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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

05
Jun17

Keep Calm and Carry On

Miúda Opinativa

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Eu não sei se há muita gente a saber isto ou não (apenas sei que quando falo disto a outras pessoas, nunca ninguém sabe), mas esta imagem, actualmente muito utilizada e adaptada às mais diversas situações, foi criado no início da II Guerra Mundial pelo Governo do Reino Unido e distribuído pela população. O objectivo era acalmar as pessoas e dizer-lhes que mantivessem a sua vida normal, dentro do possível.

 

E os Ingleses fizeram-no. Dentro do possível. No meio dos bombardeamentos, das blitz, de toda a destruição. As pessoas lutaram. Civis fizeram o que podiam fazer no seu próprio território. E acabaram por vencer a guerra.

 

Eu sei que o que vou escrever não é nada de novo. Mas tendo em conta os últimos acontecimentos em Londres, acho que é bom lembrarmo-nos disto. Que a vida continua. Que não podemos ficar com medo. Que temos que lutar sem entrar em pânico. É isso que eles querem.

20
Abr17

Os Millenials serão mesmo "pessoas más"?*

Miúda Opinativa

Nos dias que correm, escreve-se sobre tudo, comenta-se tudo. Nada contra, atenção, até porque eu também o faço. No entanto, por vezes, ao falar-se até à exaustão sobre determinadas questões, incorre-se num risco. Aliás, incorre-se em vários riscos. Podemos não dizer nada de novo e a repetição torna-se, eventualmente, aborrecida; podemos, de forma a tentar sermos diferentes, tornarmo-nos exagerados; podemos, no limite, acabar por sermos injustos.

Um dos grandes assuntos da década são os Millenials - essa geração, nascida entre o início dos anos 80 e meados dos anos 90 e que é percepcionada, frequentemente, de forma tendencialmente negativa. Somos tidos (e digo somos porque eu nasci neste intervalo de tempo) como egocêntricos, centrados em si próprios, que vivem as suas vidas nas redes sociais. Somos vistos com aquelas pessoas com quem trabalhar é difícil porque somos arrogantes (porque achamos que sabemos tudo), porque não somos dedicados às Organizações, porque estamos sempre a querer mudar, porque não somos, no limite, fiéis. E isto não me parece justo (e, nalguns casos - não tão poucos assim, nem sequer verdadeiro).

Em primeiro lugar, parece-me um bocadinho abusivo agrupar num mesmo grupo, atribuindo características semelhantes aos elementos desse grupo, pessoas nascidas entre o início dos anos 80 e meados dos anos 90. A verdade é esta: uma pessoa nascida em 1982 é completamente diferente de uma pessoa nascida em 1995. O meu irmão, nascido em 1986, eu (nascida em 1989) e a minha irmã (nascida em 1995) somos pessoas completamente diferentes. Temos uma postura completamente diferente em relação a praticamente todos os aspectos. E, parece-me, temos uma postura semelhante à dos nossos pares em termos de faixa etária.

Em segundo lugar, não consigo deixar de considerar injusta a opinião negativa que existe sobre esta geração por, por exemplo, não sermos "fiéis às organizações" nem querermos abdicar completamente da nossa vida pessoal em favor da nossa vida profissional. A verdade é esta: esta geração, a geração tida como mimada e que sempre teve tudo o que quis - teoricamente -, é a geração que se calhar mais dificuldade teve em entrar no Mercado de Trabalho. É a geração que nem sempre viu o seu esforço recompensado. É a geração a quem foi dito "estuda e trabalha para seres alguém na vida" e depois anda a saltar de estágio em estágio. Por mais que se esforce, por mais que tenha trabalhado, há sempre um mundo lá fora, independente do seu esforço, que está pronto para o atirar ao chão.

 

E é por isso que não nos sentimos obrigados a ser fiéis às Organizações. É por isso que valorizamos mais a nossa vida pessoal em detrimento da vida profissional: porque sabemos que não é por sermos fiéis às organizações, por desprezarmos a nossa vida pessoal, que as organizações nos vão ser fiéis. Porque somos um número que a qualquer momento pode ser riscado. Porque sabemos que somos vistos como um custo e não como  uma mais valia. Porque vimos os pais da nossa geração, que sempre deram tudo às organizações onde trabalharam, a serem despedidos porque eram "demasiado caros" (e um estagiário pode sempre fazer o mesmo trabalho de graça).

 

Não, não somos egoístas nem individualistas nem pouco dedicados. Se calhar, só deixámos de ser estúpidos.

