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Dia dos Namorados

por Miúda Opinativa, em 14.02.17

Se isto é um blog de Postas de Pescada, claro que não podia faltar a Posta de Pescada sobre o dia mais piroso / amoroso do ano. 

 

Não sou contra nem a favor, porque não tenho que ser contra ou a favor. Se acho que é um dia extremamente comercial? Acho. Mas a verdade é que o Natal também é cada vez mais comercial e não é por isso que não o celebro... Se acho que é um dia que pode colocar imensa pressão nas pessoas solteiras (e mesmo nas comprometidas)? Também acho que sim. E acho que aí é que reside o problema. 

 

Existe uma pressão para não sermos sozinhos, especialmente se formos mulheres. Seja no Dia dos Namorados, seja no Natal, seja nos casamentos de amigos e familiares, seja numa reunião familiar. A pergunta é sempre "então e tu?" e se as pessoas não tiverem o mínimo de noção, ainda rematam com um "olha que depois ficas para tia...", como se o "ficar para tia" fosse uma coisa terrível, uma doença incurável e que nos levará à morte certa. 

 

No Dia dos Namorados esta pressão passa muito por haver um bombardeio, desde o Dia de Reis, de programas para dois, de presentes pirosos, de viagens para dois, de jantares para dois, que dá a sensação de quem não tem outra pessoa para ser um "dois", lhe faltará alguma coisa ou não poderá usufruir de coisas espectaculares (que, na maioria das vezes, nem são espectaculares. São coisas banais que podem ser feitas em qualquer altura mas com menos confusão - e, possivelmente, mais barato). 

 

A questão é: não tem mal nenhum ser sozinho/a. Não tem mal nenhum não ter um namorado/a no Dia dos Namorados. Da mesma maneira que não tem mal nenhum, obviamente, estar acompanhado/a. O facto de termos ou não namorado/a não tem, necessariamente, que definir a nossa felicidade. E isto é importante para não nos metermos em relações que não nos farão felizes. Se eu sou feliz na minha relação e mais feliz do que quando estava sozinha? Obviamente que sim, caso contrário não estava com ele. Mas parte da minha felicidade na minha relação é consequência de eu saber quem sou fora da minha relação. De saber o que gosto e do que não gosto, de saber estar sozinha. E isso só acontece porque nunca estive numa relação que não me satisfizesse plenamente, em que a outra pessoa não me conhecesse, em que não houvesse cumplicidade entre os dois e conjugação real e não forçada de interesses. E isso, meus amigos, fez com que passasse muitos (mas muitos mesmo) Dias dos Namorados sozinha, a ver as minhas séries preferidas ou a ler os meus livros. 

 

E foram dias tão bons como outros quaisquer. Foram noites tão bem passadas como a noite de hoje espero que seja, em que o meu namorado e eu vamos jantar em minha casa, calmamente e sem confusões. Em que vamos fazer o jantar (eu o prato principal e ele a sobremesa) e ele, pela primeira vez em quase um ano e meio, vai provar um prato cozinhado por mim (eu raramente cozinho). 

 

Os programas especiais não têm que ser complexos. Não têm que ser caros. Não têm que envolver peluches com corações a dizer "I Love You" ou jantares em restaurantes à pinha. Se envolverem, atenção, não tem mal nenhum - desde que seja um programa que diga algo aos dois. Os programas especiais - seja no Dia dos Namorados ou noutro dia qualquer - são aqueles programas que têm significado para ambas as partes. E para ambas as partes saberem o que tem significado para elas, é preciso que ambas saibam aquilo que gostam - e para tal, arrisco dizer, é necessário que as pessoas tenham passado alguns Dias dos Namorados sozinhos ;) 

 

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publicado às 09:33


4 comentários

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De Chic'Ana a 14.02.2017 às 11:03

Não tem mal nenhum estar sozinho, e como bem diz o ditado: antes só do que mal acompanhado. Este dia pode ser vivido por todos! Espalhem o amor, quer seja pelo parceiro, pela família, pelos amigos...
Beijinhos
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De Miúda Opinativa a 14.02.2017 às 11:30

Concordo plenamente :)

O importante é sermos felizes!
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De Helena Magalhães a 17.02.2017 às 00:33

A pergunta é sempre "então e tu?" e se as pessoas não tiverem o mínimo de noção, ainda rematam com um "olha que depois ficas para tia...", como se o "ficar para tia" fosse uma coisa terrível, uma doença incurável e que nos levará à morte certa.

ahahah já ouvi isto taaaaantas vezes. Mas tantas! Como se a primeira coisa que alguém tem para me dizer é: então, já arranjaste namorado? Resposta que apetece dar: Epá não, não arranjei porque ainda não encontrei alguém extremamente espectacular, inteligente, fiel, divertido, carismático, etc, etc, etc. Mas há-de chegar, descansa. Se tu arranjaste, eu também arranjo :P
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De Miúda Opinativa a 17.02.2017 às 09:40

É a primeira coisa que parece que algumas pessoas têm para dizer e se a resposta for negativa, lá vem a sequência de "mas tu és uma rapariga interessante!" [lol], "olha que ficas para tia!" [lol lol], "conheço uma pessoa que..." [AHHHHHH, este era o que me irritava mais. Mentira, não sei qual é que mais me irritava mais].

As pessoas não percebem duas coisas. A primeira é que quem está solteiro sabe que está solteiro e se não está feliz por isso, então já se perguntou todas as questões que lhe fazem (do género "eu sou uma rapariga interessante, porque é que não encontro ninguém? - ok, às vezes é mesmo por causa disso, ah ah XD) e já pensou em todos os cenários "terríveis" que as pessoas lhe apresentam (como, lá está, o ficar para tia e ser comida por gatos). A segunda é que quem está solteiro pode, de facto, gostar de estar solteiro e quem tem essa abordagem está só a ser estúpido porque a outra pessoa não está minimamente interessada ou preocupada com isso.

Na minha humilde opinião, quem tem essa abordagem está apenas a projectar nas outras pessoas o seu medo de ficar sozinho. Tão simples quanto isso.

Nunca me vou esquecer de há uns anos, a propósito de uma amiga minha que tinha acabado o namoro com o namorado de anos, outra amiga nossa dizer, sem sabermos ainda sequer tem tinha acabado com quem, "nem quero imaginar o que a X está a passar. Nesta altura da vida [tínhamos 25 anos] ficar sem namorado...". Achei aquilo tão "triste"... Mais tarde a nossa amiga contou-nos, então, que foi ela a acabar o namoro.

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