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Opiniões e Postas de Pescada

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20
Abr17

Os Millenials serão mesmo "pessoas más"?*

Miúda Opinativa

Nos dias que correm, escreve-se sobre tudo, comenta-se tudo. Nada contra, atenção, até porque eu também o faço. No entanto, por vezes, ao falar-se até à exaustão sobre determinadas questões, incorre-se num risco. Aliás, incorre-se em vários riscos. Podemos não dizer nada de novo e a repetição torna-se, eventualmente, aborrecida; podemos, de forma a tentar sermos diferentes, tornarmo-nos exagerados; podemos, no limite, acabar por sermos injustos.

Um dos grandes assuntos da década são os Millenials - essa geração, nascida entre o início dos anos 80 e meados dos anos 90 e que é percepcionada, frequentemente, de forma tendencialmente negativa. Somos tidos (e digo somos porque eu nasci neste intervalo de tempo) como egocêntricos, centrados em si próprios, que vivem as suas vidas nas redes sociais. Somos vistos com aquelas pessoas com quem trabalhar é difícil porque somos arrogantes (porque achamos que sabemos tudo), porque não somos dedicados às Organizações, porque estamos sempre a querer mudar, porque não somos, no limite, fiéis. E isto não me parece justo (e, nalguns casos - não tão poucos assim, nem sequer verdadeiro).

Em primeiro lugar, parece-me um bocadinho abusivo agrupar num mesmo grupo, atribuindo características semelhantes aos elementos desse grupo, pessoas nascidas entre o início dos anos 80 e meados dos anos 90. A verdade é esta: uma pessoa nascida em 1982 é completamente diferente de uma pessoa nascida em 1995. O meu irmão, nascido em 1986, eu (nascida em 1989) e a minha irmã (nascida em 1995) somos pessoas completamente diferentes. Temos uma postura completamente diferente em relação a praticamente todos os aspectos. E, parece-me, temos uma postura semelhante à dos nossos pares em termos de faixa etária.

Em segundo lugar, não consigo deixar de considerar injusta a opinião negativa que existe sobre esta geração por, por exemplo, não sermos "fiéis às organizações" nem querermos abdicar completamente da nossa vida pessoal em favor da nossa vida profissional. A verdade é esta: esta geração, a geração tida como mimada e que sempre teve tudo o que quis - teoricamente -, é a geração que se calhar mais dificuldade teve em entrar no Mercado de Trabalho. É a geração que nem sempre viu o seu esforço recompensado. É a geração a quem foi dito "estuda e trabalha para seres alguém na vida" e depois anda a saltar de estágio em estágio. Por mais que se esforce, por mais que tenha trabalhado, há sempre um mundo lá fora, independente do seu esforço, que está pronto para o atirar ao chão.

 

E é por isso que não nos sentimos obrigados a ser fiéis às Organizações. É por isso que valorizamos mais a nossa vida pessoal em detrimento da vida profissional: porque sabemos que não é por sermos fiéis às organizações, por desprezarmos a nossa vida pessoal, que as organizações nos vão ser fiéis. Porque somos um número que a qualquer momento pode ser riscado. Porque sabemos que somos vistos como um custo e não como  uma mais valia. Porque vimos os pais da nossa geração, que sempre deram tudo às organizações onde trabalharam, a serem despedidos porque eram "demasiado caros" (e um estagiário pode sempre fazer o mesmo trabalho de graça).

 

Não, não somos egoístas nem individualistas nem pouco dedicados. Se calhar, só deixámos de ser estúpidos.

 

*Originalmente, ia publicar este texto no LinkedIn. Pus essa ideia em stand-by, porque embora queira começar a ser lida naquela rede, e eventualmente reconhecida, não quero ferir eventuais susceptibilidades...

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