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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

29
Mai17

E se...

Miúda Opinativa

Aprendi a nadar aos 4 anos e esse sempre foi o meu desporto de eleição. Aos 7 anos ingressei num clube familiar, com natação amadora, e por ali fiquei até... hoje. Lá fiz muitos amigos, grandes amigos, que mantenho até hoje. Ainda assim, durante estes anos todos, e sobretudo quando era mais nova,  quis experimentar outras coisas e quis, até, tentar a natação de competição. No entanto, quando o quis, já seria demasiado tarde para começar. Em relação às outras actividades, seria difícil concilar tudo e nunca deixaria a natação. Portanto, nunca fiz mais nada.

 

No final do 6º ano, por ter percebido, na altura, que me estava a afastar dos meus amigos de turma, quis sair da escola onde andava. A minha mãe disse-me para lá ficar à mesma e eu... fiquei. Até ao 12º ano.

 

No 8º ano, tive o meu primeiro namorado. Durou uns meses, não muitos. Acabou, mas ficámos amigos. Foi o típico namoro da adolescência, que acaba sem grande mágoa (embora, na altura, tenha sido o fim do mundo). No início do mês fui ao baptizado da filha dele com uma amiga minha. Que já era nossa amiga nessa altura.

 

No 10º ano, apaixonei-me pelo meu melhor amigo. Poderia ser mais cliché? Pois claro que podia. Porque não fui correspondida.

 

No 12º ano, decidi concorrer ao Ensino Superior, ao curso de Psicologia.

 

No 1º ano da Faculdade, detestei o curso. E no 2º continuei a não gostar. No 3º não sabia o que fazer. Não tive coragem de sair, porque não sabia o que seguir em alternativa. Gostava de Arquitectura, mas não tenho jeito absolutamente nenhum para a coisa. Continuei pelo Mestrado, sempre cheia de dúvidas.

 

Aos 20 anos, interessei-me por um amigo meu. Amigo de amigos, vá. E ele interessou-se por mim. Convidou-me para sair mas não tive coragem de ir.

 

Comecei a trabalhar, passei por algumas situações insólitas e aos 25, frustrada, resolvi voltar a estudar.

 

O que é que estas coisas vos interessam? Nada. São apenas algumas questões que, de certa forma, me marcaram.

O que teria acontecido se eu tivesse feito natação de competição? Eu sou boa nadadora, modéstia à parte, tenho uma boa técnica, mesmo treinando apenas 3 vezes por semana, 45 minutos... Será que teria potencial para chegar longe?

 

O que teria acontecido se eu tivesse saído da Escola no final do 6º ano? De certeza que não teria sofrido como sofri no  7º... Porque, efectivamente, afastei-me das minhas colegas, o que gerou situações muito pouco simpáticas e que, de certa forma, me moldaram. Me tornaram mais retraída e desconfiada. Mais solitária. Poderia não ter sofrido isso e ter sido muito feliz numa nova escola, como também poderia ter sido super infeliz e ainda mais sozinha nessa mesma nova escola. Certo?

 

O que teria acontecido se o meu 1º namoro tivesse durado mais tempo? O que teria acontecido se o meu melhor amigo se tivesse apaixonado por mim e não por uma rapariga mais velha? Será que hoje continuaríamos amigos?

 

O que teria acontecido se eu tivesse mudado de curso?

 

O que teria acontecido se eu tivesse ido tomar café com o tal amigo dos meus amigos?

 

O que teria acontecido se eu não tivesse passado por essas situações insólitas relacionadas com trabalho? Teria voltado a estudar? A verdade é que, apesar de não ter concluído esse Mestrado, esse regresso à Faculdade foi muito importante para mim. Porque na faculdade, conheci uma rapariga que faz anos um dia depois de mim. No dia de anos dela, depois de lhe ter dado os parabéns, comecei a pensar que conhecia mais alguém que fazia anos naquele dia. Fiquei a matutar no assunto até que me lembrei quem seria. Era um rapaz que tinha conhecido aos 15 anos, na época falávamos pelo MSN (isto foi muito antes do Facebook, claro), vimo-nos poucas vezes e quando entrámos na Faculdade, cada um seguiu o seu caminho e nunca mais me lembrei dele. Mas em 2015, depois de me ter lembrado dele, procurei-o no Facebook e encontrei-o. Namoramos há quase 2 anos.

 

E se? E se? E se? Sim, a verdade é que o "A Matéria Escura" me fez pensar nestes (e noutros) "E se" da minha vida. A verdade é que todos passamos por situações importantes, cuja decisão influencia brutalmente a forma como a nossa vida segue. Se eu tivesse mudado de curso, ou tivesse seguido outra área de Mestrado, o que estaria a fazer agora? Se eu não tivesse passado por essas situações insólitas relacionadas com o trabalho, teria voltado a estudar? Teria reencontrado o meu namorado? Muito provavelmente, e apesar de termos alguns conhecidos em comum, não. Por isso, posso dizer que apesar de tudo, valeu a pena dar um passo atrás.

 

Mas e se eu tivesse ido tomar café com o tal rapaz? Há uns anos - antes de reencontrar o meu namorado - tivémos uma conversa séria sobre o assunto. Sim, ele tinha estado interessado em mim e sim, eu tinha estado interessada nele. Não avançámos porque éramos os dois jovens e parvos. Mas e se a coisa se tivesse dado? Será que teríamos continuado? Ele chateou-se mais ou menos, entretanto, com um dos nossos amigos em comum (que por acaso foi o meu primeiro namorado, o do 8º ano XD). Será que se nós tivéssemos namorado eles se teriam chateado? Ou será que eu iria acabar por me afastar desse meu amigo por causa da zanga deles?

 

A verdade é esta: pequenas decisões moldam completamente as nossas vidas - e as dos outros. E nós não temos noção do quão importantes certos momentos podem ser. O momento em que eu encontrei o meu namorado no Facebook e o decidi adicionar - algo que eu nunca faço -, sem me ter apercebido disso (qual é a importância que um clique pode ter?), acabou por ser fundamental.

 

O momento em que, sem grande esperança ou expectativa, enviei a minha candidatura para a empresa onde estou actualmente, revelou-se, afinal de contas, fundamental. Mas não consigo deixar de pensar "E se não tivesse sido seleccionada e tivesse esperado por outras respostas?!". É irrelevante, porque eu até estou a gostar bastante de onde estou. Mas... E se?

 

Bem, é melhor parar por aqui. O texto já vai longo e são divagações sem grande interesse. Porque hoje, e apesar de todos os "E se", posso dizer que estou relativamente satisfeita com o rumo que a minha vida está a levar. Sim, os "E se" existem. Mas se não fossem estes, seriam outros. Se tivesse mudado de escola, poderia hoje estar a pensar "e se eu tivesse continuado?". E a verdade é que, no final de contas, o facto de ter continuado naquela escola fez com que mantivesse os meus amigos, o facto de ter continuado na natação fez com que mantivesse os meus amigos, o facto de ter frequentado Psicologia, ter saído, ter voltado para trás e não ter terminado fez com que estivesse agora onde estou - e onde estou bem -, e fez com que eu reencontrasse o meu namorado :)

 

 

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