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Opiniões e Postas de Pescada

Opiniões e Postas de Pescada

18
Jan18

Ainda sobre o assédio

Miúda Opinativa

Na semana passada, li esta notícia. E não pude deixar de pensar "pois, agora é muito fácil e fica muito bem vir pedir desculpa". Mas a verdade é quenão teve quaisquer problemas em fazer o filme e em ganhar o Óscar. Sim, pedir desculpa fica bem. Mas quando fez o filme, já existia a acusação e isso não a impediu de participar. E agora, porque é moda e fica bem, vem dizer que nunca mais participa num filme do realizador. 

 

No entanto, depois começo a pensar... Não somos todos culpados do assédio? Mesmo nós, público? Não seremos agora todos um bocadinho hipócritas em virmos para a rua gritar contra o assédio quand compactuámos durante anos com tudo isto? 

 

Desde que o realizador foi acusado de abuso sexual de menor, quantos filmes é que ele já realizou? Quantos actores e actrizes é que já participaram nos seus filmes e ganharam prémios por essas participações? Quantos espectadores é que já foram ao cinema ver os filmes dele?

 

Pois...

 

 

E será que as alegações são verdadeiras? Será que devemos aceitar as acusações de uma pessoa como sendo verdadeiras sem pensarmos que sim, que podem ser falsas? Atenção, não estou a dizer que as acusações são falsas. Mas não será essa também uma possibilidade?

 

E o Roman Polanski? Acusado de abusar sexualmente de uma miúda de 13 anos, admitiu a sua culpa. Portanto sim, as acusações são verdadeiras. No entanto, ainda assim, continuou a fazer filmes. E todos compactuámos com um realizador que abusou sexualmente de uma miúda de 13 anos. E eu contra mim falo, que adoro "O Pianista". Para mim, um dos melhores filmes de sempre. 

 

No entanto, não será errado glorificar um criminoso? 

 

 

17
Jan18

Mentiras no Divã

Miúda Opinativa

Depois de ter terminado o "The Bat", decidi passar para algo completamente diferente, para o "Mentiras no Divã", de Irvin D. Yalom. 

Lido numa semana, entre viagens de metro, comboio e "20 minutos à noite antes de ir dormir", cativou-me desde o início. 

 

Sim, o facto de ter formação em Psicologia ajuda a que este seja um tema que me suscita grande interesse (apesar de Psicologia ser diferente de Psicanálise e de eu não ser de Psicologia Clínica nem nunca ter tido interesse em seguir esse caminho, muito menos Psicologia Dinâmica); no entanto, julgo que mesmo para quem não é desta área, o livro pode ter grande interesse. 

 

Porque nos permite perceber que, afinal, os psicanalistas também são humanos. Às vezes existe uma perceção, meio idiota, que quem tem formação em Psicologia ou Psiquiatria tem uma espécie de aura que evita que tenham problemas mundanos, que evita que se enganem em relação às pessoas. Mas isso, infelizmente, não acontece. E sim, os psicanalistas tambémse enganam. 

 

Por outro lado, foi extremamente interessante verificar as várias relações estabelecidas entre os psicanalistas e os pacientes. A relação terapeuta-paciente é fundamental para  processo de terapia e respetiva cura e, por isso, foi interessante explorar de que forma as diferentes abordagens trazem diferentes resultados. Sim, o livro é um romance e, por isso, é possível que as situações não sejam exactamente como são descritas; no entanto, tendo em conta que o autor é, na verdade, psiquiatra, é possível que se aproxime, pelo menos um pouco, da verdade. 

 

Em terceiro lugar, foi também engraçado ver como as personagens analistas da história analisam tudo à sua volta, incluindo os comportamentos das pessoas com quem falam e lidam. Eu não sou psicóloga e muito menos psicanalista; no entanto, faço isso frequentemente - e o meu namorado "irrita-se" muito com isso, ah ah! E é engraçado como se calhar faz mesmo parte dos traços de quem lida e estuda estas "coisas" da mente, independendemente da corrente seguida. 

 

Finalmente, foi também muito interessante ver os limites da terapia e da psicanálise. A verdade é esta: eu nunca quis seguir Psicologia Clínica precisamente devido aos seus limites. Por outro lado - e agora os psicanalistas que me perdoem -, penso que a Psicanálise terá muitas limitações, sobretudo porque se baseia nas interpretações de todas estas análises que se fazem. E sim, analisar é giro, mas interpretar - e às vezes interpretar de forma, digamos, exagerada, relacionando certos comportamentos com questões sexuais e relacionadas com os pais, por exemplo - traz questões sérias. Não, o facto de eu não ter tido muitos namorados não significa que seja apaixonada pelo meu pai. 

