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Se um dia mandar...*

por Miúda Opinativa, em 21.06.17

Acabo com a possibilidade de exploração de situações de tragédia. Sim, todos nós nos chocámos - e ainda bem que nos chocámos, signfica que temos empatia -, com os incêndios. Todos nós lamentámos as mortes, pensámos no sofrimento dos familiares das vítimas. Eu pensei nisso e escrevi sobre isso.

 

Mas isso é uma coisa. Outra coisa completamente diferente é a exploração que a Comunicação Social faz disso. É o mostrar o rosto e a história de cada vítima não como forma de a dignificar mas apenas para vender e para obter cliques. Irrita-me verdadeiramente.

 

Não é isso que interessa. Não é isso que interessa às famílias ou aos entes queridos. Estes querem procurar paz, não querem ter pessoas, que se dizem jornalistas, à porta e nas redes sociais à procura de algo que venda. De uma história, bonita ou triste, que chame a atenção. A história destas pessoas é uma história normal, igual à de tantas outras, que terminou de uma forma terrivelmente má. Não exploremos isso. Já basta o que sofreram. Deixem-nas descansar em paz. Deixem as famílias em paz.

 

Agora o que interessa é avançar. Verificar o que correu mal e corrigir. Corrigir todas as situações que levaram a que isto acontecesse.

 

Sim, às vezes acho que se mandasse, eu seria ligeiramente ditadora...

 

 

*Não vai acontecer.

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publicado às 10:00


9 comentários

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De Chic'Ana a 21.06.2017 às 10:03

Já basta de explorar os sentimentos das pessoas. Isto não é uma competição de sensacionalismo...
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De Miúda Opinativa a 22.06.2017 às 00:35

Será que não é mesmo uma competição de sensacionalismo? Às vezes imagino-os numa sala a gritarem uns para os outros "eu fui mais idiota que tu!" "não, eu é que fui!" "Ora façamos um brinde à nossa estupidez!"
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De Marta a 21.06.2017 às 14:55

Hoje fiquei chocada com dois jornalistas que foram incomodar um bombeiro que se deveria ter sentado pela primeira vez em horas. Bombardearam-no com perguntas e o pobre senhor parecia nem ter forças para falar. Só dizia "é muito difícil, é muito difícil".
Quero acompanhar a situação para saber se à meio de terminar, mas realmente, ainda me irrita mais ter que lidar com o trabalho de determinados jornalistas.
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De Miúda Opinativa a 22.06.2017 às 00:36

É isso. Nós queremos acompanhar para perceber a evolução, não para explorar a tragédia...
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De Lápis Roído a 21.06.2017 às 17:50

Vai lá dizer isso à Judite e ela ainda te responde que não recebe lições morais.
De facto, não podemos proibir essas situações a partir do momento em que existe (e ainda bem) liberdade de expressão. O problema é partirmos do pressuposto que muitos jornalistas respeitam a ética profissional a que estão obrigados e isso, é claro, não acontece. Educação e civismo precisa-se. Proibicionismo não pode ser ;)
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De Miúda Opinativa a 22.06.2017 às 00:37

Toda eu sou pela liberdade de expressão. Mas também sou pela ética profissional. E se um jornalista não apresenta essa ética, então a sua carteira profissional deveria ser retirada. Da mesma maneira que se um Psicólogo não tiver ética profissional, SUPOSTAMENTE também deixa de poder exercer. Até o Quintino Aires está proibido de exercer...
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De Lápis Roído a 22.06.2017 às 01:05

Mas aí são situações diferentes. As regras da ética para a psicologia não são as mesmas para o jornalismo. O jornalista pode sempre alegar que está a cumprir o dever de informar e ao retirarem-lhe a carteira profissional pode dizer que estão a limitá-lo na liberdade de expressão. É sempre complicado
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De Miúda Opinativa a 22.06.2017 às 09:19

Percebo o que estás a dizer. No entanto, julgo que existe um Código de Ética que dirá aquilo que um jornalista poderá ou não fazer. E julgo que o racional deveria ser "saber que morreu uma criança de 5 anos que ia com o tio que estava a cuidar dele porque os pais foram de lua-de-mel" é informação relevante para o público em geral? Não é? Então não se publica. E a verdade é que esse tipo de "informação" não é relevante. Não nos acrescenta nada, não vamos fazer nada com ela, não é isso que nos vai permitir saber o que corre mal no ordenamento do território que causou tantas mortes.

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De Lápis Roído a 22.06.2017 às 10:22

Concordo. Há muita informação que é irrelevante, que não acrescenta nada de substancial ao que é essencial e que não eleva o bom nome do jornalismo. Isso também se deve ao número de horas no terreno que estão obrigados a fazer. Têm que encher chouriços com o que presta e, sobretudo, com o que não presta. Até a RTP, que sempre respeitei pela escolha de conteúdos a apresentar, foi no embrulho e pôs-se a entrevistar familiares de vítimas. Têm sido horas e horas de gente destroçada a chorar na televisão. Enfim...

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