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Opiniões e Postas de Pescada

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21
Jul17

In the end... Does it matter?

Miúda Opinativa

Eu não sou uma pessoa muito sensível. Bem, se calhar sou. Se calhar não gosto é de demonstrar a minha sensibilidade. Mas gosto de ser pragmática. Talvez seja um mecanismo de defesa, uma racionalização, mas sim, vejo certas questões, que geram sofrimento, de uma forma muito pragmática.

O meu Avô morreu há 7 anos depois de 1 ano de muito sofrimento. Muito mesmo. De decadência de uma pessoa que sempre tentou ser activa - apesar de todas as limitações que a partir de determinada altura surgiram. De demência. De total dependência. E portanto, quando o meu Avô morreu - o meu Avô de mãos grandes, com quem eu jogava à bola, que me levava às cavalitas. O meu Avô que tinha um colo onde eu me aninhava, que contava histórias da sua infância e adolescência que eu adorava - eu pouco chorei. Fui pragmática. Porque o meu Avô já não era o meu Avô. Porque se o meu Avô - o senhor de mãos grandes que sempre quis ser activo - percebesse o estado em que estava, e se tivesse capacidade para tal, seria o primeiro a dizer para acabar com aquilo. Racionalizei - o meu Avô morreu. Mas já não sofre. Já não sofremos. Pode descansar (e sim, nessa altura até pensei "pode ir ter com a minha Avó").

 

Isto tudo para dizer que normalmente tento ser pragmática. E que me faz sempre alguma confusão quando as pessoas ficam muito chorosas e desgostosas quando alguém famoso (e que não era das suas relações pessoais) morre. Faz-me confusão, pronto.

 

Até que ontem o Chester Bennington morreu. Suicidou-se por enforcamento. E admito - senti um certo abalo.

 

Eu não tive uma adolescência muito problemática. Enfim, tive ali um ano mais complicado na Escola ao nível das relações com colegas, mas não tive uma adolescência muito problemática. Ainda assim, tive fases zangada. Tive fases depressivas. Tive fases de revolta. E, claro, tive fases boas. E os Linkin Park fizeram parte de todos esses momentos. Sobretudo das fases zangadas. Lembro-me de os ouvir no Discman (old enough?) no volume quase máximo - porque, bem, estava zangada e quando estamos zangados, a música quer-se alta.

 

Lembro-me de ter ouvido pela primeira vez o Numb e de ter achado a música absolutamente genial. Poderosa. De um amigo meu me ter mostrado o My December e de me ter arreapiado. Claro, de adorar o In the End. Lembro-me de quando eles vieram ao Rock in Rio em 2012. Não os fui ver ao vivo, infelizmente, mas vi-os em casa enquanto estava a escrever a Tese. E foram poderosos. Tão poderosos que eu só queria estar lá e não na cozinha ao computador a escrever sobre Falsas Memórias.

 

Na altura decidi que um dia tinha que os ir ver. Bem, nunca mais os vi e agora, provavelmente, nunca mais os vou ver. Sim, o mundo da música ficou mais pobre. Ficámos todos. Porque todos perdemos uma voz brutal. Porque isto dita o fim dos Linkin Park como os conhecemos. Os Linkin Park que, com o seu talento, com a sua música, ajudaram toda uma geração a ultrapassar a adolescência.

 

Não, não choro a morte dele. Mas lamento profundamente. Lamento profundamente que uma pessoa tão talentosa tenha decidido por termo à sua vida. Não, não o considero cobarde. Apenas lamento. É triste. É só triste.

 

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