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Sobre os psicólogos que vão falar à televisão

por Miúda Opinativa, em 04.04.17

Um dos problemas da Psicologia prende-se com o facto de não ser uma Ciência que a opinião pública tenha em grande consideração. Para quem está de fora, a Psicologia é uma pseudo-ciência, algo que se aproxima da astrologia (sendo que, muitas vezes, a astrologia é tida em melhor consideração que a Psicologia), e que, na verdade, não é nada de especial, porque todos ouvimos os problemas dos nossos amigos.

 

Enquanto estudante de Psicologia, ouvi coisas espectaculares sobre esta ciência. E a pessoa vai levando, porque, enfim, não quer causar confusão, não quer arranjar problemas. Mas é ligeiramente triste que, sendo uma Ciência tão importante e podendo ter um contributo para a sociedade tão relevante, seja levada tão a brincar.

 

No entanto, ao longo do tempo fui-me apercebendo de outra coisa: muitas vezes, são os próprios psicólogos que desacreditam a sua ciência e desvalorizam o seu próprio trabalho. Exemplo disso são os comentários que estes profissionais tecem sobre determinadas situações.

 

Exemplo: no jornal da SIC, um psicólogo comentou a situação do "jogador" de futebol que deu o pontapé ao árbitro (situação já de si triste e que merecia uma posta de pescada). Numa primeira fase, muito bem, referiu que provavelmente a alegada falta de memória não é possível numa situação destas - é um comentário que, na minha opinião, faz sentido, porque está a dar a sua opinião, com base na sua experiência e conhecimento, sobre algo. Mas logo a seguir, estraga o seu trabalho quando, depois de o jornalista perguntar se consegue traçar um perfil do "jogador", ele começa então a dizer uma série de coisas sobre a dita pessoa.

 

A minha questão é: com base em quê é que o psicólogo se baseia para traçar este perfil? Com base em que avaliações é que o psicólogo se baseia para dizer o que disse? Por acaso esteve com o homem em consultório? Por acaso falou com ele? Terá o homem respondido a questionários de personalidade? Não me parece.

 

A Psicologia é uma ciência. Não é algo que deva ser utilizado para "traçar perfis psicológicos" a pessoas específicas sem se ter contacto com elas. Digo eu, que não percebo nada disto.

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publicado às 12:10


4 comentários

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De Chic'Ana a 04.04.2017 às 12:19

Concordo, e o falar levianamente faz com que coloque em causa a profissão, porque já se sabe que por um pagam muitos...
Beijinhos
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De Miúda Opinativa a 05.04.2017 às 10:25

É isso mesmo. Faz-me muita confusão!
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De Robinson Kanes a 04.04.2017 às 15:52

Só umas correcções: o que dizes da psicologia só se for em Portugal, noutros países é algo com um alcance bem grande… em Portugal também há muitos licenciados em psicologia, já os psicólogos são poucos :-)

A Psicologia, como outras áreas em Portugal estão a ser destruídas nos meios de comunicação. Além disso, hoje em dia a exigência nas faculdades deixa muito a desejar.
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De Miúda Opinativa a 05.04.2017 às 10:29

Hum... Sim, falo de Portugal. De outros países não falo, porque não conheço ;) O que dizes em relação ao número de psicólogos vs. licenciados também é verdade. Embora isso possa ter vários sentidos. É verdade que há muita gente que se diz psicólogo (com agregação na Ordem, etc.) e depois... nem por isso; mas também é verdade que nem todos os licenciados em Psicologia são psicólogos - porque, atenção, não têm que o ser. Para se ser Psicólogo, nesta altura do campeonato, é necessário estar na Ordem dos Psicólogos; no entanto, há algumas vertentes da Psicologia (como, por exemplo, Psicologia dos Recursos Humanos) que não necessitam desta agregação para que se possa exercer. O que também faz com que haja muitos licenciados em Psicologia e menos psicólgoos ;)

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