 

*Originalmente, ia publicar este texto no LinkedIn. Pus essa ideia em stand-by, porque embora queira começar a ser lida naquela rede, e eventualmente reconhecida, não quero ferir eventuais susceptibilidades...

23
Fev17

Eu voto no presidente da Islândia

Miúda Opinativa

Pelos vistos, este assunto está na ordem do dia. E eu, se pudesse, bania o ananás das pizzas. Assim, escusava de passar pela esquisitinha que não gosta de ananás na pizza - era proibido e pronto, não havia essa opção de escolha e ninguém ficava chateado - nem quem gosta e, por minha culpa, não põe, e nem quem não gosta e, por culpa de quem gosta, põe. Claro que é sempre possível retirar o ananás, mas ficam sempre resquícios do sabor e sim, isso é capaz de estragar uma pizza. 

 

Eu gosto de ananás, mas não gosto de ananás na pizza. Não é assim tão difícil de compreender. O ananás é uma fruta e é uma coisa saudável. A pizza é uma gordice, nada saudável, e portanto não faz sentido incluir lá fruta. É só isso. 

 

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É uma daquelas situações em que sim, dá vontade de gritar "Distiiiiiique!". Não faz sentido. Não faz sentido.

 

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And yet, parece que sou uma minoria. 

 

- O meu namorado gosta de ananás na pizza (mas eu ganho sempre!);

- As minhas colegas de trabalho gostam de ananás na pizza (e aqui perco);

- As minhas amigas gostamd de ananás na pizza (e aqui encontra-se um meio-termo). 

 

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É isto. Vamos banir o ananás das pizzas? 

20
Fev16

Pronto, vou falar sobre isso - Caxias

Miúda Opinativa

Ok, não vou falar sobre o caso especificamente - porque, lá está, não tenho conhecimentos válidos para falar sobre isso -, mas apetece-me falar sobre este loop de opiniões. Contra mim falo, claro está, que sou uma "Miúda Opinativa", mas faz-me confusão a rapidez com que se formam opiniões que rapidamente se transformam em verdades absolutas e irrevogáveis. Tão irrevogáveis, claro, como a decisão de Paulo Portas no Verão de 2013.

 

A mãe das meninas, quando se falou a primeira vez do caso, era uma maluca que matou as filhas. Depois, afinal não - afinal era vítima de violência doméstica, uma mártir que preferiu morrer e levar as filhas para a morte a deixá-las com um pai abusivo. Aqui, o monstro, para além do pai, era o Estado, que deixou que tudo isto acontecesse, que face às queixas de violência doméstica e de abuso sexual não fez nada. Nesta mesma altura já tinha comentado com a minha mãe que me fazia confusão a rapidez com que se formam e mudam opiniões e "a ver se não se descobre que afinal as queixas não eram fundamentadas e que afinal a mulher queria incriminar o marido, ou ex-marido, ou lá o que era porque era maluca" (sim, eu sou um bocadinho twisted). E entretanto chegámos a isto: evidências sugerem que afinal o pai fez queixa antes da mãe, que afinal a mãe terá, alegadamente, "inventado" a violência doméstica e os abusos sexuais e que até apresenta quadros de perturbação piscológica. E agora, face a tudo isto, a mãe é um monstro, o pai é um santo, e o Estado não é eficaz a lidar com assuntos desta índole.

 

Eu acho muito bem que as pessoas tenham opiniões, que as pessoas discutam sobre a atualidade - seja ela qual for. Mas faz-me alguma confusão, como já disse, a rapidez com que as opiniões se desenvolvem em verdades absolutas inequestionáveis. Como uma opinião se transforma num "eu é que sei, ela é uma besta", sem se saber exatamente tudo o que se passou, como é que se passou.

 

Passou-se o mesmo em 2007, com o McCann, que passaram de bestiais e bestas em tão pouco tempo. Em que de vítimas passaram rapidamente, as olhos da opinião pública - que não tinham os conhecimentos do caso para tal -, para monstros, capazes de matar a filha, fazer desaparecer o corpo e montar todo aquele "espetáculo". Isto numa altura em que a única culpa que poderia ser efetivamente apontada - e que não era pouca, atenção - era o facto de terem deixado 3 crianças pequenas a dormir num quarto de hotel sozinhas.

 

Atenção, não estou com isto a dizer que a mãe das meninas não possa ser, de facto, uma pessoa doente, louca ou criminosa; no entanto, acho que é preciso ter alguma cautela com os juízos precoces de valor, com as opiniões precipitadas sobre situações e pessoas que não conhecemos. Porque corremos o risco de fazer de mártires monstros. Ou vice-versa.

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