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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

14
Mar17

Lion

Miúda Opinativa

Ontem à noite vi o Lion, um dos outros grandes filmes do ano. E este posso dizer que gostei. Senti-me um pequeno coração de pedra, porque só oiço falar de pessoas que choraram do início ao fim, e eu nem uma amostra de lágrima verti. No entanto, senti um aperto no coração, pelo que posso dizer que se calhar não sou um caso perdido e é possível que haja aqui alguma dose de sensibilidade.

 

O filme é muito bom e está muito bem interpretado. A história, verídica, é, efetivamente, angustiante. É sobre perdermo-nos, sentirmo-nos perdidos, e encontrarmo-nos. É sobre a importância do nosso passado, de sabermos quem somos, de onde viemos, quem são os nossos. É sobre a importância de conseguirmos estabelecer ligações. É sobre o amor que percebe, que compreende, que tenta ultrapassar todos os obstáculos. 

 

É curioso, porque acho impossível não nos relacionarmos, de certa forma, com o filme - embora a maioria de nós, felizmente, nunca tenha passado por nada que se assemelhe à história do filme. Mas todos nós reconhecemos a importância de sabermos quem somos e das nossas origens. E todos nós, embora de maneira diferente e por razões distintas, lutamos por sabermos quem somos. 

 

Para mim, dos três filmes que vi nomeados para os Óscars, este foi, sem dúvida, o que gostei mais (embora ainda queira dar uma segunda tentativa ao Manchester by the Sea). 

 

 

03
Mar17

Trainspotting 2

Miúda Opinativa

Só para ser diferente, vou falar de um filme que nada tem a ver com os Óscars, o Trainspotting 2.

 

Para ver este filme, acho importante ver (ou rever) o primeiro, o Trainspotting. Não é que o segundo não seja compreensível sem o primeiro, mas ajuda a perceber a sua verdadeira magnitude. Eu voltei a ver o primeiro antes de ver o segundo e penso que foi uma excelente ideia.

 

De uma maneira geral, gostei do filme. No entanto, e sendo óbvio que, sendo uma sequela, haverá sempre comparações entre o primeiro e o segundo, a verdade é que gostei mais do primeiro. Achei-o mais cru, mais disruptivo. Muito grunge dos anos 90, muito psicadélico, com cenas completamente twisted e muito fortes. Julgo que é um filme que só poderia ter sido feito naquela altura e talvez por isso é que eu gostei mais - porque é algo que, para mim, é completamente fora do comum, mas com uma realização de que gosto muito.

 

O Trainspotting 2 é, obviamente, um filme mais dos nossos dias, cujo final é um bocadinho claro desde o início. Tal como disse ao meu namorado, julgo que, na generalidade, é um filme sobre uma crise da meia idade (embora, claro, com especificidades muito próprias). É um filme sobre um grupo de amigos que se separa, se zanga e que se reencontra 20 anos mais tarde. Não é tão psicadélico nem tão original como o primeiro, mas traz para cima da mesa uma reflexão interessante sobre os dias de hoje, sobre o que somos hoje em dia (tenhamos sido ou não toxicodependentes). Apresenta cenas também muito fortes, emocionalmente intensas e a realização, mais uma vez, está muito interessante, com a apresentação, em simultâneo, de cenas do filme atual e do primeiro. 

 

Vale a pena ver. O ponto alto do filme? O discurso do Renton (brilhantemente interpretado pelo Ewan McGregor). Muito muito bom. E a banda sonora, claro. 

 

 

 

 

 

12
Mar16

Spotlight

Miúda Opinativa

Depois de o "Spotlight" ter vencido o Óscar de melhor filme, achei que fazia todo o sentido ir vê-lo ao cinema. Foi uma boa decisão.

 

Depois de ter ganho o Óscar, a minha opinião - ou posta de pescada - pode parecer um bocado idiota. Quer dizer, se já ganhou o prémio máximo, o que é que eu posso dizer que o possa valorizar ainda mais? Mas, ainda assim, não me abstenho de comentar.

 

É um filme excelente. Pela história, pelo que nos mostra do caso de pedofilia, pelo que nos mostra do trabalho jornalístico, pelas interpretações.

 

Mas vamos por partes.

