, está cheia de turistas. Veem-se mais turistas que lisboetas. O que é que eles pensarão disto? Como é que Lisboa pode ser tão cool se às vezes parece que vamos em vagões de gado?  

 

Eu que estou a gostar do meu trabalho, às vezes penso que queria mudar daqui por uns tempos só para não ter que andar nesta selva todos os dias. Eu que até não me importava de ficar a trabalhar até depois da hora - porque há sempre coisas para fazer e a verdade é que isso me adiantava trabalho -, acabo por não o fazer. Porque caso contrário, arrisco-me a chegar muito tarde a casa. 

 

Mas também pode ser só o casnaço a falar. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00

Os Mercados

por Miúda Opinativa, em 28.03.17

Há uns anos começou a "moda" de reabilitar Mercados, tornando-os em locais "tendência", in, obrigatórios. Em Lisboa, começou, julgo, pelo Mercado de Campo de Ourique. Posteriormente, a Time Out começou a explorar o Mercado da Ribeira e mais recentemente, foi a vez do Mercado de Algés ganhar uma nova "vida".  

 

E isto é tudo muito bonito, pois claro, porque reabilitar as coisas é sempre bom e proporcionar aos consumidores novos espaços de convívio é sempre bom, certo? Errado. Bom, pelo menos na minha opinião. 

 

Para mim, o Mercado da Ribeira, o mercado, desta nova "tendência", mais falado, é das coisas mais sobrevalorizadas em Lisboa. Tem corners interessantes, dando a possibilidade aos consumidores de ter acesso a restaurantes mais caros a um preço mais acessível mas, ainda assim, é sobrevalorizado e a qualidade-preço má. Por uma razão muito simples: aquilo é desconfortável para caraças. No Inverno, é frio. É uma confusão desgraçada e não consigo perceber como é que grupos têm a ideia de ir lá comer, uma vez que é mais provável o Trump se tornar num bom Presidente do que se encontrar uma mesa onde caibam mais de 4 pessoas juntas (se até duas às vezes é difícil!). Já para não falar que estamos a pagar caro para, no fundo, comermos em tabuleiros... 

 

O de Campo de Ourique, embora mais pequeno, é mais confortável e organizado. Ainda assim, é complicado, lá está, encontrar mesas para grupos. No fundo, comer em Mercados é quase como comer em centros comerciais. Mas em caro...

 

Resta, claro, o de Algés. Nunca lá fui, admito, mas pelo que oiço falar, é mesmo o pior. O mais pequeno, onde as filas para os restaurantes se cruzam com as mesas onde as pessoas comem. 

 

Eu não sou fã. Chamem-me velha do Restelo ou old school, mas eu cá prefiro um restaurante a sério. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:40

Acessibilidade em Lisboa? Boa piada

por Miúda Opinativa, em 06.03.17

Tenho uma amiga que é paraplégica.

Sendo uma amiga de longa data, já passámos por diversas situações que me fizeram abrir os olhos face à problemática da acessibilidade. Coisas tão simples como escolher um restaurante para irmos jantar ou um café para irmos lanchar deixam de ser tão simples. Antes de pensarmos se gostamos ou não da comida ou do serviço, pensamos "é acessível? Tem escadas? Se tiver escadas, conseguimos subi-las ou não?". A verdade é esta: só nos apercebemos como o Mundo não está adaptado a todas as pessoas quando temos alguém relativamente próximo com limitações físicas.

 

No outro dia, essa amiga e eu tivemos que ir à Basílica da Estrela. Antes de irmos, pensámos se seria ou não possível. Tem aquela escadaria principal, mas haverá alguma entrada acessível? Se não tiver, será que conseguimos subir aquela escadaria principal? Eu, estúpida e ingénua (e armada em super-mulher) disse "oh, os degraus não são muito altos, são só 4/5 de cada vez... Acho que consigo. Tantos anos de ginásio devem ter algum resultado... não?"

 

Pois, não.

Teria sido cómico, muito cómico, se não fosse dramático.

Estacionámos no lugar dos deficientes junto ao Jardim da Estrela e a primeira aventura foi eu, que a fui ajudar a sair do carro (era ela que ia a conduzir o seu carro adaptado, mas ela precisa de ajuda para entrar e sair), quase ter sido atropelada por um camião.

 

Segundo obstáculo: subir o passeio para irmos ter à passadeira.

Terceiro obsctáculo: descer o passeio na passadeira. Passeios rebaixados? Só em imaginação.

Quarto obstáculo: atravessar a estrada cheia de buracos. Desistimos de atravessar na passadeira, porque para tal teríamos que subir (e descer, claro) um daqueles passeios/separadores que, como é óbvio, também não era rebaixado.

 

Depois disto, lá chegámos à Basílica. Pequena nota: o dia estava de chuva e o vento era forte. Na Basílica concluímos que não, que não havia outra entrada. Se quiséssemos entrar, tinha mesmo que ser pela escadaria principal.

 

Vamos lá tentar, então. Eu bem tentei, mas não deu. Mesmo. Nem sequer levantei a cadeira 1 cm do chão. Afinal o ginásio não me deu assim tanta força.

 

"Então e agora?"

 

Bom, vimos um rapaz a estacionar o carro e decidi que ia pedir-lhe ajuda. Adorei o ar assustado dele quando me viu - com aquele vento todo, eu estava com um ar simplesmente tresloucado.

 

Mas assim que lhe expliquei o que queria, prontificou-se logo a ajudar-me. Depois ainda apareceram dois casais e os rapazes também ajudaram. Aí sim, foi um momento bonito. Pensei naquele programa da SIC, o "E se fosse consigo?" e pensei que aquelas pessoas passariam no teste. MUITO OBRIGADA.

 

Esta história serve apenas um propósito: Lisboa não é uma cidade acessível. Lisboa é uma cidade que parece uma corrida de obstáculos. A Basílica da Estrela, local turístico, tem espaço para fazer uma boa  rampa. Não ia estragar nada. E, ainda assim, não se faz, o que a torna um local de acesso quase impossível para algumas pessoas.

 

Quando é que tornamos a nossa capital uma cidade para todos?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:55


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D