 

Gostei do livro. Acho que está bem escrito - embora por vezes os diálogos parecessem um tanto quanto forçados, como se de uma aula se tratasse -, e tem a capacidade de cativar. Já tinha lido um livro deste autor ("Quando Nietzsche chorou"), já tinha gostado e agora este não me desiludiu. 

16
Jan18

"Onde começa o assédio e acaba a sedução?"

Miúda Opinativa

Assim começa este artigo de opinião de Patrícia Reis que li na semana passada que pôs no papel muitas das minhas preocupações, chamemos-lhe assim, sobre este tema. 

 

A verdade é esta: durante anos e anos e anos e anos e anos, as mulheres foram - e continuam a ser - vítimas de assédio e de discriminação. Vistas frequentemente como o elo mais fraco, somos um alvo fácil de violência, de assédio, de discriminação. E isso tem que mudar, claro. Aliás... Tem que acabar. 

 

Mas a verdade é também esta - os tempos em que vivemos acabam por ser perigosos em vários sentidos. A questão que se faz no título é fundamental: onde acaba a sedução e começa o assédio? Se um homem disser a uma mulher (ou uma mulher disser a um homem) "que bonitos olhos que tens!" isto será considerado assédio? Porque, bem vistas as coisas, ninguém pediu esse comentário e, no limite, poderá resvalar para outros comportamentos... Mas então, se pararmos de tecer comentários elogiosos, acaba-se a sedução? Não me parece que seja muito razoável. 

 

Por outro lado, também me parece que certas queixas de "assédio", pela forma como são colocadas, também são perigosas. Não para os acusados, mas para as vítimas - as daquela queixa e/ou todas as outras. A Patrícia Reis fala do caso de James Franco e de Sarah Tither-Kaplan, que acusou o actor e realizado de apenas lhe ter pago 100 USD diários para fazer cenas de nus... E a minha questão é: se a atriz não quera aceitar esse valor - que sim, é baixo -, então porque aceitou a proposta? Porque assinou contrato? Existe um cntrato que "valida" esse valor? Ou foi contratualizado outro falor e ele decidiu a posteriori pagar menos? É necessário, antes de acusar, que a situação seja explicada para que um comentario como o meu ("se não receber tão pouco, não aceitasses a proposta, ora!") não seja feito.

 

Reparem... Não estou a "culpabilizar" a vítima nem estou a dizer que não houve conduta imprópria; no entanto, penso que para que esta luta "metoo" continue a ser válida, é preciso que não perca crédito. E para não perder crédito, as acusações têm que ser fundamentadas. 

15
Jan18

The Bat

Miúda Opinativa

Acabei de ler, na semana passada, o primeiro livro da saga Harry Hole, de Jo Nesbo. Tive muitas dúvidas se iria escrever ou não um post sobre o livro porque tive receio que a forma como eu li o livro tenha influenciado a minha interpretação. Contudo, após falar com algumas pessoas que também o leram, cheguei à conclusão que afinal, a miha interpretação não é única.

 

Ora bem... Eu comecei a ler o livro no início de Dezembro, depois de ter regressado da Costa Rica, e acabei-o em Janeiro. Foi um mês. Para um livro de menos de 400 páginas. Um policial. É imenso (pelo menos para o tempo que eu demoro a ler este tipo de livros). Acontece que a vida acontece e às vezes é difícil ter disponibilidade para ler. E tive receio que a minha opinião do livro fosse consequência desta demora. 

 

No entanto, em retrospetiva, consigo perceber que se o livro fosse mais interessante, talvez eu tivesse arranjado tempo e disponibilidade para o ler. Talvez não me tivesse dado sono quando o tentei ler nas horas de espera no Aeroporto de Amesterdão. Talvez me tivesse dado mais vontade de ler nas minhs intermináveis viagens de metro e comboio. Talvez tivesse conseguido ler durante 20 minutos à noite quando me deito. 

 

Mas isso não aconteceu. Não aconteceu porque, de facto, o livro não me conseguiu cativar. Entretém? Sim. Mas não prende. Não nos faz querer ler rapidamente para conseguirmos descobrir o mistério. É, muitas vezes, um bocejo. 