 

Pedofilia

Assim de repente, a pedofilia é, para mim, um dos piores crimes que podem ser cometidos, se não mesmo o pior. E sim, podem-me falar em perturabação mental e o camandro, mas eu não quero saber. Pedofilia é crime, é nojento, e eu tenho ideias muito pouco católicas sobre o que podia ser feito aos pedófilos. E esta opinião aumenta quando sei que a pedofilia é praticada por certos tipos de grupos de pessoas, como o Clero. São Padres, pessoas que deviam ser confiáveis, pessoas cuja importância, especialmente em certos tipos de comunidades, é fulcral. São Padres, pessoas que, para certos grupos, são os representantes de Deus, essa figura tão importante, na Terra. Como uma das vítimas dizia no filme, o facto de ter sido abusado por um Padre não signfica "só" a perda de confiança numa pessoa de carne e osso, não significa só  a vergonha, a culpa. Não significa só o nojo. Significa, também, a perda de fé. Eu não sou uma pessoa religiosa, não sou católica, não sou nada; no entanto, respeito a fé e considero-a uma das coisas mais importantes que quem a tem, tem. E tirarem essa fé, porem em causa uma crença tão importante, é terrível. Contudo, talvez não tão horrível como destruírem a inocência, violarem a intimidade, de uma criança. Pedófilos, para mim, era... Enfim, melhor não dizer.

 

Trabalho jornalístico

Eu adoro jornalismo. No Secundário segui Humanidades com o objetivo de ingressar num Curso Superior de Jornalismo. E adoro, sobretudo, jornalismo de investigação. Acho interessantíssimo todo o trabalho, toda a dedicação, que leva meia dúzia de profissionais (ou um profissional) a pegarem num assunto sério, investigarem-no e esmiuçarem-no até ao limite para levarem uma boa história, uma história interessante, com valor, à população, que merece ter conhecimento desses temas. E por isso este filme também é tão interessante - porque nos mostra esse lado do jornalismo, com todas as suas dificuldades Esse lado por vezes esquecido, ultrapassado por um "jornalismo" sensacionalista, que não se preocupa com a veracidade dos factos mas com o sangue que pode surgir.

 

Interpretações

Muito muito boas. Eu tenho uma pequena paixão platónica pelo Mark Ruffalo e acho que ele está francamente bom neste filme. Mas não é o único. Estão todos, todos, óptimos.

 

É, mesmo, um filme que vale a pena ver. É um pequeno murro no estômago, sem dúvida, mas vale muito a pena.

19
Fev16

Deadpool

Miúda Opinativa

Ontem à noite fui ver o Deadpool. Confesso que só fui ver este filme porque fui desafiada pelo meu rapaz, uma vez que apesar de gostar da temática "super-heróis", não costumo ver adaptações cinematográficas (a última que vi foi o Spider-Man. O primeiro com o Tobey Maguire. Há muito tempo, portanto). Para além disso, não conhecia, até ter visto o trailer, este super-herói (se é que o Deadpool pode ser considerado super-herói... Mas, bem, já lá vamos).

 

Bom, como disse, fui desafiada pelo rapaz e aceitei facilmente - "Vamos sim, estou a precisar de um filme descontraído, leve e com piada". E não me arrependo. Cumpriu o objetivo e, na verdade, superou as expetativas - que, confesso, não eram muito altas. Estava, de facto, à espera de um filme parvo e com alguma piada, mas não esperava muito mais e não ficaria surpreendida se, a dada altura, aquilo me começasse a cansar. Quer dizer, afinal de contas, é protagnizado pelo Ryan Reynolds, um ator que, por vezes, me irrita assim um bocadinho... Contudo, isso não aconteceu.

 

É um filme parvo, com piada, leve e descontraído. Mas é também um filme com sarcasmo, com referências a situações extra-filme, com momentos de auto-gozo e, pasme-se, o Ryan Reynolds esteve bem. Não vai ganhar nenhum Óscar com o filme, claro está, mas teve piada sem irritar. É uma história simples, com uma premissa simples (como se pretendia) e as personagens, não sendo do mais complexo que há, estavam relativamente bem construídas.

 

Não é um filme típico de super-heróis. Por um lado, a base da história não é lá muito heróica (é, antes, muito humana....) e, por outro, o Deadpool é quase um anti-herói - não vou entrar em pormenores para não spoilar. Mas é uma personagem com muita piada.

 

Não, o Deadpool não é um filme altamente complexo profundo; sim, tem piadas fáceis e algumas a roçar o ordinário e politcamente incorreto (por isso, para quem se escandaliza facilmente, se calhar não é uma boa opção). Mas a verdade é que nem todos os filmes têm que ser sérios, dramas, complexos ou profundos. E este filme, não sendo nada disso, é um filme bom, que cumpre o objetivo pretendido: um filme de "super-heróis" diferente que entretém e diverte.

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