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Sobre isto do Terrorismo

por Miúda Opinativa, em 24.05.17

Eu tinha 12 anos aquando o 11 de Setembro. Lembro-me exactamente de como "ouvi" pela primeira vez que algo tinha acontecido (na verdade, não ouvi. Estava no Centro Comercial e quando passei pela loja de televisões/aparelhos de som, etc., estava um pequeno grupo cá fora a olhar para a televisão. Não consegui ver exactamente o que se passava, mas percebi que era algo confuso. Só quando cheguei a casa é que liguei a TV - ia ver a Malhação -, e percebi que não era só "algo confuso". E não vi a Malhação durante... nem sei quanto tempo). Lembro-me que esse foi o meu primeiro contacto com o terrorismo. Sim, havia guerras (lembro-me da guerra em África, da guerra do Kosovo), mas isso eram guerras. Aquilo era outra coisa diferente (era essa a percepção de uma miúda de 12 anos). 

 

Bem, a verdade é que são duas coisas diferentes. Quando existem ataques terroristas, o nosso país está, supostamente, em paz e somos apanhados no meio de uma coisa que não deveria acontecer (e atenção, não estou a dizer que as guerras deveriam acontecer). 

 

Lembro-me de se falar sempre que os terroristas não podem vencer. E que a vitória deles passará também pelo facto de as pessoas deixarem de fazer as suas vidas com medo de ataques terroristas. Deixarem de andar de avião. Deixarem de ir a locais onde vão estar multidões. Olharem de lado para muçulmanos. Isso é a vitória do Terrorismo: espalhar o terror e as pessaos terem medo de viver. 

 

Eu não quero ter medo de viver. Eu quero continuar a andar de metro e comboio todos os dias sem pensar que algum maluco se pode explodir lá dentro. Eu quero ir ao Alive em Julho sem pensar que algum maluco se pode explodir lá dentro. Eu quero viajar sem ter medo de não chegar ao destino. Se eu fosse crente e tivesse ido a Fátima, gostaria de ter ido sem pensar que naquele local, com todo aquele simbolismo, poderia haver um ataque terrorista. 

 

No entanto, cada vez mais é isto que acontece. Imagino que de todos os perigos que os pais pensaram quando deixaram os seus filhos irem ao concerto da Ariana Grande, este não fazia parte do leque de escolhas. 

 

"Pai, mãe, posso ir ao concerto da Ariana Grande?"

- Então mas vais como? E a que horas é? E a que horas voltas? Como voltas? As pessaos bebem? As pessoas drogam-se? Ok, vais. Eu vou contigo ou já tens 16 anos, podes ir sozinha. Ai, a minha filha está tão crescida, está aqui está a ir para a Universidade. É isto, os filhos crescem, temos que os deixar explorar o Mundo, criarem asas e irem às suas vidas. 

 

Ninguém terá pensado que, de entre todos os perigos, iria acontecer um ataque terrorista. Mas houve. E se calhar, a filha já não vai para a Universidade, não vai criar asas para criar a sua vida e ser tudo aquilo que poderia ser. Porque há o Terrorismo no Mundo. 

 

Não queremos que o Terrorismo vença e queremos continuar a viver a nossa vida.

 

Mas que vida é esta? Que mundo esperam os meus sobrinhos? 

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publicado às 10:00


8 comentários

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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 10:15

É um mundo triste, um mundo sem respeito pela vida humana, um mundo onde se mata com a facilidade com que se troca de camisa... é um mundo assustador!
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De Miúda Opinativa a 24.05.2017 às 13:51

É um Mundo assustador. A verdade é que o Mundo sempre foi um lugar assustador, sempre houve guerras, sempre houve doenças... Resta-nos esperar que tal como das outras vezes, as pessoas consigam ir vivendo as suas vidas!
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De Lápis Roído a 24.05.2017 às 23:55

Da lista de coisas más que os pais podiam esperar num concerto da Ariana Grande, a que vinha no topo seria: ferir os tímpanos do/da meu/minha filho/a =P
Agora a sério, a vitória desta gente será mesmo impedir-nos de fazermos o que quisermos num espaço que é multicultural e multiétnico. O pior é que estão a conseguir. Há muita gente que já pensa duas vezes antes de ir enfiar-se num sítio qualquer pejado de pessoas
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De Miúda Opinativa a 25.05.2017 às 09:08

Xiiii, agora foste mauzinho XD (embora concorde que a qualidade musical fique muito a desejar!).

Mas sim, o pior é que começam a conseguir. Já não fazemos certas coisas sem pensar se voltamos ou não... Mas o que eu penso é "que caraças. Eu ia sendo atropelada dezenas de vezes numa passadeira a 100 metros de casa. Podemos morrer em qualquer lado. Não vale a pena!" ;)
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De Lápis Roído a 25.05.2017 às 10:40

Permite-me corrigir: eu sou mauzinho =P Fenómenos entre os adolescentes. Na minha altura eram os Backstreet Boys e as Spice Girls. Pior: eram os Excesso =P
Concordo em absoluto. Se tiver que morrer aqui, não vou morrer numa queda de avião e vice-versa. Não é desprezo pela vida, mas vamos deixar de vivê-la com medo que aconteça algo? Então não saímos de casa e aí estamos relativamente tranquilos... até nos cair um avião em cima ou sermos fulminados por um relâmpago! =P Muito dramático, não é? Ok, já parei =P
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De Miúda Opinativa a 26.05.2017 às 08:00

Pode parecer dramático, mas é a realidade. Nós bem nos podemos tentar proteger de alguns perigos, mas às vezes as coisas são tão aleatórias... Eu estudei durante toda a minha vida numa boa escola mas que estava muito perto de um famoso bairro de lata (pelo menos na zona). Saíamos no intervalo de almoço, "convíviamos" de perto com os toxicodepentendes desse bairro, e nunca me aconteceu nada. Desde os 14 anos que venho a pé sozinha da natação à noite. A distância é curta, é verdade, a zona é calma, e felizmente, como seria esperado, nunca me aconteceu nada.

A única vez que fui assaltada, com direto a faca apontada à barriga e tudo, foi na Avenida de Roam (zona nobre de Lisboa, portanto), às 14h30 da tarde, plena luz do dia 26 de Dezembro (não houve cá espírito natalício para o assaltante). Era esperado? Óbvio que não! Mas aconteceu. Ou seja, acho que sim, que podemos tentar ser cuidadosos (não vamos, por exemplo, conduzir a 200 km/h só porque podemos ter um acidente a 50 e morrer), mas não devemos deixar de viver. Porque as coisas más acontecem mesmo quando nada o faz prever ;)
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De Lápis Roído a 26.05.2017 às 16:54

De acordo. As coisas mais inusitadas acontecem mesmo nas alturas e lugares mais improváveis. Quando parece que estamos pertíssimo do perigo, não nos acontece nada. Já quando achamos que podemos estar descontraídos é aí que somos "apanhados na curva".
Curiosa essa história do assalto. Curiosa no sentido em que tem muitas semelhanças com a minha. Campo Grande, 13:30 horas e uma faca apontada à barriga. Já lá vão 11 anos e foi em Janeiro. Queres ver que foi o mesmo larápio? =P
Não devemos ser descuidados e facilitar, mas deixar de viver porque acontece isto e aquilo também não. Nem sequer me lembro dessa possibilidade quando estou em locais com muita gente. Aliás, nem tenho que pensar. As autoridades é que devem fazer esse trabalho.
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De Miúda Opinativa a 26.05.2017 às 23:23

É isso mesmo :)

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