 

Por outro lado, parece, muitas vezes, que falta cola entre as várias situações. Não percebi - embora aqui admita que a falha possa ter sido minha -, como é que raio o Harry passa de um suspeito para o outro assim, sem mais nem menos (desculpem o eventual spoiler). Ede repente, não se fala mais no antigo suspeito. 

 

Admito que foi uma desilusão. Li o "Boneco de Neve" há uns anso (já alguém viu o filme? Vale a ena?) e adorei. Enfim, dou o desconto, porque este foi o primeiro livro da saga e é natural que não tenha sido tão bem conseguido... Mas ainda assim, foi uma desilusão. 

 

O ponto positivo foi ter-nos permitido conhecer um bocadinho melhor a personagem Harry Hole e a origem dos seus traumas (porque como todas as personagens centrais de policiais suecos, também o Harry tem traumas). Acho que vou dar uma nova oportunidade e um dia destes, leio o segundo. 

12
Jan18

As Redes Sociais são o que fazemos delas

Miúda Opinativa

As Redes Sociais fazem cada vez mais parte do nosso dia-a-dia e são frequentemente criticadas. Porque são um perigo, porque viciam as pessoas, porque impedem as pessoas de realmente viverem, de realmente se relacionarem. Eu própria critico e eu própria sou vítima dos malefícios das Redes. Quantas vezes não me fui deitar com o objetivo de ainda ler um pouco e acabo a vegetar no telemóvel a passear entre o Instagram e o Facebook? Quantas vezes não estou a ver séries e acabo por me dispersar no WhatsApp, no Facebook, no Instagram? 

 

No entanto, julgo que a culpa não é das Redes Sociais por si só. Porque as Redes Sociais são aquilo que fazemos delas. 

 

Há uns anos, no 9º ano, eu tinha uma colega de turma cuja mãe dava apoio psicopedgagógico a um rapaz pouco mais velho que nós. Nunca estive com ele, mas a minha colega acabou por ficar amiga do rapaz e por vezes, em chats de grupo no MSN (pausa para inspirar e expirar pela velhice), falávamos todos. 

 

Damos um salto no tempo e chegamos a algures 2008 / 2009, quando o Facebook começou a ser mais utilizado em Portugal. Na altura, criei o meu perfil numa daquelas noites em que ficava a pastelar mas não liguei muito à coisa. Se bem se recordam, quando se criam os perfis no Facebook é enviado um pedido de amizade a todos os e-mails da nossa lista de contactos. Assim, esse rapaz e eu, aquando a criação do meu perfil (ou do dele, já não me recordo), acabámos por ficar conectados, embora nunca tenhamos falado pessoalmente nem nunca tenhamos interagido no Facebook.

 

Novo salto no tempo e chegamos a 2016. Há uns meses, o dito rapaz, agora um adulto, colocou um anúncio no Facebook em que procurava cozinheiros, empregados de mesa, etc. O rapaz, agora um adulto, estava a abrir um restaurante e procurava colaboradores para lá trabalharem. Ora, um antigo colega de natação da minha irmã, cuja mãe acabou por se tornar muito amiga da minha mãe, tirou o curso profissional de cozinheiro e andava à procura de trabalho. Vai daí que partilhei o anúncio com a minha mãe que falou dele à amiga que, por sua vez, falou ao filho. 

 

O filho foi ao processo e acabou por ser seleccionado, estando agora super-satisfeito. 

 

E é isto: eu nunca conheci o rapaz, nunca falei com ele pessoalmente mas o Facebook acabou por, de certa forma, nos ligar. E é óbvio que a vida dele pouco me interessa; no entanto, foi o facto de o ter na minha lista de contactos que fez com que tivesse conhecimento da vaga.

 

Sim, as redes sociais podem prejudicar-nos, podem viciar-nos, podem ser terríveis em vários aspectos. No entanto, as redes sociais também têm o poder de ligar pessoas, de as reaproximar. Já aqui contei que foi graças ao Facebook que reencontrei o meu namorado, 11 anos depois de nos termos conhecido. E a minha mãe, que voltou a ter contacto regular com o primo que foi para os EUA em criança? 

 

Nem tudo tem que ser mau e somos nós que temos que decidir como queremos usar o Facebook ou o Instagram ou qualquer outra rede social. 

11
Jan18

Quando é que nos tornamos adultos?

Miúda Opinativa

Não sei exactamente quando é que nós nos queremos tornar adultos e independentes. Mas julgo que passamos grande parte da nossa pré-adolescência e adolescência a querer chegar aos 18 anos. Julgamos que aí seremos adultos, maiores e vacinados, independentes, donos do nosso próprio nariz. 

 

Esquecemo-nos, ou não sabemos, que a vida não funciona assim. Que aos 18 anos somos adultos apenas no Cartão de Cidadão. Que sim, já podemos beber álcool, tirar a carta e votar, mas que, na maioria dos casos, isso não nos torna adultos no verdadeiro significado da palavra. 

 

Mas o que significa, então, ser adulto, no verdadeiro significado da palavra?

 

Durante algum tempo, sim, também quis ter os 18 anos.  Os 18 anos permitiram-me começar a tirar a carta (6 meses depois de ter feito os 18), começar a votar (finalmente!) e coincidiram com a minha entrada para a Faculdade. Contudo, a entrada paraa Faculdade não me trouxe as certezas que eu estava à espera que os 18 me trouxessem, muito pelo contrário... Assim, não, não foi com 18, nem 19, nem 20 que me comecei a sentir adulta. Comecei a achar que seria quando saísse da Faculdade e entrasse no Mercado de Trabalho. 

 

Acontece que tive um percuro, após a conclusão da Faculdade, em 2012 e com 23 anos, um pouco sinuoso. E nunca me senti adulta. Voltei a trabalhar aos 26 e pensei "ok, se calhar é agora, que me vou sentir adulta...". Só que não. 26 anos, a trabalhar a tempo inteiro, e sentia-me uma adolescente com uma mesada maior. Porque de resto, enquanto vivesse em casa dos meus pais, com eles a "cuidarem" de mim, eu não me sentiria adulta. Talvez fosse adulta no meu trabalho, onde sou responsável por aquilo que faço, mas na vida pessoal... Bem, nem tanto. 

 

Então comecei a pensar que só seria adulta a sério, em todo o significado da palavra, quando saísse de casa, tivesse todas as contas para pagar. Ou, talvez, se nem aí isso acontecesse, quando um dia tiver filhos - se tiver filhos. 

 

Até que em Setembro a vida trocou-me as voltas. O meu irmão morreu, suicidou-se. E de repente vim-me "obrigada" a assumir um papel que nunca pensei que tivesse que assumir aos 28 anos - e tão sozinha. O de também cuidar dos meus pais. Nós éramos 3 irmãos e sempre achei que esta "tarefa" de cuidar dos pais só chegaria daqui a muuuuitos anos (os meus pais são ambos saudáveis) e seria partilhada pelos 3 irmãos. Mas o meu irmão morreu quando a minha irmã foi para Erasmus. Então, até Dezembro, fiquei eu sozinha a cudar deles, que continuam a cuidar de mim. 

 

E acho que foi aqui que me tornei adulta. Quando passei a cuidar. Quando a necessidade de me desdobrar é ainda maior. Quando penso muito mais numa série de coisas que há 4 meses não me passavam pela cabeça. Agora cuido. Agora sou adulta. 

10
Jan18

Até quando podemos desejar bom ano?

Miúda Opinativa

Por mim, a brincadeira de desejar "bom ano" acabava aí no da 1 de Janeiro. Porque todos sabemos - deixemos de ser irrealistas - que no dia 2 a vida volta à sua normalidade. E na "normalidade" não andamos por aí a desejar "bom ano". 

 

No dia 2, eu voltei ao trabalho. Voltei a ter que acordar demasiado cedo para apanhar transportes públicos demasiado cheios (cujo passe anda por cima aumentou... Mas bom ano!!) para ter que ir para o trabalho que apesar de gostar, me dá cada vez mais dores de cabeça ("bom ano", cheio de mudanças na empresa que não sabemos no que é que vão dar...). Para quê desejar "bom ano" se os problemas do velho, por mais que queiramos e façamos por isso, não desaparecem? 

 

O ano vai-se construindo. E não é pelo facto de se desejar bom ano nos 10 dias, 20 dias, que o ano é efectivamente bom. Porque pode acontecer alguma coisa, mesmo que seja no últmo trimestre, que vai estragar o ano. 

 

Tenho noção que passo muitas vezes por um ser mal-educado, ou estranho, ou qualquer coisa do género porque não passo por pessoas e não lhes desejo bom ano. No entanto, o que acontece é que entro demasiado rápido nesta espécie de normalidade... 

 

Mau feitio, eu sei. 

 

 

 

 

09
Jan18

Lutamos, lutamos. Mas... E depois?

Miúda Opinativa

Na noite dos Globos de Ouro, verificou-se uma manifestação em massa por parte dos convidados. Como se viu, todos eles, e elas (ou quase todos), vestiram-se de preto como forma de protesto contra a discriminação e assédio que se tem vindo a verificar ao longo das décadas em Hollywood... E no Mundo. 

 

E tudo isto é muito bonito e faz-me todo o sentido. Sempre me considerei femininista e também já me envolvi em Organizações que lutam contra a discriminação de género. E é bastante interessante presenciar uma tentativa de alteração de mentalidades e de comportamentos. É importante que tudo isto aconteça e tenho esperança que estas ações tragam resultados positivos - e que um dia tudo isto seja estudado em História. 

 

No entanto... Como é que as mentalidades se podem mudar se se continua a assistir de forma mais ou menos passiva aquilo que se faz com jovens atrizes como a Millie Bobby Brown?

 

Conforme se pode ver na sua página IMDB, a atriz tem 13 anos. Tornou-se conhecida com a série Stranger Things (muito boa), que estreou quando a atriz tinha 12 anos. 

 

Aos 12 anos, apesar de as raparigas quererem ser crescidas, ainda não são. Têm 12 anos. E a indústria deve tratá-las como aquilo que são: pré-adolescentes, com o corpo e a mente ainda a desenvolverem-se, e não como mini-mulheres.  

 

 

Esta foto foi tirada em 2016, na entrega dos Emmys. Acho um vestido demasiado pesado para uma miúda de 12 anos (eu tenho 28 e não o usava), mas penso que os apontamentos dos pássaros lhe dão uma certa graça. Percebo o objetivo - era uma cerimónia dos Emmys, uma gala, e a verdade é que é difícil vestir "adequadamente" (seja lá isso o que for) uma miúda de 12 anos. Já não é uma criança, mas também não é um adulto... É tricky. E apesar de achar o vestido demasiado pesadão, pelo menos não a sexualiza de forma desadequada... 

 

No entanto, mais à frente a situação começa a mudar de figura. 

 

 

Aqui está uma miúda de 12 anos super pintada e com aquela boca meio entre-aberta... Objetivo? Não sei. Se calhar sou eu que embirro com esta expressão, mas parece-me má para uma miúda de 12 anos. 

 

E entretanto chegámos aos Globos de Ouro de 2018 e eu gostava de saber quem é que achou que era boa ideia pintar uma miúda de 13 anos desta maneira: 

 

 

Ver esta foto faz-me mesmo confusão. O que se passou naquela cara? No que é que a estão querer tornar? O problema é que não nos ficamos por aqui... Fazendo uma pesquisa pelo Google, aparecem demasiados resultados (se fosse apenas 1 já era demasiado) de uma miúda de 12/13 anos super produzida, com poses meio forçadas e com roupa demasiado adulta. 

 

Reparem... Eu não sou paternalista. Não acho que uma pessoa de 12/13 anos seja uma criança. Mas também não é uma adulta e, portanto, não deve ser tratada como tal - por mais que aos 12 / 13 achemos que sim, somos super adultos. 

 

E o problema da indústria também começa aí: quando sexualizamos miúdas de 12 anos. Quando exigimos que estas miúdas se produzam como as suas colegas e 20/30 anos para se tornarem "atrativas". Que façam produções fotográficas onde usem soutiens que lhes aumentam o peito. 

 

Isto é, também, um problema. E que sim, só afecta as raparigas. Vendo os colegas de elenco na cerimónia, pelo menos nas fotos disponibilziadas, vemos rapazes a serem rapazes. Não vemos ninguém com implantes de barba - nem tal faria sentido, não é?

 

Então porque é que se exige que miúdas de 13 anos pareçam que têm 25? 

 

 

08
Jan18

Fui ver os Alt-J... É possível receber parte do valor do bilhete?

Miúda Opinativa

Na quinta-feira passada, decidi ir ver os Alt-J. 

 

Já os tinha visto no Alive do ano passado e conforme escrevi aqui, adorei. Achei, na altura, que o concerto mereceria um outro tipo de ambiente para que realmente fosse espectacular e pensei que o Pavilhão Atlântico | MEO Arena | Altice Arena (se calhar voltávamos ao nome original, não? Isto de estar sempre a mudar torna a coisa um bocado confusa...) lhe poderia dar esse ambiente. 

 

E, de facto, deu. Reduzido a metade, possibilitou um ambiente mais "intimista" que permitiria uma boa interacção entre a banda e o público. Por outro lado, havendo a possibilidade de ficar às escuras, haveria margem para um bom espectáculo de luzes e de efeitos visuais. 

 

Acontece que a banda decidiu que o primeiro concerto da tour - e não sei se serão todos assim - seria "another day at the office". Faz-me alguma confusão, admito, as bandas que não interagem muito com o público e foi isso que aconteceu ali. Cantaram as músicas principais? Sim. Cantaram-nas bem? Sem dúvida. Tiveram um bom espectáculo de luzes e de efeitos visuais? Com certeza!!! Puseram-nos a mexer? Bem, sim... Deram um grande espectáculo? Não. Simplesmente apareceram, tocaram, cantaram, luzes, efeitos visuais, de vez em quando falaram (e ok, simáticos, disseram uma frase em Português), mas nada de interagir. Cumpriram o razoável e ficaram-se por ali. 

 

E isso é algo que, admito, me faz alguma confusão nos concertos. Já os Arctic Monkeys no Alive de 2014 fizeram o mesmo (aliás, até julgo que foi pior...). Faz-me confusão quando as bandas não se envolvem com o público - gosto de pensar que o artista está mesmo a gostar de ali estar, que não vê aquele concerto como algo que só serve para cumprir calendário e quer é despachar a coisa para ir para o hotel. Há uns anos, no início da minha carreira, alguém me disse - e deve ter sido a única coisa acertada que aquela pessoa me disse - que eu tinha que fazer o candidato que ia à entrevista sentir-se especial, confiante. E acho que o trabalho dos artistas nos concertos passa também por isso - por fazerem sentir aquelas pessoas que pagaram para ir ao concerto deles que são especiais. 

 

Enfm, gostei do concerto, foi uma noite diferente, mas gostei muito mais deles no Alive (INTERAGIRAM COM O PÚBLICO!). Daí não querer o meu bilhete de volta, mas parte dele. 

05
Jan18

Origem

Miúda Opinativa

Depois de acabar a Fortuna Perigosa, comecei a ler a Origem, o novo romance de Dan Brown, da série Robert Langdon.

 

Este foi o quarto livro desta série que li e a verdade é que isso faz com que já conheça o estilo do autor e já consiga prever os seus passos. A verdade é esta: quando li o Código da Vinci, fiquei realmente surpreendida pelo estilo e embrenhada na história. Sendo adepta de História e tendo estudado pouco antes de ler o livro o Renascimento, a história teve a capacidade de me cativar do início ao fim. Por outro lado, era mais nova e menos exigente. 

 

Com o Anjos e Demónios, e já não tendo o factor surpresa a seu favor, Dan Brown já não me conseguiu captar a atenção da mesma forma. Achei, muito sinceramente, um bocadinho mais do mesmo. Assim, quando o Símbolo Perdido saiu, já não tive grande vontade de o ler. 

 

No entanto, o Inferno, o quarto livro da saga, foi lançado, a minha mãe acabou por comprar uma edição especial do Círculo de Leitores e eu acabei por ler. E gostei, sobretudo pela reflexão que se faz: mundo está sobrepopulado - o que é que se pode fazer para ultrapassar este problema? 

 

Chegamos, então, à Origem, que o meu namorado fez o favor de fazer o download para o Kindle e eu aproveitei a deixa para ler. 

 

O livro tem um tema interessante, é um facto. No entanto, julgo que o autor não foi bem sucedido na concretização da história, por várias razões. Muitos dos diálogos são forçados, não se percebe como é que o Robert Langdon é tão inteligente numas coisas mas para outras é só parvo e a história está cheia de clichés. Por outro lado, fiquei desiludida pelo facto de não se fazer qualquer referência ao que se tinha passado no livro anterior. 

 

No entanto, para mim o pior é mesmo o facto de ter conseguido perceber muito cedo o que é que se estava a passar. Eu gosto de ser surpreendida pelos livros que leio, gosto de suster a respiração, e este não teve essa capacidade. O meu objectivo era acabar para perceber se tinha ou não razão. E quando percebi, na piscina da Casa Amerilla, na Costa Rica, levantei os braços e disse "eu sabia!". Parecia que tinha marcado um golo. 

 

Ainda assim, é um livro que entretém. Numa altura em que eu não quero deixar de ler mas não tenho grande capacidade para ler grandes coisas, este livro cumpriu o objectivo - manter-me entretida e gerar mais um tema de conversa entre mim e o meu namorado. 

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